InícioRevistaSociedadeXenofobia força regresso de mais de 20 mil cidadãos em Gaza

Xenofobia força regresso de mais de 20 mil cidadãos em Gaza

Resumo

Mais de 20 mil pessoas chegaram à província de Gaza nos últimos três dias devido à vaga de xenofobia na África do Sul, relatando mortes, perda de bens e violência, pedindo intervenção do Presidente. Os recém-chegados descrevem perseguições, agressões e episódios de terror, com relatos de jovens moçambicanos espancados até à morte. Grupos organizados procuravam estrangeiros em residências, forçando famílias a fugir. A pressão nos transportes aumentou, com mais de 150 viaturas a transportar cerca de 22.500 passageiros, muitos sem dinheiro para chegar aos seus destinos. A governadora de Gaza ativou um centro transitório para apoiar os repatriados com assistência básica, alimentação e reintegração nas suas comunidades de origem.

Mais de 20 mil pessoas chegaram à província de Gaza nos últimos três dias, devido à vaga de xenofobia que afecta a África do Sul. As vítimas relatam mortes, perda de bens acumulados ao longo de anos e episódios de violência, apelando à intervenção do Presidente da República.

A província de Gaza está a receber uma nova vaga de cidadãos provenientes da África do Sul, na sequência de actos xenófobos. Em apenas três dias, mais de 20 mil pessoas chegaram à província, trazendo consigo relatos de perseguições, agressões, mortes e perda de bens.

Entre os recém-chegados predominam histórias de desespero. Um dos repatriados contou que a decisão de abandonar a África do Sul foi tomada quando percebeu que permanecer naquele país significava correr risco de vida.

“Corremos porque, quando dizem que já não te querem ali, não adianta insistir. Depois vais perder a tua vida”, relatou uma cidadã.

A mesma fonte acrescentou que os episódios de xenofobia não são recentes, mas que a actual escalada de violência tornou a permanência dos estrangeiros cada vez mais difícil.

“A xenofobia não é de hoje, existe há muito tempo, mas desta vez é demais. Já estamos cansados e pedimos socorro”, afirmou.

MORTES E BAIRROS SOB TERROR

Um dos entrevistados afirmou conhecer dois jovens moçambicanos que perderam a vida durante os confrontos.

“Conheço duas pessoas que morreram. Eram jovens, com cerca de 27 anos. Foram espancados até à morte”, contou.

Outros relatos descrevem grupos organizados que percorriam residências à procura de estrangeiros, obrigando famílias inteiras a abandonar as suas casas durante a noite.

“Entravam de casa em casa. Queriam identificar quem era estrangeiro. Muita gente fugiu para salvar a vida”, explicou outro cidadão.

PRESSÃO AUMENTA NOS TRANSPORTES 

O impacto da crise já é visível nos principais corredores de transporte que ligam Gaza à África do Sul. A Associação dos Transportadores da Província de Gaza confirma um aumento significativo do fluxo de passageiros provenientes de várias cidades sul-africanas.

Segundo a agremiação, mais de 150 viaturas transportaram cerca de 22.500 passageiros nos últimos dias, número que continua a aumentar à medida que novos grupos decidem abandonar a África do Sul.

“Já recebemos mais de 150 viaturas. Muitos passageiros estão apenas em trânsito para outros distritos e províncias, mas chegam sem dinheiro e sem saber como alcançar os seus destinos”, explicou um representante da associação, Adenaldo Mabote.

A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, anunciou a activação de um centro transitório destinado ao acolhimento dos cidadãos afectados pela violência xenófoba.

A estrutura deverá prestar apoio imediato aos repatriados, incluindo assistência básica, alimentação e apoio logístico, com vista à sua reintegração nas respectivas comunidades de origem.

Fonte: O País

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