InícioNacionalSociedadeCHINA ENDURECE POSIÇÃO E CRITICA “MADE IN EUROPE”

CHINA ENDURECE POSIÇÃO E CRITICA “MADE IN EUROPE”

Por: Lurdes Almeida

A recente crítica do Ministério do Comércio da China à iniciativa europeia “Made in Europe” volta expor a transição de um comércio global aberto para uma lógica de blocos económicos estratégicos. O plano da União Europeia busca reforçar a protecção da sua indústria, porém Pequim acusou o bloco europeu de adoptar medidas discriminatórias e ameaçou responder com represálias.

Segundo a Comissão Europeia, esta Lei de Aceleração Industrial da UE visa aumentar a procura de tecnologias e produtos europeus com baixo teor de carbono através de uma série de medidas, que foram propostas depois de mais de 200.000 postos de trabalho europeus terem sido eliminados nas indústrias com utilização intensiva de energia e no sector automóvel desde 2024, prevendo-se 600.000 perdas nesta década só no sector automóvel.

Não obstante a isso, importa considerar que, durante anos, a União Europeia foi uma das principais defensoras da liberalização do comércio global. Hoje, porém, recorre exactamente aos instrumentos que antes criticava, num esforço para travar a competitividade agressiva da China em sectores-chave como como automóvel, tecnologia verde e siderurgia. A resposta

chinesa não surpreende, por interpretar estas iniciativas como uma tentativa de exclusão económica mascarada de política industrial. E, de facto, há um ponto incómodo no discurso europeu de “autonomia estratégica” tem sido acompanhado por medidas que, na prática, restringem o acesso de empresas estrangeiras ao mercado e distorcem a concorrência.

Em termos económicos, o plano europeu insere-se numa tendência mais ampla de reindustrialização e proteção estratégica de setores-chave. A intenção é reduzir a dependência externa, sobretudo de economias altamente competitivas como a chinesa, e preservar empregos num contexto de forte concorrência global. A retórica de Pequim aponta para um ponto central: a perceção de que a União Europeia estaria a fechar-se progressivamente ao investimento estrangeiro, ao mesmo tempo que critica práticas semelhantes noutros mercados.

Em contrapartida, este tipo de confrontação aumenta o risco de fragmentação das cadeias de abastecimento, e pode desencadear uma escalada de medidas retaliatórias, prejudicando exportações, investimento e estabilidade dos mercados. A disputa revela, ainda o avanço do chamado “novo protecionismo industrial”, em que grandes blocos económicos procuram fortalecer a sua base produtiva interna em nome da segurança económica. No entanto, esta estratégia, embora compreensível do ponto de vista político, pode reduzir ganhos de eficiência global e aumentar custos para consumidores e empresas.

Tudo isto sugere que não basta defender interesses industriais de cada lado, sem manter canais de diálogo que evitem que a competição económica se transforme numa guerra comercial aberta. O equilíbrio entre protecção e cooperação será determinante para a estabilidade do sistema económico global nos próximos a nos.

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