Resumo
A Zâmbia planeia investir cerca de 20 milhões de dólares na construção de um segmento da linha de transmissão Chilanga–Lusaka West, de 132 kilovolts, para melhorar a infraestrutura elétrica urbana. A iniciativa, a cargo da empresa estatal ZESCO, faz parte do Lusaka Transmission and Distribution Rehabilitation Project, visando atender ao aumento da procura de eletricidade na capital e arredores. O projeto visa reforçar o fornecimento elétrico entre Chilanga e Lusaka West, modernizando a ligação de 33 kV entre as subestações de Chilanga e Mapepe. Prevê-se que as obras comecem no final deste ano ou no início de 2027, com duração estimada de 18 meses. Este investimento surge no contexto do crescimento da procura de eletricidade, da expansão urbana e da necessidade de melhorar a qualidade do serviço elétrico na Zâmbia.
A Zâmbia prepara um novo investimento na sua infra-estrutura eléctrica urbana, com a construção de um segmento da linha de transmissão Chilanga–Lusaka West, de 132 kilovolts, avaliado em cerca de 20 milhões de dólares. A iniciativa será conduzida pela empresa estatal de energia ZESCO, no quadro do Lusaka Transmission and Distribution Rehabilitation Project, programa que vem sendo implementado para responder ao crescimento da procura de electricidade na capital e nas zonas periféricas.
Segundo informações divulgadas durante uma sessão de consulta com estruturas distritais e partes interessadas em Chilanga, a nova infra-estrutura deverá reforçar o fornecimento eléctrico entre Chilanga e Lusaka West, ao mesmo tempo que permitirá a modernização de parte da ligação de 33 kV entre as subestações de Chilanga e Mapepe. A expectativa é que as obras avancem no final deste ano ou no primeiro trimestre de 2027, assim que a documentação e as consultas em curso forem concluídas, com uma duração prevista de 18 meses.
O projecto surge num momento em que a ZESCO procura responder a uma equação cada vez mais exigente: mais consumidores, maior actividade económica, expansão urbana e necessidade de aumentar a qualidade do serviço, sem comprometer a estabilidade financeira do sector eléctrico. O objectivo anunciado é reduzir limitações de fornecimento, melhorar a fiabilidade da rede e criar condições para novas ligações, incluindo em comunidades de menor rendimento que continuam fora da cobertura formal ou enfrentam um serviço irregular.
Uma Rede Que Precisa Crescer Com A Cidade
A importância do novo troço torna-se mais clara quando se observa a evolução da rede eléctrica de Lusaka. Dados do Banco Mundial mostram que o programa de reabilitação da transmissão e distribuição na capital foi concebido precisamente para aumentar a capacidade e a fiabilidade do sistema que abastece consumidores domésticos, comerciais, agrícolas e industriais na área metropolitana.
Antes das intervenções realizadas na última década, o anel de transmissão de Lusaka enfrentava limitações significativas. Em períodos de maior procura, cerca de 14% da carga não podia ser atendida, devido aos limites térmicos das linhas de 132 kV e à insuficiente redundância da rede. O reforço de vários segmentos elevou a capacidade de transmissão do anel de 450 MVA para 1.022 MVA no encerramento da componente inicialmente financiada pelo Banco Mundial, acima da meta de 900 MVA definida para o projecto.
A modernização de linhas simples para configurações de circuito duplo, com condutores de maior capacidade, permitiu reduzir a vulnerabilidade a falhas e assegurar continuidade parcial de fornecimento quando uma das linhas necessita de manutenção ou sofre uma avaria. Segundo a avaliação do Banco Mundial, a capacidade térmica do anel de transmissão de Lusaka chegou a 1.420 MVA, podendo atingir 1.562 MVA quando as actividades apoiadas pelo Banco Europeu de Investimento forem plenamente comissionadas.
É neste contexto que o projecto Chilanga–Lusaka West ganha relevância. Não se trata apenas de acrescentar uma linha à rede, mas de reforçar um corredor necessário para acomodar procura futura, melhorar a segurança operacional e reduzir os riscos de interrupção num dos principais centros urbanos e económicos da Zâmbia.
Financiamento Europeu E Um Programa Mais Amplo
A ZESCO indicou que a nova intervenção deverá ser financiada pelo Banco Europeu de Investimento, com contribuição do Governo zambiano. O modelo acompanha a arquitectura financeira que tem suportado o programa de reabilitação da rede de Lusaka ao longo dos últimos anos.
