De acordo com uma análise assinada por responsáveis do Grupo Banco Mundial, mais de mil milhões de jovens nos países em desenvolvimento entrarão na idade activa nos próximos 10 a 15 anos, num movimento que poderá redefinir profundamente a dinâmica económica global.No entanto, as actuais projecções indicam que a economia global não está a gerar empregos ao ritmo necessário para absorver este crescimento da força de trabalho, abrindo um fosso crescente entre oferta e procura de emprego.O desafio é agravado por um contexto de espaço fiscal limitado, com níveis elevados de endividamento público, crescimento económico desigual e aumento das exigências sobre os orçamentos estatais.Segundo a análise, nenhum país conseguirá enfrentar isoladamente esta realidade, e os modelos tradicionais de desenvolvimento, fortemente assentes no investimento público, mostram-se insuficientes para responder à escala do desafio.A incapacidade de gerar emprego em escala poderá ter efeitos sistémicos, incluindo menor crescimento global, aumento das pressões migratórias e maior fragilidade económica e social.Neste contexto, o papel do sector privado emerge como central na criação de emprego.A análise sublinha que, embora os governos sejam responsáveis por criar as condições estruturais, é o sector empresarial que gera a esmagadora maioria dos postos de trabalho.A chave está na criação de um ambiente favorável aos negócios, que permita às empresas iniciar, operar e expandir-se de forma eficiente.Um dos principais constrangimentos identificados é a incerteza regulatória, apontada como um dos maiores obstáculos ao investimento.A previsibilidade das regras, a clareza dos sistemas fiscais, a eficiência dos processos administrativos e a capacidade de execução institucional são elementos considerados críticos para atrair capital e estimular a actividade empresarial.“Investimento segue previsibilidade”, refere a análise, destacando que a ausência de regras claras e estáveis pode afastar investidores, independentemente do potencial económico dos países.A abordagem proposta assenta em três pilares fundamentais: investimento em infra-estruturas físicas e humanas, criação de um ambiente favorável ao negócio e mobilização de capital privado em larga escala.Estes três elementos são interdependentes, mas a análise enfatiza que, sem um ambiente regulatório funcional, nem o investimento público nem o financiamento privado se traduzirão em criação efectiva de emprego.O actual momento é descrito como decisivo para a economia global.Se os países conseguirem transformar a pressão demográfica em oportunidade económica, os ganhos poderão ser significativos, incluindo crescimento sustentado, cadeias de valor mais resilientes e maior estabilidade global.Caso contrário, os efeitos negativos poderão propagar-se para além das fronteiras nacionais, afectando o crescimento global e aumentando riscos sistémicos.A mensagem central é clara: a criação de emprego em escala exige reformas estruturais consistentes, coordenação internacional e um foco inequívoco nos resultados — medidos não por compromissos, mas por empregos efectivamente criados.
Fonte: O Económico






