InícioNacionalSociedadeONU ESTIMA 49 RAPTOS E 28 MORTES EM CABO DELGADO DURANTE MAIO

ONU ESTIMA 49 RAPTOS E 28 MORTES EM CABO DELGADO DURANTE MAIO

Resumo

Pelo menos 28 pessoas morreram e 49 foram raptadas em ataques de grupos armados em Cabo Delgado, Moçambique, em maio, segundo o OCHA. Mais de 20 mil pessoas foram deslocadas devido à violência, com famílias a procurar refúgio em zonas mais seguras. A maioria dos incidentes violentos envolveu civis, com relatos de raptos de crianças e aumento do recrutamento forçado. Apesar das operações militares em curso, os grupos armados continuam a atacar aldeias e embarcações. A insegurança afeta o acesso a serviços básicos e a assistência humanitária, enquanto a crise, que começou em 2017, já causou milhares de mortes e deslocamentos. A situação requer uma resposta abrangente militar, humanitária e de desenvolvimento para lidar com as causas da instabilidade na região.

Por: Alfredo Júnior

Pelo menos 28 pessoas morreram e outras 49 foram raptadas durante ataques atribuídos a grupos armados não estatais na província de Cabo Delgado, durante o mês de Maio, segundo uma avaliação do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Os dados constam de relatórios humanitários que apontam para uma nova escalada da violência no norte de Moçambique, num contexto em que milhares de pessoas continuam a abandonar as suas comunidades devido à insegurança.

De acordo com o OCHA, a intensificação dos ataques e o receio de novas incursões provocaram a deslocação de mais de 20 mil pessoas desde Maio, sobretudo nos distritos de Macomia, Meluco, Muidumbe, Chiúre e Ancuabe. As famílias afectadas procuram refúgio em zonas consideradas mais seguras, aumentando a pressão sobre comunidades de acolhimento e sobre os já limitados recursos humanitários disponíveis na província.

Os relatórios indicam que a violência contra civis continua a representar a maioria dos incidentes registados. Além dos homicídios e raptos, foram reportados saques, destruição de habitações e deslocações forçadas, agravando uma crise humanitária que se prolonga desde 2017. Segundo o levantamento sobre acesso humanitário nas províncias do norte, os civis foram alvo de cerca de 80% dos incidentes violentos registados em Maio.

A situação é particularmente preocupante para mulheres e crianças. Organizações internacionais têm alertado para o aumento dos relatos de raptos de menores por grupos armados, bem como para riscos acrescidos de recrutamento forçado e outras violações dos direitos humanos. Em declarações anteriores, a UNICEF manifestou preocupação com o crescimento dos casos de rapto de crianças em Cabo Delgado, classificando-os como uma grave violação dos direitos da criança.

Dados recolhidos por organizações que monitorizam o conflito mostram que, apesar da presença das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e dos contingentes militares estrangeiros que apoiam as operações de combate ao terrorismo, os grupos armados continuam a demonstrar capacidade para realizar ataques esporádicos contra aldeias, embarcações e vias de circulação. Em Maio foram igualmente registados ataques em Palma, Macomia e Chiúre, incluindo casos de homicídios, raptos e assaltos a embarcações de pesca.

A persistência da violência representa um desafio para os esforços de estabilização da província e para o regresso das populações deslocadas às suas zonas de origem. Embora as autoridades moçambicanas tenham reportado progressos nas operações militares nos últimos anos, as Nações Unidas alertam que a insegurança continua a afectar o acesso a serviços básicos, a actividade económica e a assistência humanitária em várias áreas de Cabo Delgado.

O conflito armado em Cabo Delgado começou em Outubro de 2017 e já provocou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados. Organizações humanitárias consideram que a crise continua a ser uma das mais graves da África Austral, exigindo uma resposta simultaneamente militar, humanitária e de desenvolvimento para enfrentar as causas profundas da instabilidade na região.

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