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CABO DELGADO APOSTA NA PRODUÇÃO DE BIODIESEL COM PLANTAÇÃO DE COQUEIROS EM PALMA

Por: Gentil Abel

O distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, prepara-se para uma transformação agrícola e energética com a implementação de um projecto que prevê a plantação de cerca de 440 mil coqueiros até 2027. A iniciativa está integrada na Área 1 da Bacia do Rovuma e tem como objetivo a produção de biodiesel, num volume estimado de cinco mil toneladas por ano, além do envolvimento de mais de três mil pequenos agricultores locais.

De acordo com informações do projecto, a execução já está em curso e será feita por fases: estavam previstas 110 mil mudas em 2025, seguidas de 126 mil em 2026 e 205 mil em 2027, às quais se somam cerca de 200 mil coqueiros já existentes na região. O plano representa uma das maiores intervenções agrícolas recentes associadas ao sector energético em Cabo Delgado.

A produção inicial de biodiesel deverá ser destinada ao consumo interno das operações industriais ligadas ao gás natural na Bacia do Rovuma. A ideia central passa por reduzir a dependência de combustíveis importados, sobretudo o diesel, substituindo parte desse consumo por combustível produzido localmente.

Na prática, o projecto procura integrar a produção energética com a agricultura familiar, criando uma cadeia de valor que começa no campo e termina na indústria.

Um dos pilares da iniciativa é o envolvimento directo de mais de três mil produtores do distrito de Palma. Estes agricultores estão a receber mudas de coqueiro, sementes de culturas alimentares, assistência técnica e apoio fitossanitário, numa tentativa de garantir que a produção não se limite apenas ao coqueiro.

O modelo adoptado combina culturas alimentares com plantações de coqueiros na mesma área agrícola, num sistema agroflorestal. Esta abordagem procura equilibrar produção energética e segurança alimentar, permitindo que as comunidades mantenham outras fontes de rendimento e sustento.

As variedades de coqueiro escolhidas para o projecto foram desenvolvidas para resistir ao amarelecimento letal do coqueiro, uma doença que afectou extensas plantações na região ao longo dos anos. Segundo os promotores, a selecção das espécies resulta de investigação realizada em parceria com instituições governamentais moçambicanas e entidades académicas.

Durante a fase de implementação, a iniciativa deverá criar mais de 130 postos de trabalho directos, número que poderá manter-se ou aumentar quando a unidade agro-industrial entrar em funcionamento, previsto para 2029.

O plano inclui ainda a criação de uma cadeia de processamento no terreno, com destaque para um centro agrícola na comunidade de Olumbe e uma unidade industrial destinada à transformação do coco em diferentes produtos, incluindo biodiesel, carvão activado, briquetes e farelo de copra.

A diversificação dos produtos é apresentada como uma forma de aumentar as fontes de rendimento do projecto e reduzir a dependência exclusiva do combustível.

O projecto enquadra-se nos esforços de promoção do conteúdo local e na estratégia de diversificação económica de Cabo Delgado. A expectativa é contribuir para reduzir a dependência de combustíveis refinados importados, ao mesmo tempo que se cria uma nova indústria baseada em recursos agrícolas nacionais.

Numa primeira fase, o biodiesel produzido será consumido internamente pelas operações industriais do gás natural. No entanto, os promotores admitem a possibilidade de expansão futura para abastecer outros segmentos do mercado nacional.

Apesar do potencial económico e energético, iniciativas desta dimensão levantam sempre questões sobre a sua execução prática, sustentabilidade a longo prazo e impacto real nas comunidades locais.

Em regiões como Cabo Delgado, onde o tecido social e económico é marcado por desafios estruturais, o sucesso de projectos agrícolas e industriais depende não apenas do investimento inicial, mas também da continuidade técnica, estabilidade local e capacidade de integração das comunidades no processo produtivo.

Mais do que um projecto de energia, a iniciativa de Palma representa também um teste à capacidade de Moçambique em transformar recursos naturais e agrícolas em desenvolvimento sustentável e inclusivo.

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