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UNAIDS APELA AOS EUA PARA REVEREM CORTE DE APOIO AO VIH NA ÁFRICA DO SUL

Resumo

A directora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, apelou aos EUA para reverem a redução do financiamento aos programas de combate ao VIH/SIDA na África do Sul, alertando para o risco de vidas e décadas de progresso em perigo. O financiamento norte-americano, que representava 17% dos recursos do país, apoiava salários de 15 mil profissionais de saúde e serviços essenciais para cerca de 8 milhões de infectados. A retirada do apoio externo pode afetar serviços vitais, especialmente para populações vulneráveis. A UNAIDS adverte que a redução da ajuda internacional já está a causar cortes nos serviços de prevenção e testagem em vários países, colocando em risco a meta de eliminar a SIDA até 2030. A transição para financiamento interno deve ser cuidadosamente planeada para evitar interrupções nos serviços essenciais.

Por: Alfredo Júnior

A directora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS), Winnie Byanyima, apelou aos Estados Unidos da América para reconsiderarem a decisão de reduzir gradualmente o financiamento destinado aos programas de combate ao VIH/SIDA na África do Sul, alertando que a medida poderá colocar vidas em risco e comprometer décadas de progressos alcançados no combate à epidemia.

O apelo foi lançado durante uma conferência de imprensa das Nações Unidas realizada antes da reunião de alto nível sobre o VIH/SIDA, em Nova Iorque. Byanyima manifestou preocupação com a decisão de Washington de iniciar a retirada progressiva do apoio concedido através do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da SIDA (PEPFAR), um dos maiores programas globais de saúde pública dedicados ao combate ao VIH.

Segundo dados avançados pela Reuters, o financiamento norte-americano à resposta ao VIH na África do Sul ultrapassava os 400 milhões de dólares por ano e representava cerca de 17% dos recursos destinados ao combate à doença no país. O programa apoiava igualmente o pagamento de salários de aproximadamente 15 mil profissionais de saúde envolvidos em actividades de prevenção, testagem e tratamento.

A África do Sul continua a ser o país com o maior número de pessoas a viver com VIH no mundo, estimando-se que cerca de oito milhões de cidadãos estejam infectados com o vírus. Embora o governo sul-africano financie a maior parte da resposta nacional à epidemia, especialistas alertam que a retirada do apoio externo poderá afectar serviços essenciais, sobretudo aqueles prestados por organizações comunitárias que trabalham junto de populações vulneráveis.

Numa declaração enviada à Reuters, o Departamento de Estado norte-americano justificou a decisão afirmando que o PEPFAR nunca foi concebido como um mecanismo permanente de financiamento e que a África do Sul, enquanto país de rendimento médio, possui capacidade para sustentar os seus próprios programas de saúde. Washington argumenta ainda que Pretória não demonstrou progressos em determinadas exigências políticas apresentadas pela administração norte-americana.

O alerta da UNAIDS surge num contexto mais amplo de redução da ajuda internacional ao desenvolvimento. Um relatório divulgado pelas Nações Unidas este mês descreve o actual momento como a "mais séria interrupção" da resposta global ao VIH desde o início da luta contra a doença. O documento indica que os cortes no financiamento externo já estão a provocar reduções significativas nos serviços de prevenção, testagem e apoio comunitário em vários países.

Dados preliminares apresentados pela UNAIDS mostram que, em 2025, o número de pessoas com acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), um dos principais instrumentos de prevenção da infecção, caiu 38% em 62 países. Em alguns contextos, a distribuição de preservativos registou reduções superiores a 90%, enquanto os testes de despistagem diminuíram em cerca de 22% nos países mais afectados pela epidemia.

Para Winnie Byanyima, o mundo dispõe actualmente de conhecimento científico e ferramentas suficientes para eliminar a SIDA como ameaça à saúde pública até 2030. Contudo, a responsável adverte que a redução do financiamento internacional poderá inverter os avanços alcançados nas últimas décadas, particularmente em África Subsaariana, região que continua a concentrar a maior parte das novas infecções por VIH.

A discussão em torno do financiamento norte-americano evidencia um desafio crescente para muitos países africanos: garantir a sustentabilidade dos seus programas de saúde num contexto de redução da ajuda externa. Para a UNAIDS, qualquer transição para modelos de financiamento interno deve ser gradual e cuidadosamente planeada, de modo a evitar interrupções nos serviços dos quais dependem milhões de pessoas.

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