As duas aeronaves das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) intervencionadas na África do Sul entram em operação esta semana, elevando para 10 os aviões em atividade, prevendo-se 12 até dezembro, disse esta quarta-feira o presidente da comissão de gestão.
“Hoje a LAM está numa posição muito boa em comparação com 12 meses atrás, quando chegámos à empresa em maio do ano passado. Quando cheguei tínhamos apenas três aeronaves. Hoje temos duas aeronaves próprias em operação e seis aeronaves de parceiros a voar, totalizando oito. Mais duas aeronaves, os novos Embraer 190, entrarão na frota esta semana”, disse Dane Kondic.
O responsável falava em conferência de imprensa no Aeroporto Internacional da Beira, na província de Sofala, centro do país, no âmbito do arranque de ligações diretas entre aquela cidade e vários destinos do centro e norte de Moçambique, reforçando o papel da capital provincial como “ponto estratégico” da rede doméstica da transportadora estatal, conforme anunciado pela companhia na terça-feira.
Segundo Dane Kondic, com a entrada em funcionamento das duas aeronaves anteriormente intervencionadas na África do Sul, e que já se encontram em Moçambique, a LAM passará a dispor de 10 aviões em operação para transporte de passageiros e carga.
“Até ao final do ano teremos mais duas. Assim, a LAM terá 12 aeronaves em operação, o que representa uma grande evolução em relação à situação de um ano atrás”, afirmou.
Kondic sustentou que a administração e a nova estrutura acionista têm trabalhado “arduamente” para melhorar a situação financeira e operacional da companhia, defendendo que o reforço da frota é a principal prioridade.
“Ter mais aeronaves significa que também podemos conectar o país. Os moçambicanos precisam do transporte aéreo. O país tem dimensões enormes, por isso o transporte aéreo é, de facto, a melhor e a única forma de ligar todos. Trabalharemos ainda mais daqui para a frente para continuar a evoluir”, acrescentou.
A aeronave Bombardier CRJ200 que passa a assegurar as novas ligações da Beira para Tete e Quelimane, no centro do país, e para Nampula, Pemba e Nacala, no norte, foi alugada no Quénia e tem capacidade para 50 passageiros.
Segundo o gestor, o reforço das ligações deverá contribuir para dinamizar a economia local, num contexto de crescente utilização do aeroporto da Beira e de maior atração de investimento e turismo.
“Estamos a melhorar a conectividade dentro de Moçambique e acreditamos no mercado da Beira, que todos sabemos ser uma cidade muito importante, um polo logístico, onde existe procura. O problema da LAM sempre foi a falta de aeronaves suficientes. Por isso acreditamos que uma aeronave não basta. Com o tempo alocaremos uma segunda aeronave aqui e operaremos ainda mais rotas”, prometeu.
A LAM encontra-se num profundo processo de reestruturação, após vários anos marcados por dificuldades operacionais relacionadas com a reduzida dimensão da frota e pela falta de investimento.
A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou, em 2025, a aquisição de 25,2% do capital social da LAM, no âmbito desse processo, seguida pela Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), cada um com 15,4%.
De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, a HCB aprovou um investimento de 36 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) na operação e participou na criação da Fly Moz, entidade que tem o “objetivo de garantir financiamentos à LAM”.
A seguradora Emose aprovou um investimento de 22 milhões de dólares (18,8 milhões de euros), passando a deter 15,4% da estrutura acionista da companhia, participação idêntica à dos Caminhos de Ferro de Moçambique, segundo a mesma fonte.
Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91% do capital social da LAM, mas as operações entretanto concretizadas representam ainda 56% da estrutura acionista da transportadora.
Fonte: Observador






