Resumo
Cerca de 20 mil pessoas, metade crianças, fugiram de ataques terroristas no distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado, Moçambique, num mês. A Organização Internacional para as Migrações revelou que os deslocamentos foram desencadeados por grupos armados não estatais, levando as pessoas para aldeias e locais de acolhimento em Ancuabe, Montepuez e Chiúre. O relatório destaca preocupações com separação familiar, violência de género e sofrimento psicossocial. A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques extremistas nos últimos oito anos, com o primeiro ataque registado em outubro de 2017.
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Moçambique. Deslocados em Ancuabe chegam a 20 mil no último mês
Ancuabe, Montepuez e Chiúre receberam mais de 9 mil crianças deslocadas, após ataques terroristas, revela relatório da OIM. Separação familiar, violência de género e sofrimento psicossocial preocupam.
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▲A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia
LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
▲A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia
LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Quase 20 mil pessoas, metade crianças, fugiram no último mês de ataques terroristas no distrito de Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, de acordo com um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado esta segunda-feira.
Segundo o relatório daquela agência das Nações Unidas, de 1 de maio a 3 de junho ataques de grupos armados não estatais no distrito de Ancuabe desencadearam o deslocamento de 19.325 pessoas para várias aldeias e locais de acolhimento dentro de Ancuabe e para os distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre.
Até 12 de maio, no balanço anterior, esse total ascendia a 13.409 pessoas deslocadas só do distrito de Ancuabe.
No último mês, segundo a OIM, os maiores deslocamentos concentraram-se em locais em áreas como Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede, abrigando no total 10.187 pessoas, a maioria deslocada de Nacoja, Namacuile, Minheuene, Nanjua e Meza, entre outras localidades do mesmo distrito.
Entre os deslocados até ao momento contam-se, de acordo com o mesmo levantamento, 5.658 mulheres, incluindo 172 grávidas, e 9.519 crianças, nomeadamente 12 não acompanhadas, além de 98 pessoas com deficiência e 444 acima de 60 anos, com a OIM a manifestar “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 7 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.
Na reivindicação, através dos canais de propaganda, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja: “Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos”.
Um grupo atacou em 5 de maio a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à Lusa fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.
O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort — construída em 1946 e símbolo da presença católica na região —, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.
A organização ACLED registou oito eventos violentos nas duas últimas semanasde maio na província de Cabo Delgado, seis envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.624 os óbitos desde 2017, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 18 a 31 de maio, dos 2.397 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.214 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Fonte: Observador






