No centro de acolhimento de Adémour, na província de Sila, cinco menores de cinco anos perderam a vida enquanto aguardavam. A situação levou a uma resposta de emergência da ONG Médicos Sem Fronteiras, MSF, entre maio e julho deste ano.
Propagação de doenças e desnutrição
As avaliações preliminares da ONG identificaram casos de sarampo e de desnutrição entre os refugiados, bem como infecções parasitárias e doenças respiratórias associadas ao acesso limitado à água potável em Adémour.
Entre as 916 pessoas rastreadas pela MSF, foi identificada uma taxa de malnutrição aguda global superior a 37%, ou 343 pessoas. Houve também uma taxa de malnutrição aguda grave de 8,4%, equivalente a 77 casos, o que confirma a urgência de apoio nutricional.

Nações Unidas documentaram mais de 67 ataques contra escolas em todo o Sudão
De acordo com a entidade, no início de julho, quase todos os refugiados abrigados no centro de acolhimento temporário de Adémour foram relocalizados para o campo de refugiados de Kerfi, também no Chade.
No entanto, eles continuam sem garantias de cuidados adequados. Segundo a MSF, o cumprimento das normas mínimas de emergência para refugiados nos locais de reassentamento ainda não foi verificado.
Mulheres e crianças sudanesas no Chade
Desde o início da guerra no Sudão, em abril de 2023, mais de 930 mil refugiados sudaneses entraram no Chade, dos quais mais de 80% são mulheres e crianças.
Este ano, por meio da cooperação entre as autoridades chadianas e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Acnur, quase 45,5 mil pessoas foram instaladas em centros de acolhimento temporários junto à fronteira para o interior do país vizinho.
Contudo, o reassentamento não constitui uma solução isolada para as dezenas de milhares de refugiados sudaneses. A recomendação é que a situação seja acompanhada pela garantia de acesso oportuno a todos os serviços essenciais, segundo o chefe de missão da MSF no Chade, Souley Harouna.
Crianças fora da escola enfrentam mais riscos
Após anos de conflito, as Forças Armadas Sudanesas, SAF, e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido, RSF têm recorrido sistematicamente a ataques contra espaços e infraestruturas civis.

Menores estão ainda mais expostos a perigos de proteção
O uso de armas explosivas em áreas povoadas continua sendo uma das principais causas de danos e destruição de escolas, afetando gravemente milhares de crianças, alerta o Fundo da ONU para a Infância, Unicef.
Desde 2024, as Nações Unidas documentaram mais de 67 ataques contra escolas em todo o Sudão. Houve ainda mais de 154 casos de utilização militar dessas infraestruturas pelas forças envolvidas. Em Darfur, quase três quartos das escolas foram danificadas ou destruídas.
Atualmente, pelo menos 8 milhões de crianças em idade escolar não frequentam atividades letivas. O número inclui 4,1 milhões de meninas, gerando um impacto desproporcional sobre as crianças que buscam refúgio fora do Sudão.
Essas crianças enfrentam riscos de proteção significativamente mais elevados, incluindo exploração, trabalho infantil, casamento infantil, tráfico e recrutamento por parte de grupos armados, alerta o Unicef.
Fonte: ONU






