InícioRevistaSociedadeSegundo MISA Moçambique: País registou 81 casos de desinformação em 2025

Segundo MISA Moçambique: País registou 81 casos de desinformação em 2025

Resumo

A desinformação em Moçambique tornou-se um problema sistémico em 2025, com 81 casos registados no espaço digital, segundo o Relatório sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025, do MISA Moçambique. A maioria dos casos consiste em conteúdos totalmente falsos, com destaque para a área política pós-eleições de 2024. O Facebook é a principal plataforma de disseminação, com páginas e perfis anónimos a propagar informações falsas, visando atores políticos e figuras públicas. Cerca de 7,12 milhões de moçambicanos têm acesso à internet, mas a literacia digital é baixa, facilitando a propagação de desinformação. O relatório destaca o papel dos grupos de WhatsApp na disseminação de conteúdos falsos e recomenda uma abordagem multissectorial para combater este problema, incluindo o reforço da literacia mediática e digital e a melhoria do jornalismo profissional.

Maputo, 02 de julho( AIM )– A desinformação em Moçambique consolidou-se como um problema sistémico ao longo de 2025, com o registo de pelo menos 81 casos no espaço digital, segundo o Relatório sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025, elaborado pelo MISA Moçambique.

De acordo com o relatório, “a maioria dos casos corresponde a conteúdos totalmente falsos, representando mais de 86 por cento das ocorrências analisadas”, o que evidencia uma tendência crescente de fabrico deliberado de informações com o objectivo de manipular a opinião pública. O documento destaca ainda que a área política foi a mais afectada, sobretudo após as eleições de 2024.

O Facebook destaca-se como a principal plataforma de disseminação da desinformação em Moçambique, sendo utilizado por páginas e perfis que operam, na sua maioria, de forma anónima ou sob pseudónimos. Muitos destes espaços simulam órgãos de comunicação social, recorrendo a nomes e formatos jornalísticos para conferir legitimidade a conteúdos falsos, tendo como principais alvos actores políticos, instituições do Estado e figuras públicas, gerando desconfiança e comprometendo a credibilidade.

No que diz respeito ao contexto,cerca de 7,12 milhões de moçambicanos têm acesso à internet, o equivalente a 19,8 por cento da população, enquanto 4,10 milhões utilizam redes sociais, o que contribui para a rápida disseminação de conteúdos, verdadeiros ou falsos. No entanto, estes avanços tecnológicos contrastam com baixos níveis de literacia digital e mecanismos ainda incipientes de verificação de factos.

O documento refere também que grupos de WhatsApp desempenham um papel relevante na propagação da desinformação, funcionando como canais fechados de rápida circulação de mensagens, vídeos e links, o que dificulta o controlo e a verificação da informação partilhada.

Segundo o MISA Moçambique, os produtores de desinformação utilizam diversas estratégias para enganar o público, incluindo títulos sensacionalistas, fotomontagens, documentos falsificados, links fraudulentos e falsas citações atribuídas a figuras públicas. Em muitos casos, estes conteúdos estão associados a interesses políticos, económicos ou à monetização através de tráfego digital.

A desinformação explora vulnerabilidades sociais, como o desemprego entre jovens, afectando particularmente cidadãos economicamente mais frágeis, candidatos a programas de financiamento e utilizadores com baixos níveis de literacia mediática e digital.

Face a este cenário, o relatório recomenda uma abordagem multissectorial para o combate à desinformação, incluindo o reforço da literacia mediática e digital, a criação de mecanismos mais eficazes de verificação de factos, o fortalecimento do jornalismo profissional e a melhoria da comunicação institucional por parte do Estado.

Conclui-se que, sem acções coordenadas e sustentadas, o espaço digital moçambicano continuará vulnerável à manipulação informacional, com impactos directos na estabilidade social, política e económica do país.

(AIM)

Laura Tembe/pc

 

Fonte: aimnews

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