No seu relatório integrado de 2025, a ZESCO refere que o programa mais amplo de transmissão e distribuição em Lusaka contempla construção e modernização de subestações, instalação de cabos, postos de manobra e aumento da capacidade de transformadores. A empresa estima que esse conjunto de intervenções tenha sido financiado por um empréstimo de 78 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento e por 29 milhões de dólares de capital próprio da ZESCO, tendo atingido 99,5% de execução no final de 2025.
A diferença entre o grau de execução reportado para o programa global e o calendário anunciado para a nova ligação de Chilanga sugere que este troço constitui uma intervenção complementar ou uma extensão operacionalmente necessária para consolidar os ganhos da rede. A ZESCO ainda não publicou, contudo, uma clarificação técnica detalhada sobre a forma exacta como os 20 milhões de dólares se distribuem dentro do pacote mais amplo de investimentos associados ao LTDRP.
Essa precisão será importante, sobretudo para permitir a avaliação da execução, dos impactos esperados e da articulação entre os investimentos em transmissão, subestações e distribuição final. Em infra-estruturas eléctricas, o efeito de uma linha depende da capacidade das subestações que a alimentam, da rede de distribuição que recebe a energia e da existência de ligações finais capazes de transformar capacidade técnica em acesso efectivo.
Do Reforço Da Rede À Ligação De Novos Consumidores
A ZESCO tem procurado assegurar que o investimento na rede principal seja acompanhado por expansão da distribuição e das ligações de última milha. O relatório da empresa aponta que o programa LTDRP Last Mile, financiado pela União Europeia até 2030, tem como meta ligar 63 mil novos consumidores em bairros de menor rendimento de Lusaka, entre os quais Chainda, Kamanga, Mtendere, Chawama, Mandevu, Bauleni, Linda e Ngombe.
Até ao final de 2025, a empresa reportava mais de 15 mil ligações concluídas nesse programa, depois de a extensão da rede ter sido finalizada nas áreas abrangidas. O dado reforça uma questão central: aumentar a capacidade de transporte de energia é indispensável, mas o benefício económico e social só se materializa plenamente quando a electricidade chega efectivamente às famílias, pequenas empresas, escolas, unidades sanitárias e actividades produtivas.
A nova linha Chilanga–Lusaka West poderá, por isso, ter um impacto que ultrapassa a melhoria do fornecimento para consumidores já ligados. Ao aliviar restrições no sistema, cria condições para que a ZESCO expanda novas conexões e acompanhe o crescimento urbano e industrial na zona sul e oeste da capital.
Rede De Lusaka Como Peça De Uma Estratégia Nacional
O investimento também se enquadra numa estratégia mais ampla de reforço da infra-estrutura energética zambiana. A empresa estatal mantém em curso projectos de maior tensão, incluindo uma linha de 330 kV entre Lusaka West e Kabwe Step Down, avaliada em 72 milhões de dólares e com previsão de conclusão em 2027.
A mesma ligação deverá fortalecer a espinha dorsal do sistema entre Lusaka e a região central, enquanto outros investimentos procuram interligar capacidade de geração, corredores industriais, zonas económicas especiais e redes de distribuição. A ZESCO assinala igualmente que o projecto de transmissão de 330 kV para a Lusaka South Multi-Facility Economic Zone pretende reforçar o anel de 132 kV e criar uma rota de evacuação para energia proveniente de centrais solares de Bangweulu e Ngonye, bem como da Hidroeléctrica de Kafue Gorge Lower.
A lógica é clara: a segurança energética não depende apenas de construir nova geração. Exige também redes capazes de transportar, distribuir e gerir essa energia onde ela é necessária. Sem transmissão suficiente, a capacidade gerada pode não chegar aos centros de consumo; sem distribuição adequada, a energia pode chegar às cidades sem alcançar empresas e famílias.
Para a África Austral, onde a procura energética cresce mais rapidamente do que a expansão da infra-estrutura em vários países, a experiência zambiana oferece uma lição relevante. A transição energética e a industrialização dependem tanto de grandes projectos de geração como de investimentos menos visíveis, porém decisivos, em linhas, subestações, transformadores, postos de manobra e conexões finais.
No caso da linha Chilanga–Lusaka West, o teste decisivo será a execução. A conclusão atempada das consultas, o cumprimento dos requisitos ambientais e sociais, a mobilização efectiva do financiamento e a coordenação entre a ZESCO, o Governo e as comunidades locais determinarão se o investimento de 20 milhões de dólares se traduzirá, de facto, em menos interrupções, maior capacidade e mais consumidores ligados à rede.
Fonte: O Económico






