Resumo
Produtores de laranja no Algarve enfrentam aumento de roubo de fruta nos pomares, causando perdas significativas e prejuízos por quantificar. Os produtores têm encontrado sacos e carrinhas com laranjas já colhidas, com alguns ladrões a fugir antes da chegada das autoridades. Esta situação reduz a quantidade de fruta colhida, afetando a faturação e os apoios por intempéries. Apelos são feitos para implementar mecanismos de controlo da origem da fruta e garantir a sua legalidade na venda. Consumidores são alertados para evitar fruta roubada, que pode conter resíduos químicos prejudiciais à saúde. O roubo é mais sentido no barlavento algarvio, com produtores a reportar perdas significativas. Em Tavira, o programa "Tavira Segura" tem ajudado a prevenir roubos, sendo sugerida a sua expansão para Silves. Os produtores enfrentam desafios na proteção dos pomares e na punição dos ladrões, muitos dos quais ficam em liberdade após serem detidos.
Com as árvores cheias de fruta à espera da maturação completa e da apanha, os produtores chegam aos campos e deparam-se com sacos e carrinhas com laranja já colhida da árvore, por pessoas que entram nos pomares sem autorização para fazer os roubos, contou à agência Lusa Horácio Ferreira, da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve (CACIAL).
“Já chegámos a apanhar carrinhas. Já chegamos a mandar para a GNR a foto da matrícula das carrinhas”, afirmou, esclarecendo que “muitos conseguem fugir” antes de os produtores ou as autoridades chegarem, outros abandonam os sacos com a fruta já colhida e há também quem saiba as quantidades que pode apanhar sem serem penalizados pela justiça, se forem intercetados.
Os citricultores veem assim reduzida a quantidade de fruta que obtêm do pomar, com efeitos negativos na faturação, e as quantidades recolhidas no final da campanha vão também ser menores, afetando os cálculos para apoios por intempérie, exemplificou Horácio Ferreira.
Segundo o responsável, a situação leva a que o volume total final contabilizado nos apoios não reflita depois a produtividade real da área.
“A gente vê laranjas a vender à beira da estrada, vai aos mercados e mercadinhos […] e vê-se pessoas a vender laranjas que não são delas”, criticou, apelando para a criação de mecanismos que permitam fazer o controlo da origem dessa fruta e garantir a legalidade da venda.
Os consumidores também devem evitar o consumo desta fruta, que pode ser mais barata, mas também ter sido recolhida durante a aplicação de tratamentos com produtos químicos, impedindo a apanha por determinado período de tempo, por serem prejudiciais para a saúde se consumidas nesse intervalo, alertou.
“E podem ter problemas mais graves, do que seja só uma simples diarreia ou desarranjo intestinal”, advertiu.
Diana Tereso, da Algarorange - Associação de Operadores de Citrinos do Algarve, também disse à Lusa que o roubo de laranjas no campo “preocupa” os produtores de citrinos, mas matizou que o impacto é mais sentido no barlavento (oeste) do que no sotavento (este) algarvio.
“De facto, ultimamente muitos produtores e operadores da zona de Silves e do barlavento têm reportado estas situações […]. Por outro lado, os produtores e operadores de Tavira não estão com este problema”, reportou, justificando esta diferença com a aplicação, em Tavira, do programa Tavira Segura, uma parceria que alia município, proprietários dos terrenos ou GNR.
Esta parceria permite, através da georreferenciação dos pomares e da identificação os proprietários, uma atuação mais eficaz para responder a casos de roubo como os que estão a ser realizados, ou em caso de incêndio, justificou.
“E os produtores acreditam que isto serve, de alguma forma, para evitar este tipo de situações nesse concelho”, indicou Diana Tereso, defendendo uma replicação deste sistema no concelho de Silves para dar mais apoio aos produtores do barlavento e reduzir os roubos de fruta no campo.
Nuno Evangelista é um dos produtores afetados, na zona de Benaciate, em Silves, e disse à Lusa que já houve casos de pomares que perderam 20 toneladas de fruta num fim de semana.
“A polícia não consegue fazer esse acompanhamento”, lamentou, dando o exemplo de produtores que conseguem detetar um grupo e ladrões, chamam a GNR e quando regressam ao campo já não encontram os autores.
O citricultor algarvio sublinhou que, muitas vezes, os roubos são praticados por pessoas que são conhecedoras do terreno, recebem informação de apanhadores de fruta que já trabalharam nesses pomares, são muitas vezes reincidentes e, quando vão a tribunal, acabam por ficar em liberdade.
Fonte: TVI




