InícioRevistaTecnologiaRato de gaming para despachar doentes? Há um médico que usa!

Rato de gaming para despachar doentes? Há um médico que usa!

Resumo

Um médico de família especialista em teleconsultas trocou o teclado por um rato de gaming da Razer, o Naga V2 Pro, para aumentar a produtividade no atendimento aos pacientes. O Dr. James Ries utiliza os botões programáveis do rato para acionar atalhos e automatizar tarefas clínicas repetitivas, poupando tempo e evitando fadiga. Com uma aplicação chamada TextExpander, consegue gerar blocos de texto complexos e interativos com opções de ramificação, facilitando o preenchimento de relatórios e receitas. Este método permite que a equipa médica se concentre nos pacientes, enquanto o rato trata da burocracia, garantindo que nenhum detalhe importante seja esquecido. Apesar do custo de cerca de 180 euros, o Razer Naga V2 Pro oferece uma solução eficaz para profissionais que passam longas horas em frente ao computador, mostrando que o hardware de gaming pode ser útil em diversas áreas para aumentar a eficiência e poupar tempo.

Como é óbvio, o hardware desenhado para gaming costuma ficar confinado aos quartos e escritórios dos jogadores, servindo para passar horas a fio em raides de World Warcraft ou em partidas intensas de Call of Duty. Mas, de vez em quando, a utilidade destas máquinas salta fora do óbvio. De facto, um médico de família especialista em teleconsultas decidiu trocar o teclado tradicional por um rato topo de gama da Razer para gerir os seus pacientes, e o resultado é uma lição de produtividade.

O protagonista desta história é o Dr. James Ries, fundador da Twenty Mile Medical.

Que em vez de perder minutos preciosos a digitar manualmente as mesmas recomendações clínicas, receitas ou respostas repetitivas aos doentes, o médico transformou o Razer Naga V2 Pro numa autêntica mesa de comandos médica. Ou seja, utilizando a grelha de botões programáveis na lateral do rato, ele consegue acionar atalhos instantâneos para lidar com quase todas as situações clínicas básicas.

O problema que o médico quis resolver com esta engenhoca foi a perda de consistência e a fadiga ao longo das horas de trabalho. O Dr. James Ries defende, e com muita razão, que as instruções dadas a um paciente que recebe alta às oito da manhã tendem a ser muito mais detalhadas do que aquelas dadas por um médico já exausto às quatro da tarde.

Assim, ao automatizar o processo através de uma aplicação chamada TextExpander combinada com os botões do rato, o cenário muda. O médico clica num botão e surge aquilo a que chama de “monster snippets”. Ou seja, blocos de texto complexos e interativos com opções de ramificação onde basta selecionar caixas com o ponteiro para preencher relatórios, passar receitas ou enviar e-mails personalizados com recomendações.

Segundo o clínico, desenhar um sistema onde não precisas de andar a pesquisar ficheiros ou a teclar consecutivamente elimina uma carga cognitiva brutal. A equipa médica foca-se no doente e o rato trata da burocracia, garantindo que nenhum detalhe importante ou cuidado fica esquecido pelo caminho. É uma integração que faz lembrar a forma como outros profissionais já testam o Apple Vision Pro para auxiliar em cirurgias.

Para quem não conhece o Razer Naga V2 Pro, estamos a falar de um bicho de ergonomia muito específica, adorado pela comunidade de MMOs precisamente por ter até 19 botões programáveis, uma roda de scroll ultra-configurável e uma resposta sem fios impecável. O rato conta ainda com uma autonomia que pode chegar às 300 horas em modo Bluetooth e as habituais luzes RGB personalizáveis da marca.

Como deves imaginar, ter tanta tecnologia na mão tem um custo proibitivo. No site oficial da marca ou na Amazon, este modelo anda a rondar os 180 euros. O que o torna um investimento pesado para um periférico. Mas, é um rato fora do normal, que vai muito além dos jogos. Por isso, para quem trabalha horas a fio em frente a um ecrã a preencher formulários (sejam relatórios clínicos, folhas de Excel ou linhas de código). A poupança de tempo e o alívio nas articulações podem muito bem justificar cada cêntimo.

Isto prova que o hardware de alto desempenho não serve apenas para entretenimento. Quando a engenharia é boa, a utilidade estende-se a qualquer área.

 

Fonte: Zero Zero

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