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Petróleo Dispara Após Trump Rejeitar Resposta do Irão e Persistirem Restrições no Estreito de Ormuz

Resumo

Os preços do petróleo subiram com o Brent a atingir os 105,45 dólares por barril e o WTI a aproximar-se dos 100 dólares, devido à rejeição do Irão à proposta dos EUA para reduzir tensões no Médio Oriente. A incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital de energia, tem impactado o mercado. Navios desligam sistemas de rastreamento para evitar ataques iranianos, enquanto Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita procuram rotas alternativas. A Saudi Aramco alerta que a crise energética pode durar anos, com mil milhões de barris perdidos e pressão nos preços. Projeções apontam que o Brent pode manter-se acima dos 90 dólares até 2026 e estabilizar entre 80 e 85 dólares em 2027, devido aos riscos geopolíticos.

Segundo a Reuters, o Brent subiu 4,11%, atingindo os 105,45 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 4,59%, aproximando-se dos 100 dólares por barril.A reacção do mercado ocorreu após o Presidente norte-americano, Donald Trump, considerar “inaceitável” a mais recente resposta do Irão à proposta apresentada por Washington para um entendimento visando reduzir as tensões militares e restaurar condições mínimas de estabilidade no Médio Oriente.A Bloomberg observa que o endurecimento da posição norte-americana dissipou parte do optimismo que vinha sendo alimentado nas últimas semanas sobre uma eventual redução das hostilidades e reabertura progressiva do Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.O mercado petrolífero internacional permanece particularmente sensível à situação no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transita uma parcela significativa do petróleo e gás natural consumidos globalmente.Desde o início do conflito, no final de Fevereiro, os constrangimentos à navegação provocaram uma redução substancial dos fluxos energéticos, contribuindo para pressões inflacionárias globais e receios crescentes sobre a segurança energética internacional.A Reuters refere que, apesar de alguns navios continuarem a conseguir atravessar a região, vários petroleiros passaram a desligar os seus sistemas de rastreamento para evitar potenciais ataques iranianos, evidenciando o elevado nível de risco operacional actualmente associado à rota.Dados da Kpler, citados pela agência, mostram que dois petroleiros adicionais conseguiram abandonar recentemente o Estreito de Ormuz com os sistemas de localização desligados, numa prática cada vez mais recorrente para sustentar as exportações do Médio Oriente.A Bloomberg acrescenta que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita têm procurado redireccionar parte dos fluxos petrolíferos através de infra-estruturas alternativas, incluindo o porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho.O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, advertiu que o mercado global poderá levar anos até recuperar totalmente dos impactos da actual crise energética.Segundo as declarações citadas pela Reuters, o mundo perdeu cerca de mil milhões de barris de petróleo nos últimos dois meses, situação que continuará a exercer pressão significativa sobre os níveis de inventário e sobre os preços internacionais da energia.Já à Bloomberg, Amin Nasser afirmou que o mercado só poderá regressar à normalidade em 2027 caso as restrições no Estreito de Ormuz persistam durante mais algumas semanas.O alerta da Aramco surge numa altura em que várias instituições financeiras internacionais começam a rever em alta as suas projecções para o petróleo, antecipando a manutenção de um prémio geopolítico persistente nos preços.Analistas do ING, citados pela Reuters, admitem que o Brent poderá manter-se acima dos 90 dólares por barril ao longo de 2026 e estabilizar entre 80 e 85 dólares em 2027, reflectindo riscos permanentes associados à região do Golfo.Para vários analistas, o comportamento recente do mercado confirma que os fundamentos geopolíticos voltaram a dominar a formação dos preços internacionais do petróleo.Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova, afirmou à Reuters que o mercado “continua a negociar em função das manchetes geopolíticas”, reagindo de forma intensa a cada comentário ou evolução proveniente de Washington e Teerão.A atenção dos investidores centra-se agora na deslocação de Donald Trump à China esta semana, onde deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, num encontro em que a questão iraniana deverá ocupar lugar central nas discussões bilaterais.Segundo fontes norte-americanas citadas pela Bloomberg, Washington pretende pressionar Pequim a utilizar a sua influência económica e diplomática sobre Teerão para promover um cessar-fogo mais abrangente e reduzir os riscos de nova escalada militar na região.Ao mesmo tempo, persistem sinais de fragilidade do cessar-fogo parcial alcançado em Abril. A Bloomberg reporta que um ataque com drones ocorrido no domingo atingiu uma embarcação de carga ao largo do Qatar, enquanto Emirados Árabes Unidos e Kuwait anunciaram a intercepção de drones hostis.O Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou à CBS que “a guerra com o Irão ainda não terminou”, sinalizando que o risco de nova deterioração militar permanece elevado.

Fonte: O Económico

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