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O português que jogou no grande Benfica, foi internacional e está por detrás da geração de ouro do Canadá

Resumo

António Fonseca, conhecido como Fonseca em Portugal e Tony Fonseca no Canadá, partilhou histórias da sua carreira desde os tempos de jogador no Benfica nos anos 80 até ao seu papel como diretor-técnico no Canadá, onde desenvolveu talentos como Alphonso Davies. Emigrou para o Canadá por amor, após uma promessa à esposa, mas nunca abandonou o futebol. Recordou os tempos no Benfica, a convivência com Manuel Bento e a sua posição como lateral moderno. Destacou a importância do clube na sua vida, apesar de ter passado pela formação no Sporting. Recordou também momentos marcantes, como a convivência com Bento nos estágios. Uma conversa que abrange a história do futebol português e canadiano, revelando a sua paixão pelo desporto e pelas memórias que o acompanham.

Chama-se António Fonseca, embora em Portugal, para efeitos desportivos, fosse conhecido como Fonseca. No Canadá, por outro lado, é Tony Fonseca. Nasceu em Chelas, começou a jogar na rua, passou pelos Olivais e pelo Sporting na formação, mas foi quando assinou pelo Benfica que viveu o dia mais feliz da sua vida.

Na grande geração do Benfica dos anos 80, partilhava quarto com Manuel Bento. Jogou com Carlos Manuel, Diamantino e o grande ídolo de toda a vida: Chalana. Gostava de fazer travessuras, que punham toda a gente a rir. Ainda hoje os antigos colegas lhe chamam o homem que inventou o comando. Foi até internacional português.

Devido a uma promessa feita à mulher, emigrou para o Canadá após o fim da carreira. Mas não deixou o futebol. Passou por adjunto e interino da seleção canadiana, mas foi como diretor-técnico que deixou marca: criou o programa de desenvolvimento de talento por onde passaram Alphonso Davies, Jonathan David ou Eustáquio.

Foi na baixa de Toronto que Fonseca (ou Tony Fonseca) - hoje muito bem na vida, como se percebe rapidamente – conversou com o Maisfutebol para desfiar histórias. Do Benfica, de uma seleção em pé de guerra, de Manuel Bento, de Eriksson, de Artur Jorge, enfim. Uma conversa que visita para a história do futebol português... e canadiano.

Como é que veio parar ao Canadá?

Conheci a minha esposa, ainda vivíamos em Lisboa. Fiquei apaixonado e, logo na altura, ela queria trazer-me para o Canadá, porque já tinha aqui a irmã. Eu disse que naquela fase não, que o meu sonho era futebol e Portugal era o meu destino na altura. Mas fiz-lhe uma promessa: quando acabasse a carreira, iríamos viver para o Canadá. E assim foi.

Mas antes disso, o António tem uma história enorme como jogador, fez inclusivamente parte daquele grande Benfica do final dos anos 80.

Sim, as histórias não param, lembranças incríveis. A verdade é que quem passa por aquela casa nunca mais esquece. O Benfica para mim teve um peso muito grande, era o meu clube desde pequeno, embora tenha passado pelo Sporting na formação e tenha jogado com o Paulo Futre na altura. Ainda hoje falámos sobre isso, de vez em quando.

E era difícil pará-lo? Você era lateral?

Eu era lateral, mas já era um lateral moderno. A defesa não era muito para mim, era mais quase como um extremo. Então no Benfica, por exemplo, havia Mozer, havia Ricardo, havia Aldair, o lateral quase não precisava de defender: eles defendiam e nós atacávamos.

Histórias desse tempo, lembra-se?

Muitas, muitas. Lembro-me, por exemplo, de uma com o falecido Bento. O Bento era uma pessoa muito difícil de lidar, toda a gente no balneário tinha um enorme respeito por ele. Por isso, nos estágios, ninguém queria ficar com ele no quarto. Eu era o mais novo, acabadinho de chegar, tive de ficar com ele, e desde muito cedo aprendi que com aquele homem não se brincava. Mas acho que soube cativá-lo.

