Resumo
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, reconheceu o aumento dos ataques xenófobos na África do Sul e afirmou que o Governo está preparado para apoiar os cidadãos moçambicanos que regressam ao país, disponibilizando meios logísticos como transporte e assistência alimentar. Até ao momento, 738 moçambicanos já foram repatriados, enfrentando desafios de reintegração social e económica. A violência xenófoba na África do Sul tem levado centenas de moçambicanos a abandonar o país, com especialistas a alertarem para possíveis pressões nos serviços públicos e mercado de trabalho em Moçambique. O Presidente apelou a uma resposta coordenada entre os dois países para proteger as comunidades afetadas e prevenir futuros episódios de violência.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reconheceu esta quarta-feira o agravamento dos ataques xenófobos na África do Sul e assegurou que o Governo dispõe de condições logísticas para apoiar os cidadãos moçambicanos que regressam ao país, numa altura em que aumenta o número de vítimas da violência contra estrangeiros no território sul-africano.
Falando no final de uma visita de trabalho à província de Cabo Delgado, o Chefe de Estado afirmou que o Executivo já mobilizou meios para garantir o acolhimento dos repatriados, incluindo transporte e assistência alimentar. Segundo Daniel Chapo, autocarros foram disponibilizados para transportar os cidadãos desde a fronteira de Ressano Garcia até às suas províncias de origem, procurando assegurar um regresso em condições de segurança e dignidade.
As declarações surgem num contexto de recrudescimento da violência xenófoba na África do Sul. Nas últimas semanas, manifestações contra cidadãos estrangeiros intensificaram-se em várias localidades, levando centenas de moçambicanos a abandonar aquele país. O Governo moçambicano tem acompanhado a situação através das suas representações diplomáticas e em coordenação com as autoridades sul-africanas.
Dados oficiais indicam que 738 cidadãos moçambicanos já foram repatriados, dos quais a maioria é proveniente das províncias de Gaza, Maputo e Inhambane. O Executivo reconhece, contudo, que persistem desafios relacionados com a reintegração social e económica dos regressados, incluindo a obtenção de documentação, o transporte de bens e a recuperação dos meios de subsistência perdidos durante a fuga.
A dimensão da crise vai além da operação logística de repatriamento. Especialistas alertam que o regresso forçado de centenas de migrantes poderá aumentar a pressão sobre os serviços públicos e o mercado de trabalho em Moçambique, sobretudo nas províncias de origem, onde muitas famílias dependiam das remessas enviadas pelos trabalhadores emigrados na África do Sul.
Os episódios de violência têm sido recorrentes na África do Sul ao longo das últimas duas décadas, frequentemente associados ao desemprego, à criminalidade e ao descontentamento social. Organizações de defesa dos direitos humanos e governos da região têm apelado às autoridades sul-africanas para reforçarem a protecção dos migrantes e responsabilizarem os autores dos ataques, sublinhando que a xenofobia representa uma ameaça à integração regional e aos princípios da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Embora tenha garantido que o Estado está preparado para receber os cidadãos que regressam, Daniel Chapo reiterou a necessidade de uma resposta coordenada entre os dois países para proteger as comunidades afectadas e evitar o agravamento da situação. O Presidente defendeu que o combate à xenofobia exige não apenas medidas de assistência humanitária, mas também uma cooperação diplomática capaz de prevenir novos episódios de violência contra moçambicanos residentes na África do Sul.




