A 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026) reafirmou o posicionamento do país como um dos principais destinos emergentes para investimento nos sectores extractivo e energético em África, ao mesmo tempo que consolidou a industrialização baseada em recursos naturais como eixo central da estratégia económica nacional.Sob o lema “Moçambique Aberto para Negócios – Desbloquear Recursos Naturais para Industrialização, Diversificação e Crescimento Inclusivo”, o evento reuniu em Maputo decisores públicos, investidores internacionais, operadores do sector, instituições financeiras e prestadores de serviços, num momento crítico para a redefinição do modelo económico do país.A mensagem dominante ao longo da conferência foi clara: Moçambique pretende abandonar definitivamente o modelo centrado na exportação de matérias-primas, apostando na transformação local como via para geração de valor interno, emprego e diversificação económica.Na abertura do evento, o Presidente da República reforçou esta visão, defendendo a necessidade de converter o potencial mineral e energético em riqueza tangível para o país, assente em cadeias de valor mais robustas e maior incorporação local.Este posicionamento foi amplamente partilhado pelos diferentes intervenientes, que destacaram o momento actual como uma janela de oportunidade para captar investimento e acelerar projectos estruturantes.O gás natural voltou a assumir um papel central no debate, sendo identificado como um dos principais motores da industrialização e do posicionamento internacional de Moçambique.A Sasol destacou a continuidade do seu compromisso com o país, anunciando um investimento de cerca de 150 milhões de dólares para a instalação de compressores de baixa pressão nos campos de Pande, com o objectivo de prolongar a produção e assegurar compromissos comerciais .“Moçambique é abençoado com gás natural (…) o principal foco deve ser desenvolver esses recursos para melhorar a vida das nossas pessoas”, afirmou Francisco Augusto, Vice-Presidente de Operações da empresa.A necessidade de parcerias estratégicas também foi sublinhada, num contexto em que o desenvolvimento do sector exige capital intensivo, tecnologia e coordenação com o plano estratégico do Governo.O papel da banca e das instituições financeiras foi igualmente destacado como determinante para viabilizar a nova vaga de investimentos.O Millennium BIM posicionou-se como parceiro estratégico para o financiamento de projectos de mineração, energia e gás, sinalizando disponibilidade para apoiar tanto grandes operadores como empresas inseridas nas cadeias de valor .Este posicionamento reflecte a crescente necessidade de mobilização de capital para sustentar a industrialização, num contexto em que os projectos energéticos e extractivos exigem investimentos de larga escala e prazos longos de maturação.Um dos pontos mais enfatizados pelo sector privado foi a necessidade de aumentar o processamento local de recursos naturais, como forma de maximizar o valor económico gerado.Pedro Lemos, da Ecolog, alertou para os limites do modelo actual, sublinhando que a exportação de matérias-primas sem transformação reduz significativamente os ganhos para a economia nacional.“Criar valor na cadeia traz tecnologia para Moçambique e permite exportar produtos muito mais valiosos”, afirmou .Esta posição converge com a estratégia governamental, mas levanta desafios práticos relacionados com capacidade industrial, infra-estruturas e ambiente de negócios.A conferência destacou ainda a importância da integração regional, particularmente no contexto da SADC, como elemento-chave para potenciar o desenvolvimento dos sectores energético e mineiro.O posicionamento geográfico de Moçambique, aliado à existência de portos estratégicos e corredores logísticos, foi identificado como uma vantagem competitiva relevante, com potencial para transformar o país num hub regional de energia, mineração e logística.Contudo, a concretização desta ambição dependerá da capacidade de desenvolver infra-estruturas integradas, reduzir custos logísticos e assegurar um ambiente regulatório estável e previsível.A MMEC 2026 reforçou a percepção de que Moçambique continua no radar global de investimento nos sectores de mineração e energia. Mais do que um espaço de debate, o evento evidenciou uma convergência entre Governo e sector privado em torno da necessidade de transformar recursos naturais em motores de desenvolvimento económico.No entanto, a transição de uma economia extractiva para uma economia industrializada baseada em recursos permanece condicionada por desafios estruturais, incluindo financiamento, capacidade produtiva e governação.A capacidade de converter compromissos em investimentos concretos será, em última instância, o verdadeiro teste da estratégia agora reafirmada.
Fonte: O Económico




