Resumo
O Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) apelou hoje à adoção de respostas humanitárias mais inclusivas, defendendo que as pessoas com deficiência devem ser prioritárias no planeamento e implementação de ações de emergência. O FAMOD destaca que é crucial garantir a inclusão destas pessoas para evitar agravar a sua vulnerabilidade em momentos de crise, como as recentes cheias em Moçambique. Durante um encontro em Maputo, foi sublinhado que a inclusão das pessoas com deficiência deve ser central nas respostas a situações de emergência, com destaque para a necessidade de recolha de dados específicos, participação ativa das organizações destas pessoas, financiamento de medidas de acessibilidade e integração da inclusão em todas as fases da resposta humanitária. O FAMOD salienta que a inclusão não deve ser vista como secundária, mas sim como um princípio fundamental em todas as intervenções humanitárias.
A organização alerta que milhares de cidadãos continuam a enfrentar barreiras de acesso à assistência durante calamidades, agravando a sua vulnerabilidade em momentos de crise.
O apelo foi lançado hoje, na cidade de Maputo, durante um encontro que reuniu representantes do Governo, agências das Nações Unidas, organizações da sociedade civil e parceiros humanitários para debater a inclusão das pessoas com deficiência nas respostas a situações de emergência.
Na ocasião, o presidente do FAMOD, Zeca José Chaúque, sublinhou que nenhuma pessoa deve ser excluída da assistência humanitária devido à sua condição física, sensorial ou intelectual.
“Nenhuma pessoa deve ser deixada para trás durante uma emergência, e a inclusão das pessoas com deficiência deve ser um elemento central na resposta a situações de emergência calamitosa”, afirmou.
O pronunciamento surge num contexto em que as cheias que afectaram várias regiões do país este ano provocaram a destruição de habitações, a perda de meios de subsistência e o deslocamento de milhares de famílias, aumentando os desafios enfrentados pelas populações mais vulneráveis.
Foi precisamente para compreender melhor esta realidade que o FAMOD promoveu uma iniciativa de consulta directa às pessoas com deficiência afectadas pelas inundações.
A iniciativa contou com o apoio de diversos parceiros, entre os quais o Programa Mundial de Alimentação (PMA), membros do Disability Work Group, representantes governamentais e organizações nacionais e internacionais ligadas à área humanitária.
Durante o encontro, a Directora Nacional da Save the Children em Moçambique, Ilaria Manunza, defendeu que a inclusão não pode depender de acções isoladas ou da boa vontade de determinadas instituições.
Segundo explicou, a deficiência deve ser integrada de forma sistemática em todas as fases da resposta humanitária, desde a preparação e avaliação das necessidades até à implementação, monitoria e recuperação das comunidades afectadas.
“A inclusão da deficiência não é um tema paralelo, mas uma condição essencial para uma resposta humanitária eficaz, digna e responsável”, afirmou.
Manunza apelou ainda ao reforço da responsabilidade colectiva entre todos os intervenientes do sector humanitário, incluindo o Governo, organizações de pessoas com deficiência, associações especializadas, Nações Unidas, organizações não-governamentais e doadores.
“Precisamos de uma responsabilidade colectiva envolvendo o Governo, organizações de pessoas com deficiência, associações especializadas, Nações Unidas, ONGs e doadores, com papéis definidos e mecanismos de prestação de contas”, defendeu.
Entre as principais prioridades apontadas destacam-se a recolha e utilização de dados desagregados para orientar decisões, o fortalecimento da participação efectiva das organizações de pessoas com deficiência, o financiamento de medidas de acessibilidade e a integração da inclusão no centro do planeamento e da distribuição de recursos.
O FAMOD esclareceu que o processo de auscultação realizado junto das vítimas das cheias não pretende apenas produzir um relatório técnico, mas constituir um verdadeiro instrumento de mudança.
A organização defende que a inclusão deixe de ser encarada como uma questão secundária e passe a ser um princípio estruturante de todas as intervenções humanitárias.
(AIM)
Laura Tembe/pc
Fonte: aimnews






