Resumo
O Governo de Moçambique vai investir 9,5 milhões de meticais no reforço do sistema de rastreabilidade de sementes, visando combater a circulação de sementes falsas. Será implementado um sistema digital de etiquetagem que permitirá aos produtores verificar a autenticidade das sementes adquiridas através de um código único. A Directora Nacional de Sanidade e Biossegurança, Antónia Vaz, explicou que a medida visa eliminar sementes falsas, num contexto em que há poucos inspectores para fiscalizar a cadeia de sementes. Cerca de metade das sementes em circulação em Moçambique não são certificadas, o que afeta a produtividade agrícola. A introdução deste sistema de rastreabilidade pretende aumentar a confiança dos agricultores, reduzir perdas na produção e melhorar os níveis de produtividade no país.
O valor será aplicado na implementação de um sistema digital de rastreio e etiquetagem de sementes, que permitirá ao produtor confirmar, através de um código único associado a cada lote, se a semente adquirida foi ou não certificada pelas autoridades competentes.
“São 9,5 milhões de meticais para o sistema de rastreio das sementes, para garantir a eliminação das sementes falsas”, afirmou, na quarta-feira a Directora Nacional de Sanidade e Biossegurança, Antónia Vaz, à margem da Reunião Nacional de Sementes, que decorreu sob o lema ‘Semente de qualidade, garante do aumento da produção e produtividade’.
A responsável explicou que o sistema vai funcionar com base em etiquetas com códigos digitais, que poderão ser verificados pelos agricultores através de telemóvel, permitindo confirmar em tempo real a autenticidade da semente adquirida.
Segundo Antónia Vaz, a medida visa reforçar a fiscalização num contexto em que o país dispõe de um número reduzido de inspectores para o controlo da cadeia de sementes.
“Nós estamos a falar de 26 inspectores para o país inteiro. Esta solução vai ajudar também na fiscalização, mesmo estando no gabinete”, referiu.
A directora explicou que a produção de sementes obedece a procedimentos técnicos rigorosos, desde o registo das empresas produtoras, passando pelo acompanhamento do campo, controlo fitossanitário, colheita supervisionada e testes laboratoriais, até à certificação final e atribuição de número de lote.
Alertou, no entanto, que uma das principais fontes de sementes não certificadas resulta da mistura entre grão destinado ao consumo e semente certificada, o que compromete a produtividade agrícola.
“Produzir grão e produzir semente tem procedimentos diferentes. Quando nós produzimos grão e o usamos como semente, estamos a reduzir a produção e a produtividade”, explicou.
Antónia Vaz avançou ainda que estudos do sector indicam que cerca de 50 por cento das sementes em circulação no país não são certificadas, situação que tem impacto directo nos níveis de produtividade agrícola.
Referiu, contudo, que experiências internacionais mostram resultados positivos com a introdução de sistemas de rastreabilidade, citando casos em que a utilização de tecnologia semelhante permitiu reduzir significativamente a circulação de sementes falsas e melhorar os rendimentos agrícolas.
“Com a introdução deste sistema, nalguns países, como a Tanzânia, o uso de semente falsa baixou de 50 por cento para cerca de três por cento”, afirmou.
A directora sublinhou que o Governo irá também apostar em acções de sensibilização dos produtores, de forma a garantir a adesão ao sistema, incluindo os pequenos agricultores, que deverão usar telemóveis para validar a autenticidade das sementes no momento da compra.
“O próprio agricultor, mesmo aquele produtor que faz uma pequena área, usa telefone. Ele raspa, insere o código e confirma se é ou não semente certificada”, explicou.
O Executivo espera que o novo sistema contribua para aumentar a confiança dos agricultores, reduzir perdas na produção e melhorar os níveis de produtividade agrícola no país.
(AIM)
SNN
Fonte: aimnews