Em que aspetos?

Ele era uma pessoa dura, rígida, sempre um pouco sisudo, não era muito dado a brincadeiras. Eu era completamente diferente, muito brincalhão, mas sabia com quem estava a lidar e sabia levá-lo muito bem. Na altura tínhamos uma brincadeira que era a trapada. Quando entrávamos no balneário, se alguém estivesse distraído, levava com uma camisola molhada na cara. Ninguém tinha a coragem de fazer isso ao Bento, claro. Um dia deu-me na cabeça, ele estava distraído e atirei-lhe com a camisola molhada à cara. Ele furioso, vermelho, azul, de todas as cores, olhava para todos os lados e queria matar toda a gente. Eu estava sentado, no meu cantinho. E ele começa: ‘se eu sei quem foi, se eu sei quem foi’. E os outros, calados, mas discretamente a apontar para mim. E ele: ‘Não, ele não. O miúdo não tinha coragem’.

E também havia a carrinha do Bento, não era?

Havia, havia. O Manel era uma pessoa excelente, era um homem espetacular, mas era realmente difícil de lidar, e brincar nem pensar. Então lá arranjou a carrinha e aquela malta da Margem Sul vinha toda junta, na carrinha no Benfica. Lembro-me que eles chegavam ao parque e quando se abria a porta aquilo parecia uma excursão, tantos eram a sair lá de dentro. Mas era um grupo excelente, o Manel Bento, Diamantino, o Carlos Manuel, tudo gente com um peso enorme e uma mística... que era a verdadeira mística do Benfica. São coisas que se foram perdendo.

Mas que mística era essa?

É difícil explicar. Hoje joga-se com amor ao clube, mas na altura jogava-se com amor à camisola. Nós tínhamos um querer e uma vontade férrea de jogar por aquele clube, e isso era uma paixão indestrutível. Nasceu, cresceu e vai morrer dentro de mim, porque Benfica é Benfica.

E ainda tem contacto com esses antigos colegas?

Sim, sim, vemo-nos várias vezes, quando vou a Portugal e vou todos os anos. Também temos todos um grupo em que comunicamos constantemente. E assim vamos mantendo a nossa relação, às vezes longe demais, e com saudades, mas continuamos amigos. Adoramos sentarmo-nos e contarmos histórias, e falarmos das coisas que fizemos, umas em que temos orgulho, outras que nem tanto, mas era assim.

Não tem orgulho porquê?

Fazíamos muitas travessuras, muitas malandragens. Uma vez fomos jogar a Guimarães e chegámos já um pouco atrasados. Então foi-nos dito: chegamos ao hotel, ponham os sacos nos quartos e vamos diretamente jantar, porque já estamos atrasados. Eu fiquei um pouco mais para trás e decidi trocar os números dos quartos todos. Desapertei os parafusos e troquei as placas com os números. Depois de jantarmos, fomos diretamente para o quarto, na altura o Toni era o treinador, e era tudo a meter a chave à porta, e a porta não abria. Então o Toni vira-se para mim: ‘Só podes ter sido tu’. Depois lá andámos a tentar as chaves todas, até descobrir qual abria que porta.

E não ficaram chateados consigo?

Ninguém ficou chateado, a gente sabia que havia coisas que eram aceitáveis, outras menos aceitáveis, mas a verdade é que fazíamos assim umas travessuras, mas era o espírito da equipa, era aquilo que fazia a união e libertava um pouco a pressão.

E no quarto com o Bento, lembra-se de alguma coisa assim?

Lembro-me sobretudo dos conselhos. Isto aqui é uma família, quando se entra toda a gente te ajuda, tens a equipa por detrás de ti, vamos para a frente, temos de ganhar. Coisas assim. E na realidade, se algo acontecesse a alguém da equipa, todos nós éramos unidos, unidíssimos, e saltávamos e apoiávamos sempre. Mesmo fora de campo,

E foi você quem inventou o ‘comando’?

