Resumo
O cobre, metal essencial na indústria automóvel há séculos, está a ser substituído pelo alumínio devido ao aumento dos preços. Fabricantes como Ferrari, BMW e Tesla já adotaram o alumínio em cabos elétricos, resultando em cablagens mais leves e eficientes. Na China, o Governo incentiva a transição para o alumínio, visando mais autonomia e redução de custos para as fabricantes. Apesar das vantagens, o alumínio conduz eletricidade pior que o cobre, exigindo cabos mais grossos, e a sua produção é mais energivora. A mudança para o alumínio poderá representar até 6% da procura global de cobre até 2030, com potencial para migrar 25% a 30% dos componentes atualmente de cobre para alumínio em vários setores.
Há um metal escondido dentro dos carros mais avançados do mundo que normalmente não se associa à poupança. Durante mais de 200 anos, foi indispensável na engenharia elétrica. Agora, está a ser substituído e já há várias fabricantes a perceber essa vantagem.
Desde a invenção da bateria elétrica que o cobre é o padrão para cablagens, motores e sistemas elétricos. Por ser um excelente condutor e ser fiável, a indústria automóvel construiu décadas de engenharia à sua volta.
Contudo, os preços não param de subir: em janeiro deste ano, a tonelada chegou a aproximar-se dos 15.000 dólares, um valor recorde histórico.
Do outro lado está o alumínio, que ronda atualmente os 3100 dólares por tonelada, menos de um quarto do preço do cobre. Esta diferença, cada vez mais difícil de ignorar, está a mudar decisões de engenharia em toda a indústria.
A Ferrari, que já usa alumínio nas carroçarias, motores e chassis dos seus modelos, começou a integrar o metal nos cabos elétricos do seu híbrido plug-in 296, e mais recentemente do totalmente elétrico da marca de Maranello. O resultado é uma cablagem até 20% mais leve.
Curiosamente, Dario Esposito, responsável de comunicação da Ferrari, sublinhou que "não estamos a escolher o alumínio porque é mais barato, escolhemos o material que tem melhor performance".
No entanto, o preço mais baixo deverá ser um efeito colateral bem-vindo.
Já a BMW começou a usar condutores de alumínio em 2011, no Série 1, e tem vindo a alargar a sua utilização. Atualmente, a mais recente tecnologia eDrive da marca alemã recorre a alumínio tanto em sistemas de alta como de baixa tensão.
Há ainda rumores, avançados por fontes da indústria à , de que a Stellantis, quarta maior fabricante automóvel do mundo, também já iniciou a transição, embora a empresa não tenha confirmado oficialmente.
Se há uma marca a apontar como pioneira neste tema, é a Tesla, que introduziu cablagem de alumínio já em 2019, com a chegada do Model Y, e mais tarde na Cybertruck.
Na China, o maior mercado de metais do mundo, a transição tem sido praticamente uma política de Estado.
Em março de 2025, o Governo chinês publicou um documento a incentivar formalmente a indústria a substituir cobre por alumínio, e marcas como Xpeng, Xiaomi e AVATR responderam ao apelo.
Para as fabricantes chinesas, menos peso significa mais autonomia, e menos custo significa alívio numa guerra de preços que tem espremido as suas margens.
Entre as desvantagens está o facto de o alumínio conduzir eletricidade pior do que o cobre, o que obriga a usar cabos mais grossos para compensar.
Além disso, a sua produção também consome bastante mais energia, com o consequente impacto em emissões. Há ainda fatores externos, como tarifas alfandegárias nos Estados Unidos, que complicam a equação para algumas fabricantes.
Ainda assim, o espaço para crescer é enorme, tendo em conta que, segundo a fabricante norueguesa Hydro, cerca de 85% dos busbars, as barras que ligam a bateria aos restantes sistemas de um carro elétrico, continuam a ser feitos de cobre.
Segundo estimativas do JPMorgan, o alumínio deverá substituir cerca de 2% da procura global de cobre já este ano, podendo chegar aos 6% até 2030.
Indo mais longe, a consultora chinesa Zhuochuang prevê que entre 25% a 30% dos componentes atualmente feitos de cobre, nos setores automóvel, energético e de eletrodomésticos, possam migrar para o alumínio até ao final da década.
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Fonte: Pplware




