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BCE acredita que inflação permanecerá em torno dos 3% durante o resto do ano

Resumo

O economista-chefe do BCE, Philip Lane, prevê que a inflação na zona euro se mantenha acima dos 3% devido ao aumento dos combustíveis, ultrapassando o objetivo de 2%. O BCE aumentou as taxas de juro para 2,25% para lidar com a inflação. Lane destaca que o aumento de preços é liderado pela energia, especialmente pelos combustíveis de transporte. Apesar de não haver ainda aumento salarial, prevê-se um crescimento de 3,2% nos próximos anos. A incerteza causada pelo conflito no Médio Oriente leva o BCE a adotar uma abordagem flexível nas decisões sobre as taxas de juro. Apesar do impacto negativo no crescimento, a zona euro tem mostrado resiliência, com a inflação a subir moderadamente. O mercado de trabalho na zona euro mantém-se forte, impulsionado por investimentos públicos pós-pandemia.

A inflação deverá manter-se ligeiramente acima dos 3% durante o resto do ano, afirmou esta terça-feira o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, devido, em particular, à subida dos combustíveis.

“Pensamos que a inflação se situará um pouco acima dos 3% durante o resto do ano, o que é consideravelmente superior ao nosso objetivo de 2%”, declarou o economista irlandês perante a Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, numa sessão dedicada ao impacto económico da guerra no Médio Oriente.

Na opinião de Lane, a decisão de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, na última reunião do BCE, foi “sólida”, uma vez que um cenário de inflação “acima dos 3% durante o resto deste ano e o início do próximo representa um período prolongado que exige uma resposta de política monetária”.

O economista-chefe do BCE explicou que o aumento dos preços se deve “principalmente” à energia, que registou em maio uma subida de 10,8%, contrastando com os 2,4% observados nos restantes componentes do cabaz de consumo.

O preço dos alimentos, sublinhou Lane, desacelerou para 1,9%, embora o banco central estime que “volte a aumentar mais tarde”. Ao mesmo tempo, foi observado “algum recrudescimento” da inflação subjacente.

O economista irlandês destacou que, dentro dos produtos energéticos, o aumento dos preços é dominado pelos combustíveis utilizados nos transportes, o que torna este choque “muito diferente” do verificado em 2021 e 2022, quando os preços da eletricidade e do gás tiveram um peso mais significativo.

Ainda assim, Lane assinalou que as margens empresariais estão a “absorver” parte do aumento dos custos. Além disso, embora “ainda não se tenha observado uma resposta nos salários”, o BCE estima que a remuneração média por trabalhador crescerá 3,2% este ano, bem como em 2027 e 2028, acima da inflação esperada.

“Ao contrário da última vez, esperamos que o trabalhador médio melhore as suas condições de vida todos os anos”, afirmou o economista-chefe do BCE.

Seja como for, Lane salientou que a situação resultante do conflito no Médio Oriente é “incerta” e, por isso, o BCE não se compromete com uma trajetória predefinida para as decisões sobre as taxas de juro, mantendo uma abordagem dependente dos dados e tomada “reunião a reunião”.

“A crise aumentou a incerteza que persistirá até que exista um acordo duradouro”, afirmou, acrescentando, contudo, que a economia da zona euro tem demonstrado ser “bastante resiliente”, apesar do impacto negativo no crescimento, e que a inflação registou até agora apenas uma subida “moderada”, que está “longe da dimensão” observada em 2022.

A estes fatores junta-se o facto de o mercado de trabalho da zona euro continuar a apresentar um desempenho “sólido”, bem como o efeito dos investimentos do setor público, quer através dos recursos do fundo de recuperação pós-pandemia, quer dos orçamentos nacionais dos Estados-Membros.

 

Fonte: TVI

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