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Eskom E South32 Avançam Com Plano De Energia Renovável Para Sustentar Fundição Hillside

A Eskom e a South32 estão a desenvolver um plano conjunto para assegurar o fornecimento de energia renovável à fundição de alumínio Hillside, numa iniciativa que poderá redefinir o modelo energético da indústria pesada na África Austral.O projecto, cuja implementação está prevista para 2031, coincide com o término do actual contrato de fornecimento de electricidade com tarifas subsidiadas, historicamente fundamentais para a viabilidade desta unidade industrial.A fundição Hillside, localizada na costa leste da África do Sul, possui uma capacidade instalada de cerca de 720 mil toneladas por ano, sendo a maior do hemisfério sul e um dos principais pilares da indústria transformadora sul-africana.Mais do que uma unidade produtiva, trata-se de um activo sistémico, com impacto significativo no emprego e nas cadeias de valor industriais, o que explica o histórico de apoio estatal através de tarifas energéticas diferenciadas.Contudo, este modelo enfrenta actualmente limites estruturais, num contexto em que os custos da electricidade aumentaram cerca de dez vezes desde 2008, reflectindo a pressão sobre um sistema energético ainda fortemente dependente do carvão.Face a este cenário, Eskom e South32 avançaram com a criação de uma equipa conjunta para desenvolver soluções que permitam integrar energia renovável na rede nacional a preços competitivos.O director de operações da South32, Noel Pillay, sublinhou a necessidade de assegurar “uma solução energética viável e de baixo carbono para Hillside a partir de 2031”.Por sua vez, o CEO da Eskom, Dan Marokane, destacou que a parceria visa desenvolver uma solução de longo prazo que preserve a competitividade industrial e, simultaneamente, acelere a transição para um sistema eléctrico com menor intensidade carbónica.Mais do que uma solução pontual, esta abordagem configura um novo modelo para a indústria electrointensiva, combinando energia renovável, estabilidade de fornecimento e previsibilidade de custos.O movimento em curso na África do Sul reflecte uma transformação mais ampla: a transição de um modelo baseado em subsídios energéticos para um modelo assente em soluções estruturadas de longo prazo.Neste novo paradigma, a energia deixa de ser apenas um custo operacional e passa a constituir um factor estratégico de competitividade industrial.Sem acesso a energia fiável e a preços previsíveis, indústrias como a do alumínio tornam-se inviáveis, com impactos directos no emprego, nas exportações e na estrutura produtiva.A relevância desta transformação torna-se ainda mais evidente à luz do caso da Mozal, em Moçambique, também operada pela South32.A decisão de colocar a fundição em regime de manutenção e conservação, após a incapacidade de assegurar um fornecimento de energia competitivo, evidencia os riscos associados à ausência de soluções energéticas sustentáveis para a indústria.Trata-se de um episódio com implicações macroeconómicas relevantes, tendo em conta o peso da Mozal nas exportações e no consumo energético nacional.A comparação entre os dois casos é elucidativa: enquanto a África do Sul procura antecipar soluções antes do término dos contratos existentes, Moçambique enfrentou o problema já em fase de ruptura.O caso Hillside/Mozal reforça uma conclusão central: a energia competitiva é um elemento estruturante da política industrial.Num contexto de transição energética global e de crescente pressão sobre os custos de produção, os países que conseguirem assegurar soluções energéticas estáveis e competitivas estarão melhor posicionados para atrair investimento e sustentar processos de industrialização.Para Moçambique, esta realidade coloca desafios estratégicos relevantes, desde a diversificação da matriz energética até à criação de modelos contratuais que assegurem previsibilidade para grandes consumidores industriais.A aposta em energia renovável, neste contexto, assume uma dupla dimensão: ambiental e económica.Mais do que uma resposta às exigências climáticas, trata-se de uma oportunidade para redefinir a base de competitividade industrial, reduzindo custos e aumentando a resiliência face a choques externos.A iniciativa da Eskom e da South32 constitui, assim, um sinal claro sobre a direcção que o sector energético e industrial deverá seguir na região.Num momento em que os modelos tradicionais mostram sinais de esgotamento, a capacidade de estruturar soluções energéticas inovadoras e sustentáveis será determinante para definir os vencedores e perdedores da próxima fase de industrialização em África.

Fonte: O Económico

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