InícioRevistaSaúdeEspecialista da OMS dá dicas de como prevenir e controlar infecções

Especialista da OMS dá dicas de como prevenir e controlar infecções

A especialista em controle de infecções e técnica da Organização Mundial da Saúde, Ana Paula Coutinho Rehse, falou à ONU News, de Copenhague, na Dinamarca, sobre medidas eficazes para prevenir e combater a propagação de doenças infecciosas.

Atuando nesta área, há mais de 20 anos, com o Escritório Regional da OMS na Europa, Rehse afirma que ações simples e eficazes podem ser adotadas no dia a dia para se proteger e proteger os demais.

O que fazer e o que não fazer

À ONU News, ela falou sobre os desafios atuais e as principais prioridades da OMS nessa área, onde a brasileira contribui para iniciativas que protegem a saúde pública por meio do fortalecimento de estruturas de prevenção de infecções e capacitação a nível nacional e hospitalar e durante emergências de saúde pública.

O que cada pessoa pode fazer na prática para prevenir infecções e proteger a própria saúde e a saúde das pessoas ao redor? Segundo a especialista, o mais importante é saber que todo mundo pode ajudar, independentemente de onde esteja.

“Então, se você está na comunidade, em casa, o que você pode fazer para prevenir infecções? Lavar as mãos. Se você sente que está resfriado, que está com gripe, vai pôr a máscara, dar distância, arejar o ambiente, porque assim que a gente consegue reduzir as infecções na comunidade. Essas infecções não vão chegar no hospital. E aí você tem um parente, um amigo que está no hospital, quando você for lá, o que você  faz antes de entrar no quarto? Lavar a mão. O que você faz quando você sai do quarto? Lavar a mão.  Se você está doente, não vai visitar o seu amigo”.

A especialista também tem um recado para os profissionais da área da saúde:

“Eu peço que todo dia, toda hora que vocês forem fazer qualquer procedimento num paciente, que vocês lembrem: higienização das mãos, importantíssimo. E saber também se proteger em relação ao uso dos equipamentos de proteção individual”.

Os maiores desafios

Segundo Ana Paula, há três grandes desafios hoje em dia em termos de controle de infecção hospitalar. O primeiro é não termos, em todos os países do mundo, programas que tenham fundos e pessoas “para trabalhar dedicadamente” para o controle de infecção hospitalar. É assim, de acordo com ela, independentemente de quão rico ou pobre esse país seja. O segundo é que parece que “as infecções relacionadas à assistência à saúde são coisas normais e a gente acaba esquecendo da importância delas”:

“Elas estão, como todos nós sabemos, fazendo parte da vida de muitas pessoas que estão hospitalizadas.  E a gente tem que resolver, temos que reduzir as infecções. Reduzindo infecções, também reduzimos resistência antimicrobiana”.

O terceiro desafio, também muito importante, é que devemos fazer todos os esforços para manter cursos de capacitação profissional para controladores de infecção. Porque, “você tendo a pessoa certa, com a capacitação adequada, já é um grande passo para a resolução do problema”.

Redução de infecções: as principais prioridades

A brasileira explicou que, em 2023, foi assinada uma estratégia global para controle de infecção, com o objetivo de que em 2030 todas as pessoas que estejam procurando assistência à saúde em qualquer lugar - clínica, hospital, casa de repouso – recebam um tratamento limpo, seguro e livre de infecções. 

Ela lembra que, para fazer isso, a Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma série de guias, ferramentas que podem ser utilizadas. Pessoas como ela, que trabalham em escritórios regionais e locais, estão ajudando os países a fazer a implantação dessas ferramentas, a mudar as políticas de saúde para garantir que até 2030, quando as pessoas procurarem assistência à saúde, elas tenham menos infecções.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.

Fonte: ONU

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