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EDUCAÇÃO SEM CORRUPÇÃO: GARANTIA DA QUALIDADE E EQUIDADE NO ENSINO-APRENDIZAGEM

Resumo

A educação é um direito humano fundamental essencial para garantir acesso justo a todos os cidadãos. No entanto, nos últimos anos, têm sido evidentes práticas corruptas nos sistemas educativos, como venda de provas e manipulação de notas, comprometendo a credibilidade das instituições e enfraquecendo o mérito académico. A corrupção permite que pessoas pouco preparadas ocupem cargos de responsabilidade, levando à perda de talento e ineficiências económicas. No plano académico, a distorção do mérito desmotiva os estudantes e desvaloriza o esforço honesto. Socialmente, a obtenção de qualificações por favoritismo mina a confiança entre estudantes, famílias e instituições, gerando descrédito e comprometendo a coesão social. Em contextos de baixos salários e más condições de trabalho, surgem incentivos para comportamentos indevidos, fragilizando ainda mais o sistema educativo.

Por: Lurdes Almeida

A educação, tanto pública como privada, é reconhecida como um direito humano fundamental e um instrumento central para a realização dos demais direitos. Para que esse direito seja plenamente garantido, a ausência de corrupção é essencial, não apenas para assegurar uma educação de qualidade, mas também para garantir um acesso justo e equitativo a todos os cidadãos.

Nos últimos dois quinquénios, porém, os sistemas educativos do país têm demonstrado uma crescente vulnerabilidade a práticas corruptas, tais como a venda antecipada de provas, a fuga de informações e a manipulação de notas. Estas práticas comprometem a credibilidade das instituições de ensino e enfraquecem o princípio do mérito académico.

No plano económico, a corrupção cria espaço para que pessoas pouco preparadas ocupem funções de responsabilidade. Tal cenário conduz a perda de talento, limita o potencial de desenvolvimento e gera ineficiências que afectam negativamente a economia e a prestação de serviços essenciais.

No plano académico, a distorção do mérito interfere directamente na motivação dos estudantes. Quando o esforço deixa de ser o factor determinante para o sucesso, instala-se a ideia de que a aprovação pode ser alcançada por vias ilícitas, o que desvaloriza o trabalho dos que se dedicam honestamente ao estudo e prejudica, em especial, os estudantes de contextos mais vulneráveis.

Socialmente, quando as qualificações são obtidas por favoritismo ou suborno, rompe-se a confiança entre estudantes, famílias e instituições de ensino. Instala-se a percepção de que o progresso social depende de esquemas paralelos e não de competência, gerando descrédito nas instituições e comprometendo a coesão social.

Em contextos em que existem salários baixos, falta de financiamento e ambientes de trabalho pouco atractivos, surgem incentivos adicionais a comportamentos indevidos por parte de alguns docentes e gestores educativos. Este cenário fragiliza ainda mais o sistema e agrava a desvalorização da educação.

A persistência da corrupção no sector educativo traduz-se numa educação de menor qualidade, em desempenhos académicos fracos e em maiores níveis de abandono escolar. A médio e ao longo do tempo, estes efeitos podem contribuir para o aumento da pobreza, do desemprego e da desigualdade.

Face a este panorama, torna-se urgente reforçar os mecanismos de segurança nos exames, melhorar as condições de trabalho dos profissionais de educação e promover uma cultura institucional assente na transparência e na integridade. Só assim será possível restaurar a confiança pública, valorizar o mérito e garantir que a educação cumpra o seu papel como motor do desenvolvimento colectivo e como direito humano fundamental.

 

 

 

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