O Governo de Moçambique lançou um ambicioso programa de investimento em infra-estruturas rodoviárias, com o objectivo de transformar a conectividade nacional e reduzir os custos logísticos que continuam a penalizar a competitividade da economia.Designado “Mais Estradas – 2031”, o programa prevê intervenções em cerca de 3.183 quilómetros de estradas em todas as províncias do país, num investimento estimado em aproximadamente 2,6 mil milhões de dólares.A iniciativa surge como resposta a um diagnóstico estrutural crítico: de uma rede total de 30.831 quilómetros, cerca de 72,5% das estradas moçambicanas permanecem não revestidas, comprometendo a mobilidade, o escoamento da produção agrícola e a integração territorial.O Executivo projecta que, ao fim do período de implementação, a percentagem de estradas revestidas aumente de 22,5% para cerca de 37,8%, o que representará uma melhoria significativa na qualidade da rede viária nacional.Segundo o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, trata-se de “um salto histórico (…) na qualidade da rede rodoviária nacional e do crescimento dos corredores logísticos”.Este reforço da infra-estrutura é visto como um factor crítico para dinamizar os corredores de desenvolvimento e melhorar a ligação entre zonas produtivas e mercados.Para além da melhoria física da rede, o programa tem uma forte componente económica, com enfoque na redução dos custos logísticos e no aumento da competitividade nacional.O Governo espera que a melhoria da transitabilidade contribua para baixar os custos de transporte de mercadorias, facilitando o comércio interno e regional, ao mesmo tempo que cria condições mais atractivas para o investimento privado.A iniciativa está igualmente alinhada com instrumentos estratégicos como o Plano Quinquenal do Governo, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) e o Plano de Recuperação Económica (PRECE), reforçando a sua centralidade na agenda económica.Um dos elementos distintivos do programa é a integração de critérios de resiliência climática na construção e reabilitação das estradas.As intervenções estão desenhadas para aumentar a resistência da rede rodoviária a fenómenos como cheias, erosão e ciclones — factores que têm causado danos recorrentes à infra-estrutura nacional e gerado custos adicionais de manutenção.Este enfoque reflecte uma tentativa de alinhar o investimento em infra-estruturas com os desafios crescentes associados às alterações climáticas.Apesar da dimensão e ambição do programa, os desafios de execução são evidentes.O próprio ministro João Matlombe reconheceu a necessidade de maior proactividade por parte da Administração Nacional de Estradas (ANE), apelando à redução de práticas de corrupção e ao reforço da qualidade das obras.Foi igualmente destacada a necessidade de inovação na abordagem técnica, com o Governo a incentivar soluções de baixo custo e maior eficiência, sobretudo para estradas não pavimentadas, que representam a maior parcela da rede.O programa “Mais Estradas – 2031” posiciona-se como uma das iniciativas estruturantes para o desenvolvimento económico de Moçambique nos próximos anos.Ao atacar um dos principais constrangimentos estruturais da economia — os elevados custos logísticos — o investimento em infra-estruturas rodoviárias assume um papel central na promoção da integração territorial, no estímulo à produção e na dinamização dos mercados.A relevância do programa mede-se, assim, pela sua capacidade de transformar a infra-estrutura em vantagem competitiva — criando as bases para um crescimento económico mais inclusivo, eficiente e sustentável.
Fonte: O Económico




