Resumo
Moçambique enfrenta um aumento significativo da desinformação online em 2025, com 81 casos identificados, mais do triplo do ano anterior, revelando uma tendência preocupante. A política é o principal alvo, com conteúdos falsos a circular especialmente em momentos políticos relevantes. Redes como Facebook, WhatsApp e TikTok são as principais plataformas de propagação, facilitando a disseminação de informações falsas. O relatório destaca a utilização de fotos fora de contexto, vídeos editados e declarações manipuladas para aumentar a credibilidade da desinformação. O MISA alerta que este fenómeno compromete a qualidade do debate público, a confiança nas instituições e pode aumentar a polarização social e política. Recomenda-se investir em literacia mediática, jornalismo de qualidade e sistemas de verificação de factos para combater este desafio estrutural.
Moçambique registou um aumento expressivo dos casos de desinformação no espaço digital em 2025, num contexto marcado por elevada polarização política e crescente utilização das redes sociais como principal meio de circulação de informação. Segundo o Relatório sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025, apresentado esta terça-feira pelo Instituto de Media da África Austral (MISA Moçambique), foram identificados 81 casos de desinformação, mais do triplo dos 28 registados em 2024, evidenciando o agravamento do fenómeno no país.
O estudo, elaborado com o apoio da Embaixada da Noruega, conclui que a política continua a ser o principal alvo da desinformação, concentrando a maioria dos conteúdos falsos monitorizados. De acordo com o MISA, os períodos de maior intensidade coincidiram com acontecimentos políticos relevantes, durante os quais aumentou significativamente a circulação de rumores, conteúdos manipulados e narrativas destinadas a influenciar a opinião pública.
A monitoria identificou que as principais plataformas de propagação continuam a ser Facebook, WhatsApp, TikTok e X (antigo Twitter), onde a rapidez de partilha e a dificuldade de verificação favorecem a disseminação de informações falsas. O relatório alerta que a desinformação já não se limita à publicação de notícias fabricadas, recorrendo cada vez mais a fotografias retiradas de contexto, vídeos editados, manipulação de declarações e conteúdos gerados ou alterados digitalmente para aumentar a sua credibilidade.
Segundo o MISA, o crescimento dos casos demonstra que a desinformação se está a tornar um desafio estrutural para a qualidade do debate público em Moçambique. A organização considera que a circulação de conteúdos falsos compromete o direito dos cidadãos a uma informação credível, fragiliza a confiança nas instituições e pode contribuir para o aumento da polarização social e política.
A divulgação do relatório acontece poucos dias depois de o Governo anunciar a intenção de reforçar a capacidade da Polícia da República de Moçambique (PRM) para combater a desinformação e as campanhas de manipulação da opinião pública. O Executivo justifica a medida com a crescente utilização das tecnologias digitais por redes de criminalidade organizada, enquanto especialistas têm defendido que qualquer estratégia de combate ao fenómeno deve respeitar os princípios da liberdade de expressão e do acesso à informação.
Para o MISA, a resposta ao problema não deve assentar apenas em mecanismos de fiscalização ou repressão. O relatório recomenda o reforço da literacia mediática, o investimento em jornalismo de qualidade, o fortalecimento dos sistemas independentes de verificação de factos e uma maior transparência na comunicação das instituições públicas. A organização considera que estas medidas são fundamentais para aumentar a capacidade dos cidadãos de identificar conteúdos enganosos e reduzir o impacto da desinformação no espaço digital.
O relatório conclui que a evolução do fenómeno demonstra que a desinformação deixou de ser um problema pontual para se afirmar como um dos principais desafios do ecossistema informativo moçambicano. Num ambiente digital cada vez mais acelerado, o MISA defende que preservar a integridade da informação será determinante para a consolidação da democracia, da participação cívica e da confiança pública nas instituições.