Essa foi num jogo em que o Bento não estava, o guarda-redes foi o Silvino. Eu fiquei no quarto com o Hernâni. E no Benfica havia uma regra: a partir de certa hora, desligava-se a televisão, tiravam-nos os comandos e acabou: era para descansar. Claro que pouco depois o pessoal ia ligar a televisão. Mas depois não tinha comando para a desligar, tinha de se levantar da cama. Então lembrei-me de fazer uma corda com papel higiénico, agarrada à ficha onde a televisão estava ligada. Fui até à nossa cama, e a corda ficava ali no meio das duas camas. Quem quisesse ver televisão até mais tarde, depois para desligar a televisão era só puxar só a corda. Foi uma risota. Ainda hoje me dizem: ‘E quando tu inventaste o comando?’

Ainda apanhou a história do copinho de vinho para os mais velhos?

Sim, isso foi com o Erickson. Ele dizia: quem quiser beber um copo de vinho, bebe. Todos começámos a olhar uns para os outros. Deve ser uma rasteira, pensávamos. E ele dizia não, se vocês estão habituados a beber um copinho ao almoço ou ao jantar, porque é que não o vão fazer hoje? No início tudo começou com muita hesitação, mas depois tornou-se um hábito. Então havia miúdos mais novos, que não bebiam vinho. E os mais velhos guardavam-lhe sempre um lugar na mesa deles: ‘Não bebes vinho? Bebes, bebes. Hoje bebes’.

Que era para eles ficarem com o copinho dele?

Claro, para ficarem com o copo dele. Lembro-me também da história do café. Nos jogos em casa íamos sempre almoçar ao mesmo restaurante e depois, no fim da refeição, o restaurante tinha um bar onde íamos tomar café. Então os mais velhos diziam sempre: ‘É o cafezinho do costume’, e piscavam o olho. Isto uma, duas, três vezes. Até que pensei: que raio será isto? Vou fazer igual. ‘É o cafezinho do costume», e pisquei o olho. O empregado olhou para mim: ‘Tu não bebes destes cafés?’ E eu, deixa lá, só para experimentar. Então provei, era café com um cheirinho. ‘Ah isto é que é o cafezinho…’

E como era trabalhar com o Erikson?

Olhe, fantástico, uma pessoa fantástica. Eu apanhei o Erickson duas vezes, na primeira era uma pessoa muito mais dada, muito mais aberta, muito amiga do jogador, e depois na segunda fase, quando volta de Itália, já um pouco diferente.

Apanha-o duas vezes?

Sim, porque em 83 e 84 era júnior e jogava pelas reservas, então trabalhava muitas vezes com ele. Não quer dizer que mais tarde ele fosse melhor ou pior, mas era um bocadinho diferente, porque vinha já de uma experiência mais marcante, como era a Itália, em termos de trabalho. Mas era uma pessoa fantástica, com umas ideias muito evoluídas para a altura. Foi ele quem introduziu a marcação à zona, e nós tínhamos gente muito experiente, e grandes jogadores, que duvidaram bastante daquilo. Ele acabou por convencer toda a gente e tornámo-nos uma equipa muito eficaz na defesa à zona.

E é nessa altura que se torna internacional?

Sim, é nessa altura que me torno internacional, ainda no Benfica. Mas a última chamada já é no Vitória Guimarães. Quem jogava na minha posição era o Álvaro Magalhães, um grande jogador, um enormíssimo jogador, e em 90 saí para o Vitória Guimarães, como moeda de troca com o Ademir. Curiosamente, o meu último jogo pela seleção foi na Finlândia, em que me lesionei no joelho, estive nove meses parado e foi o meu fim na seleção.

E como era na seleção o ambiente?

