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Nampula: Três em cada cinco crianças sofrem de desnutrição

Resumo

Três em cada cinco crianças em Nampula sofrem de desnutrição crónica, acima da média nacional, levando o governador Eduardo Abdula a apelar à academia por soluções sustentáveis. Com uma taxa de desnutrição de 46,7%, Abdula destaca a necessidade de ação imediata e investimento em investigação para entender melhor as causas. A cooperação entre Governo e academia é vista como essencial para encontrar soluções eficazes e próximas das comunidades, com ênfase na educação alimentar e ambiental nas escolas. A iniciativa de expandir pomares escolares visa reduzir a dependência de programas externos de alimentação e promover a produção local de alimentos nutritivos, contribuindo para o desenvolvimento humano e económico da região.

Nampula, 24 Jun. (AIM) – Três em cada cinco crianças da província de Nampula,zona norte, sofrem de desnutrição crónica, uma realidade alarmante que coloca a região acima da média nacional e exige uma resposta urgente baseada na ciência, investigação e inovação.

Perante este cenário, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, apelou ao envolvimento profundo da academia na busca de soluções sustentáveis e adaptadas à realidade local.

O apelo foi lançada na abertura da II Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio, evento que reúne cerca de 300 participantes nacionais e estrangeiros e que decorre no âmbito da Feira Económica de Nampula.

Segundo dados apresentados pelo governador, a taxa de desnutrição crónica na província situa-se em 46,7 por cento, acima da média nacional de 38 por cento, afectando uma parcela significativa da população infantil numa das regiões consideradas celeiros agrícolas de Moçambique.

Abdula considerou paradoxal que Nampula, uma das maiores produtororas de alimentos do país, continue a enfrentar níveis tão elevados de desnutrição crónica, defendendo a passagem imediata dos discursos para acções concretas junto das comunidades.

“Precisamos de agir para transformar compromissos em resultados concretos, das palavras aos factos e efectivamente dos compromissos ao impacto. Não venceremos esta batalha apenas com boa vontade, mas com conhecimento, inovação e evidência científica. Precisamos de abraçar cada vez mais a academia. É momento de irmos buscar a ciência”, afirmou.

O governante defendeu o reforço do investimento nas universidades e centros de investigação, considerando que estas instituições possuem capacidade para produzir conhecimento capaz de orientar políticas públicas mais eficazes no combate à desnutrição.

“Precisamos de mais estudos científicos sobre as causas determinantes da desnutrição crónica em Nampula. Isto não vai acabar com seminários e workshops. Precisamos de compreender melhor os hábitos alimentares, as dinâmicas sociais e os factores culturais que influenciam este fenómeno”, declarou.

Para Abdula, a cooperação entre o Governo e a academia constitui um instrumento fundamental para gerar soluções sustentáveis e próximas das comunidades.

“Quando o Governo trabalha de mãos dadas com a academia, surgem soluções mais eficazes, mais sustentáveis e mais próximas das comunidades. Mas, se procurarmos a verdadeira raiz da transformação, encontramo-la na educação”, sublinhou.

A província de Nampula, a mais populosa de Moçambique, possui mais de sete milhões de habitantes, dos quais cerca de 20 por cento são crianças até aos 17 anos de idade, o que aumenta a preocupação em torno dos impactos da desnutrição no desenvolvimento humano e económico da região.

Durante a sua intervenção, o governador defendeu igualmente o fortalecimento da educação ambiental e alimentar nas escolas, através da expansão de pomares escolares em toda a província.

“Nós defendemos a expansão de pomares nas escolas. Lançámos esta iniciativa no ano passado. Vamos ensinar as crianças a produzir. Uma árvore plantada hoje representa vitaminas amanhã para as nossas crianças”, afirmou.

Segundo explicou, a iniciativa pretende reduzir a dependência de programas externos de alimentação escolar e incentivar a produção local de alimentos nutritivos, ao mesmo tempo que promove a preservação ambiental.

“Se plantarmos árvores de fruta e de sombra, vamos preservar o ambiente. Uma escola, um pomar, é possível”, salientou.

A II Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio decorre integrada nas actividades da Feira Económica de Nampula, cuja conclusão está prevista para o próximo domingo.
(AIM)
Redacção

 

Fonte: aimnews

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