InícioEducaçãoVIOLÊNCIA NAS ESCOLAS E DESAFIO DA EDUCAÇÃO EM MOÇAMBIQUE

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS E DESAFIO DA EDUCAÇÃO EM MOÇAMBIQUE

Por: Gentil Abel

Nas últimas semanas, o país voltou a confrontar-se com imagens e relatos que inquietam profundamente: episódios de violência dentro e fora das escolas, envolvendo alunos e professores. O que deveria ser um espaço de aprendizagem, diálogo e construção de futuro tem, em alguns casos, transformando-se num cenário de conflito.

Este cenário leva-nos, inevitavelmente, a refletir sobre o estado da educação no país e sobre o ambiente em que os adolescentes estão inseridos. Há um sentimento crescente de que algo essencial se está a perder no espaço escolar: o equilíbrio entre autoridade, respeito e convivência.

O caso recente ocorrido na Matola, nas proximidades da Escola Secundária da Liberdade, é um exemplo preocupante. Um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais mostra um confronto físico entre um professor e um aluno, numa situação que rapidamente saiu do controlo. Independentemente das circunstâncias, a imagem é perturbadora: a autoridade pedagógica substituída pela confrontação física, e o respeito mútuo aparentemente ausente.

Este episódio não surge isolado. Em Tete, em março de 2025, um professor foi agredido por um grupo de alunos na Escola Secundária de Chingodzi. Já em Chibuto, em outubro de 2024, um docente foi filmado a agredir um aluno dentro da sala de aula, na Escola Secundária Maguiguane. Quando observados em conjunto, estes casos revelam um padrão inquietante: a deterioração progressiva das relações dentro do espaço escolar.

O problema, no entanto, não se limita à relação entre professores e alunos. Há também relatos de violência entre os próprios estudantes, incluindo casos extremos de agressões com armas brancas. Embora não sejam generalizados, estes episódios são suficientes para acender um sinal de alerta. A escola, que deveria ser um lugar seguro, começa a ser percecionada por alguns como um espaço de risco.

Importa, ainda assim, evitar conclusões simplistas. A violência nas escolas não nasce apenas dentro delas; reflete tensões sociais mais amplas, como a desigualdade, a falta de acompanhamento familiar, a inserção em ambientes duvidosos e a crescente exposição a conteúdos violentos. A escola acaba, muitas vezes, por espelhar essas realidades. Ainda assim, nada disso justifica a violência. Explica, mas não legitima.

Contundo, há também um papel incontornável das famílias e da sociedade em geral. Educar nunca foi responsabilidade exclusiva da escola; é um esforço colectivo, que exige coerência entre os valores ensinados em casa e aqueles promovidos no espaço escolar. Houve um tempo em que qualquer cidadão, independentemente do vínculo familiar, sentia-se responsável por corrigir o que estava errado. Hoje, essa responsabilidade parece diluir-se: assiste-se a comportamentos preocupantes nas ruas e, muitas vezes, a reação é apenas observar, sem intervir.

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