Resumo
O ativista dos direitos humanos em Moçambique, Adriano Nuvunga, criticou o Governo por pagar 701 milhões de dólares ao FMI em meio a escassez de divisas e crise económica, considerando a decisão prejudicial à população. Nuvunga alerta que o pagamento agrava a crise ao reduzir as reservas financeiras do Estado, afetando a importação de bens essenciais e serviços públicos. Ele acusa as elites políticas de transferirem o custo de dívidas ocultas para a população, defendendo que os recursos públicos são canalizados sem transparência e benefícios claros. A carta também questiona o papel do FMI no processo e destaca impactos sociais, agravando a pobreza e prejudicando o acesso da população a serviços básicos. Nuvunga apela ao FMI para se pronunciar publicamente, classificando a situação como uma "injustiça económica" imposta ao povo moçambicano.
O activista pan-africano dos direitos humanos, Adriano Nuvunga, tornou pública uma carta aberta dirigida ao representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique, criticando a decisão do Governo moçambicano de pagar 701 milhões de dólares à instituição num contexto de grave escassez de divisas e crise económica no país.
Na carta, Nuvunga considera a decisão “irresponsável” e prejudicial à população, argumentando que o pagamento agrava a crise económica ao reduzir ainda mais as já limitadas reservas financeiras do Estado. Segundo o activista, o país enfrenta dificuldades na importação de bens essenciais, degradação dos serviços públicos e atrasos salariais, o que torna a medida ainda mais sensível.
O director do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) afirma que a decisão representa uma inversão de prioridades, acusando as elites políticas de transferirem para a população o custo de dívidas ocultas superiores a 2 mil milhões de dólares. Para Nuvunga, os recursos públicos estão a ser canalizados para o pagamento da dívida externa sem transparência e sem benefícios claros para os cidadãos.
O documento também levanta questões sobre o papel do FMI no processo. O activista questiona se a instituição apoiou a decisão e pede explicações sobre a sua adequação num contexto de crise cambial. Caso contrário, argumenta, a relevância da supervisão do FMI no país deve ser colocada em causa.
Além dos impactos económicos, a carta destaca consequências sociais, sublinhando que a medida afecta directamente o acesso da população a serviços básicos e agrava a pobreza. Nuvunga defende que a decisão não é neutra, mas sim uma escolha política que penaliza os mais vulneráveis.
O activista conclui apelando ao FMI para que se pronuncie publicamente, afirmando que Moçambique precisa urgentemente dos recursos financeiros que estão a ser destinados ao pagamento da dívida, classificando a situação como uma “injustiça económica” imposta ao povo moçambicano.