A seleção é muito diferente daquilo que é hoje. Ainda havia aquela rivalidade norte-sul. Eu costumava dizer que os treinos eram mais intensos do que os jogos. A verdade é que havia muita fricção entre o norte e o sul, os jogadores do Porto, os jogadores do Benfica, não tanto os do Sporting. Mas era uma luta muito acesa, o que não fazia sentido. Eu, mesmo quando estava no Vitória, consideravam-me mouro. Era mouro.

Mesmo nos estágios, devia ser complicado.

Havia muita confusão, as mesas, o que um fazia, o que o outro dizia, era realmente mau...

E terá sido isso que impossibilitou aquela geração de ter algum sucesso?

Talvez essa seja uma das razões. Havia muita divisão, muita fricção, muita competitividade. Não havia aquela vontade de estar juntos e lutar pela mesma bandeira. A nossa vontade era grande, era enorme, mas os treinos eram diabólicos.

E como era dentro de campo?

Dentro do campo esquecia-se um pouco isso, não havia tanto essa fricção, essa divisão. Lutávamos, queríamos mais e melhor, embora soubéssemos que aqui e ali havia uma palavra que não era tão bem aceite, havia aquele olhar de reprovação... 

Também há histórias de que havia muita pressão dos mais velhos para entrarem jogadores da fação deles no onze inicial...

Isso era óbvio, era algo que sempre esteve presente nas seleções nacionais, pelo menos na minha altura, e que eu penso que foi mudando lentamente. Acho que mudou mais radicalmente quando o Scolari tomou conta da Seleção Nacional. Aí já comecei a observar coisas diferentes. 

Curiosamente, esta geração tem um dos maiores talentos que Portugal já teve, que era o Futre, e que não foi recompensado a nível de seleção.

O futebol é realmente uma coisa impressionante. Merecia muito mais reconhecimento, sem dúvida.  E dou-te outro exemplo, o Chalana. Na verdade, eram jogadores extraordinários. Uma história curiosa do Chalana é que eu ia ver os jogos do Benfica e o meu ídolo era o Chalana. Eu era miúdo. A minha maior alegria foi no dia que assinei pelo Benfica. E nós vamos para o campo tirar a fotografia, eu vi aquele homem à minha frente, ganhei coragem e disse-lhe que ele sempre foi o meu ídolo. Foi para mim uma honra imensa, uma alegria enorme, maior que tudo na vida, poder jogar com o meu ídolo. Depois ainda acabámos por jogar juntos no Estrela da Amadora, já na parte final das nossas carreiras.

E é no Estrela da Amadora que acaba a carreira, antes de então viajar para o Canadá.

Exatamente. Acabei a minha carreira com 34 anos, em 1999. Fui para Vancouver. Joguei ainda pelos Vancouver Whitecaps e depois segui o caminho de treinador. Treinei a equipa e depois fui convidado a juntar-me à Federação do Canadá.

Inclusivamente foi treinador-adjunto e treinador da seleção do Canadá.

Fui treinador assistente de Stephen Hart e depois fiquei como interino durante uma fase. Mas foram praticamente dez anos na Federação, em várias funções.

E depois o que mudou?

A coisas mudaram quando fui convidado para ser diretor-técnico das seleções. A partir daí criámos programas de elite no futebol canadiano, liderados por mim. Metade desta seleção que está a disputar o Mundial, ou mais de metade, passou por esse projeto de desenvolvimento. Por isso, é um prazer enorme ver esta equipa do Canadá, onde ela está atualmente.

Que jogadores passaram por esse programa?

Ui, tanto, tantos. Jogadores como Alphonso Davies, por exemplo. O Jonathan David, outro exemplo. O Mathieu Choinière. O próprio Stephen Eustáquio, que chamámos quando ele ainda estava em Portugal e que entrou já mais tarde, quando era sub-17. Mas muitos, muitos talentos passaram por esse programa de desenvolvimento que agora está a dar frutos.

São nomes de top mundial.

