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África Subsaariana Acelera Crescimento, Mas Fica Aquém Das Necessidades De Emprego E Redução Da Pobreza

Banco Mundial projeta crescimento de 4,3% em 2026 e 4,7% em 2027, sustentado por investimento, exportações e preços favoráveis das commodities.

A economia da África Subsaariana registou uma aceleração moderada em 2025, com o crescimento a atingir 4,0%, beneficiando da desaceleração da inflação e de preços internacionais das commodities mais elevados do que o esperado. Ainda assim, segundo o mais recente relatório Global Economic Prospects do World Bank, a trajectória de crescimento permanece insuficiente para responder aos desafios estruturais da região, nomeadamente a criação de emprego e a redução sustentada da pobreza.

Crescimento Sustentado Por Commodities E Estabilidade Financeira

A melhoria do desempenho económico em 2025 foi impulsionada, em vários países, por preços favoráveis do ouro, outros metais preciosos e café, que reforçaram as receitas fiscais. Em paralelo, a inflação global mais baixa, aliada a boas colheitas agrícolas em várias economias, contribuiu para aliviar pressões sobre os preços.

O crescimento, contudo, foi desigual. Entre as três maiores economias da região, registaram-se trajectórias divergentes: a actividade económica ganhou força na Nigéria e na África do Sul, enquanto na Etiópia se verificou uma moderação, ainda que mantendo níveis elevados.

Na África do Sul, o crescimento subiu para 1,3%, beneficiando de maior fiabilidade no fornecimento de electricidade, uma colheita agrícola robusta e melhoria da confiança empresarial. Na Nigéria, a expansão económica atingiu 4,2%, impulsionada pelos serviços — em particular os sectores financeiro e de tecnologias de informação e comunicação — e por uma recuperação gradual da agricultura.

Inflação Em Queda, Mas Com Novos Sinais De Pressão

A inflação na África Subsaariana continuou a abrandar em 2025, reflectindo a descida dos preços globais da energia e dos alimentos. No entanto, o relatório assinala um aumento da inflação subjacente pela primeira vez em dois anos, levando alguns bancos centrais a suspender ciclos de flexibilização monetária e outros a voltar a subir taxas directoras.

As condições financeiras melhoraram de forma geral: os rendimentos das obrigações soberanas caíram, os spreads diminuíram e várias moedas regionais apreciaram-se face ao dólar. Economias como Angola, Quénia, Nigéria e República do Congo recuperaram o acesso aos mercados internacionais de capitais.

Perspectivas: Recuperação Moderada, Mas Ainda Insuficiente

Para 2026 e 2027, o Banco Mundial projeta um crescimento regional de 4,3% e 4,7%, respectivamente, sustentado por investimento e exportações mais fortes. Ainda assim, este ritmo permanece abaixo da média histórica de longo prazo e não será suficiente para gerar progresso significativo na redução da pobreza extrema.

O crescimento do rendimento per capita deverá situar-se em cerca de 2% ao ano, um nível incapaz de acompanhar o rápido aumento da população activa. Com cerca de 270 milhões de jovens em idade activa, a África Subsaariana enfrenta o maior crescimento demográfico laboral do mundo, mas continua a criar poucos empregos produtivos.

Ajuda Externa E Riscos Estruturais

Um dos factores mais críticos destacados pelo relatório é a forte redução da ajuda pública ao desenvolvimento desde 2024, o que tem comprimido o espaço fiscal e enfraquecido a capacidade de resposta a choques externos. A persistência de conflitos armados, choques climáticos mais intensos, fragmentação comercial e deterioração das condições financeiras globais representam riscos adicionais.

Ao mesmo tempo, existem factores de risco positivo, como o acesso isento de tarifas ao mercado chinês, maior integração regional e uma eventual recuperação mais robusta da economia global.

Apesar da retoma em curso, a África Subsaariana entra em 2026 confrontada com um dilema estrutural: crescer mais rápido não basta se esse crescimento não se traduzir em emprego, rendimento e redução efectiva da pobreza. O desafio central continuará a ser transformar uma recuperação cíclica numa trajectória de desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Fonte: O Económico

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