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Flotilha humanitária diz que ativistas, incluindo uma portuguesa, vão ser libertados

Resumo

A flotilha Global Sumud confirmou a libertação dos 10 ativistas, incluindo uma portuguesa, detidos na Líbia há um mês, com quatro deles já na Tunísia. O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros anunciou a libertação de dois italianos, prevendo a chegada a Itália. As autoridades portuguesas encontraram a ativista portuguesa detida em boa saúde física, aguardando julgamento por manifestação. A flotilha espera a libertação dos restantes ativistas nas próximas 24 horas, incluindo portugueses, espanhóis, americanos, polacos e argentinos. A União Europeia pressiona pela libertação. A caravana, com ajuda humanitária e mais de 200 participantes, foi bloqueada na Líbia após partir da Mauritânia.

A flotilha Global Sumud afirmou que "recebeu confirmação" de que os 10 ativistas - incluindo uma portuguesa -, que participavam na Caravana Global Sumud Land em direção a Gaza, detidos na Líbia há um mês, "estão em processo de libertação".

"Após 30 dias de detenção ilegal na Líbia, recebemos a confirmação de que os dez voluntários sequestrados do nosso comboio humanitário estão em processo de libertação", indicou na terça-feira à noite a organização num comunicado divulgado nas redes sociais.

Destes, acrescentou, "quatro pessoas acabaram de chegar à Tunísia". São eles Achraf Khoja (Tunísia), Domenico Centrone e Leonarda Alberizia (Itália) e Matías Rodríguez (Uruguai).

A informação vai ao encontro do anteriormente declarado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, Antonio Tajani, que, horas antes, anunciou nas redes sociais a libertação de Centrone e Alberizia, prevendo a chegada destes a território italiano ainda hoje.

A flotilha Global Sumud acrescentou que "se espera que os restantes sejam libertados nas próximas 24 horas". Entre eles encontra-se ativistas de Portugal, Espanha, Estados Unidos, Polónia e Argentina.

As autoridades portuguesas conseguiram estar na terça-feira passada pela primeira vez com a ativista detida na Líbia desde final de maio, acusada de manifestação.

As autoridades consulares portuguesas "estiveram com a cidadã Ana Margarida e encontraram-na de boa saúde física", disse no dia 16 de junho o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, à imprensa.

"Obviamente que, do ponto de vista psicológico, é uma situação muito difícil porque ela continua detida a aguardar julgamento, algo que ainda pode demorar algumas semanas, por um suposto crime de manifestação”, notou ainda, na altura, Rangel, à margem de um encontro com o homólogo da Arábia Saudita, no Palácio das Necessidades.

O ministro adiantou que a situação da portuguesa tem preocupado o Governo “desde o início” e que o ministério tem acompanhado o assunto com contactos diários com a embaixada portuguesa em Tunes (Tunísia) – Portugal não tem embaixada na Líbia.

“A situação do ponto de vista da saúde física é boa. Obviamente que, do ponto de vista anímico, uma pessoa que está nesta situação tão complexa, obviamente que tem de estar um pouco em baixo. Isso é compreensível”, referiu Paulo Rangel.

“Toda a União Europeia está a fazer uma pressão grande para a libertação dos cidadãos”, disse.

A confirmação por parte da flotilha Global Sumud surgiu apenas algumas horas depois de as autoridades do leste da Líbia anunciarem o início das deportações dos ativistas, uma ação empreendida "em cumprimento da decisão proferida pelo Procurador-Geral do Tribunal de Recurso de Bengasi", conforme assinalado nas redes sociais pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da administração paralela líbia.

"Foram iniciados os procedimentos legais e administrativos necessários para implementar esta decisão, em conformidade com a legislação em vigor", sublinhou o ministério, defendendo que a implementação da decisão "está em conformidade com o respeito pela soberania do Estado líbio" e que vai garantir "a preservação da ordem pública e da segurança nacional".

A flotilha Global Sumud exortou "todos a manterem a pressão até que cada um deles regresse são e salvo a casa".

Além disso, apesar de "celebrar esta notícia", quis também recordar "os quase dez mil presos políticos palestinianos".

"[E] os nossos quatro organizadores tunisinos detidos e as dezenas de milhares de pessoas injustamente retidas em centros de detenção em todo o mundo (...). Ninguém será livre até que todos sejamos livres", concluiu a organização em comunicado.

A caravana incluía dez camiões com ajuda humanitária, sete ambulâncias e mais de 200 participantes, incluindo especialistas em medicina, engenharia, logística e Direito Internacional Humanitário. Partiu da Mauritânia cerca de um mês antes de ser bloqueada num posto de controlo próximo da cidade de Sirte.

 

Fonte: TVI

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