São nomes de top mundial e fico muito feliz por saber que, hoje em dia, estão a representar o Canadá e estão a representar o Canadá muito bem. Mas, como eu disse, isto é mérito de muita gente. Muito sacrifício que foi feito. Dá-me um prazer enorme vê-los. Claro que sou português e adoro Portugal. Mas espero que nunca tenha de passar um Portugal-Canadá, porque o coração ia estar muito dividido.

Mas que programa era esse, afinal?

O programa começou em 2008, quando decidimos fazer um plano a longo prazo, que passava por desenvolver mais jogadores e criar mais oportunidades para os nossos jovens. Na altura, como tinha começado a MLS, criámos alianças com essas equipas profissionais e criámos academias de elite. E assim fomos crescendo, fomos evoluindo.

O António esteve na origem desse programa de desenvolvimento?

Estive na origem e no começo deste programa.

O programa consistia em criar essas parcerias e depois trabalhar com os jogadores?

Trabalhar com os jogadores, trabalhar com os clubes, fazer visitas periódicas às academias, perceber que tipo de talento estava a emergir. Fizemos também um programa de captação pelo país inteiro. Trazíamos os que eram identificados com mais potencial de desenvolvimento.

Mas o país é enorme? Como conseguiam fazer essa captação por um território tão vasto?

Enorme, enorme. Este país de Toronto a Vancouver são cinco horas de voo. De Vancouver a Newfoundland são 13 horas de voo. E temos diferenças horárias. E então havia uma colaboração enorme entre as províncias, em que eu era o líder. Fazíamos treinos de captação e vários eventos para identificar talento. E depois trazíamos os melhores para as centrais.

Organizaram em cada região uma equipa de captação e depois enviavam os melhores para equipas de elite?

Sim, fazíamos um treino de captação na British Columbia, outro em Alberta, outro em Montreal e outro em Toronto Tudo o que eram jogadores recomendados pelos clubes e pelos treinadores, eram avaliados nesses treinos. Os melhores eram escolhidos pelas três canadianas da M: os Vancouver Whitecaps, os Montreal Impact e os Toronto FC. Os que não eram escolhidos, porque se sentia que ainda não estavam preparados, continuavam o seu desenvolvimento nos nossos programas da Federação.

Quando tudo começou, nos anos 2000, a experiência que trazia de Portugal, que já estava muito mais desenvolvido e que já tinha passado pelo processo Queirós, deve ter sido uma grande ajuda, imagino...

Enorme ajuda, sem dúvida. Eu vinha de uma cultura futebolística completamente diferente e aterrei num Canadá que não estava para aí virado. A mentalidade de toda esta família do futebol, era mais virada para o hóquei no gelo. Portanto, era muito mais físico, era muito mais contacto. Foi um desafio enorme, porque o futebol não tinha expressão.

E já era encarado de uma maneira profissional, nessa altura?

Não, não. Eram clubes semi-profissionais. Os Vancouver Whitecaps, por exemplo, onde eu joguei, era uma equipa semi-profissional. Tínhamos coisas incríveis. Na minha primeira época, fomos jogar fora, um torneio nos Estados Unidos, e eu pensei que era um jogo e voltava para casa. Estivemos fora 20 dias. Em 20 dias fizemos 15 jogos. Era um país diferente, em que o futebol e a mentalidade eram completamente diferentes.

E hoje faz o quê, exatamente?

Hoje trabalho como diretor desportivo da província de Ontario, que tem 42 mil associados. Portanto, temos 25 clubes em que eu sou o líder e que sou a pessoa que fomenta as ligas. A pessoa que dá uma certa direção a tudo o que é programa de desenvolvimento.

E pensa ficar por cá?

Sim, tenho cá a minha família, os meus filhos, a minha vida. Gosto muito do país. Espero voltar para Vancouver, onde vivi muito anos e que acho que tem uma qualidade de vida superior a Toronto. Mas os próximos anos serão por cá, sim.

Fonte: CNN Portugal

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