InícioNacionalSociedadeEstímulo de 177 milhões desbloqueia potencial das PMEs do agronegócio em Tete

Estímulo de 177 milhões desbloqueia potencial das PMEs do agronegócio em Tete

Resumo

O Governo está a investir 177 milhões de meticais na província de Tete para impulsionar as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), com foco no agronegócio, com o objetivo de tornar pequenos produtores em fornecedores competitivos, criar empregos e fortalecer as ligações económicas. O Projecto Conecta Negócios, financiado pelo Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração (FCID) e operacionalizado pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, destina-se a 26 empresas em Tete, Cabo Delgado e Nampula, sendo oito beneficiárias em Tete. A iniciativa visa fortalecer as MPMEs através de formações, melhoria da qualidade e financiamento, tendo já gerado 962 novos empregos e mantido mais de cinco mil postos de trabalho. O projeto prevê ainda abrir duas novas linhas de financiamento, avaliadas em cerca de 10 milhões de dólares, para beneficiar aproximadamente 230 empresas, impulsionando o desenvolvimento económico e social na região.

Tete, 17 de Junho (AIM) – O Governo está a investir 177 milhões de meticais na província de Tete para impulsionar as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) de vários ramos, com destaque para o agronegócio, numa aposta que visa transformar pequenos produtores em fornecedores competitivos, criar empregos e reforçar as ligações económicas com os grandes investimentos instalados.

O financiamento do Projecto Conecta Negócios, canalizado através do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração (FCID), implementado pelo Ministério das Finanças com apoio do Banco Mundial e operacionalizado pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze na região centro, integra um pacote global de 562 milhões de meticais destinado a 26 empresas das províncias de Tete, Cabo Delgado e Nampula.

Das empresas beneficiárias, oito são da província de Tete, absorvendo cerca de um terço do montante total.
Segundo Joel Sauane, especialista em desenvolvimento do sector privado ligado e ao projecto, o objectivo central é fortalecer o desempenho das MPMEs através da criação de ligações económicas sustentáveis.

“A primeira componente é o desenvolvimento de ligações económicas através de formações, melhoria da qualidade e financiamento”, explicou.

Os números revelam a dimensão da iniciativa. Além das 26 empresas já financiadas, cerca 7.000 empresas foram capacitadas nas três províncias prioritárias através da abordagem especifica. Deste universo, 200 microempresas foram seleccionadas para beneficiar de subvenções competitivas.

De acordo com a fonte, em matéria de emprego, os resultados preliminares já são visíveis. “O projecto prevê manter e gerar cinco mil empregos. Neste momento, os relatórios mostram que já foi possível gerar 962 empregos novos e manter acima de cinco mil postos de trabalho”, avançou Sauane.

O responsável anunciou ainda a abertura de duas novas janelas de financiamento, avaliadas em cerca de 10 milhões de dólares, destinadas a beneficiar aproximadamente 230 empresas. Uma das linhas visa apoiar 74 PMEs capacitadas para fornecer bens e serviços aos megaprojectos, enquanto a outra prevê financiar 100 microempresas, com subvenções individuais de 15 mil dólares.

“Das 230 empresas 74 PMEs irão consumir seis milhões para Cabo Delgado, Tete e Nampula, 1,5 milhões para 100 micro-empresas de Cabo Delgado, tete e Nampula e dois milhões para 60 empresas de Niassa e Cabo Delgado”, vincou.

Nos campos férteis dos distritos de Tsangano e Angónia, os efeitos do financiamento já se fazem sentir. O produtor Inácio Carneiro integra uma parceria com a Mitete Comecial, apoiada pelo Conecta Negócios e trabalha actualmente com 12 pequenos agricultores ligados à mesma cadeia produtiva.

A actividade concentra-se na produção de batata e hortícolas, destinadas principalmente ao mercado da cidade de Tete. Com a subvenção recebida, o grupo passou a contar com um camião frigorífico e outro de carga, além de sementes certificadas, armazéns e outros insumos.

“O apoio dinamizou muito a nossa actividade, principalmente na questão do transporte e das sementes certificadas”, afirmou.

Face ao investimento, a produtividade da batata aumentou de 20 para 35 toneladas por hectare, enquanto a área cultivada passou de 10 para 50 hectares, graças à integração dos pequenos produtores.
Outra aposta do projecto está na capacitação em agroprocessamento, considerada essencial para reduzir as elevadas perdas pós-colheita que afectam a província.

O formador Daryoxon Varenção, responsável pelo curso ministrado pelo Conecta Negócios em parceria com a Gopa AFC, explica que muitos produtos acabam por se perder por falta de alternativas de conservação e transformação.
“Esta formação serve para mostrar aos pequenos empresários que é possível transformar os produtos e agregar valor”, disse a fonte em entrevista a AIM.

Segundo o especialista, o tomate pode ser convertido em massa de tomate, a mandioca em farinha, amido ou chips, criando novas oportunidades de negócio. Além de gerar emprego, o agroprocessamento contribui para melhorar a disponibilidade alimentar ao longo do ano.

“Há momentos de escassez de alimentos e, com o agroprocessamento, é possível conservá-los e disponibilizá-los por mais tempo”, explicou.

Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais que ameaçam limitar os ganhos alcançados. Grande parte da produção agrícola dos planaltos de Tsangano e Angónia continua a ser escoada para o Malawi e Zâmbia.
Muitos destes produtos acabam reexportados com o rótulo “Made in Malawi”, privando Moçambique de receitas e valor acrescentado.

“O milho e a batata daqui são comercializados no Malawi e na Zâmbia a preços estipulados pelos estrangeiros e muitas vezes sem ganhos tangíveis para os produtores. O problema é que é mais fácil colocar os produtos nesses países do que na cidade de Tete, devido à precariedade das estradas nacionais”, afirmou um produtor ouvido pela AIM em Tsangano.

O Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, alertou recentemente para a dimensão das perdas provocadas pela saída ilegal de produtos e pela evasão fiscal.

Segundo o governante, Moçambique perde anualmente entre 10 e 15 mil milhões de dólares, valor superior a metade do Produto Interno Bruto nacional. Entre os produtos mais afectados estão o milho, soja, gergelim, feijão bóer, ouro e pedras preciosas.
(AIM)
Paulino Checo/

 

Fonte: aimnews

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