Resumo
Foi o momento definidor do jogo Mais do que o golo de grande penalidade de Cristiano Ronaldo, o polémico tento anulado a Gvardiol ou até o espetacular 2-1 de Gonçalo Ramos, Roberto Martínez ganhou o duelo com a Croácia através da substituição de Cristiano Ronaldo por Rúben Neves, aos 81 minutos No plano tático, era uma alteração imperiosa Após quatro substituições de uma assentada, Portugal tinha perdido a capacidade de estancar os contra-ataques croatas, deixando Bernardo Silva praticamente sozinho no meio-campo defensivo e rodeado de balcânicos sedentos Na frente, Portugal já não tinha a mesma capacidade de pressionar o adversário, nem presença na grande área Gonçalo Ramos, o avançado suplente da Seleção e do PSG, já estava em campo (na posição de segundo avançado, em apoio a CR7) e, objetivamente, Ronaldo já pouco contribuía ativamente em campo naquele momento Impunha-se que o capitão, por exclusão de partes, fosse o sacrificado Ainda por cima, depois de já ter tido influência positiva no resultado E mesmo que, caso Portugal perdesse, o foco recaísse sobre essa decisão de Roberto Martínez É importante recordar que, quando questionado sobre a confiança nos elementos mais jovens um mês antes, Martínez puxou da final do Euro 2016: «Vencemos sem o capitão» Mas era preciso passar das palavras aos atos O selecionador teve coragem Ronaldo ainda gesticulou, mas compreendeu a hierarquia Ramos ficou entregue a si próprio e Rúben Neves, médio de equilíbrios motivado por uma data especial, entrou para voltar a pôr Portugal em igualdade de circunstâncias com a Croácia O jogo alterou-se substancialmente, favorecendo a Seleção das Quinas O tempo mostrou que essa decisão do selecionador foi muito acertada A provável desconfiança de Cristiano Ronaldo e da sua legião internacional de fãs transformou-se em festa aos 90+4m: Gonçalo Ramos saltou no meio de dois defesas e desferiu um cabeceamento irrepreensível Voltou a ser decisivo quando lhe foi dada oportunidade e celebrou junto de CR7 Foi bonito Esta substituição não teve apenas proveito tático Vai significar muito para dentro e fora do grupo da Seleção – afinal, não há jogadores intocáveis Todos, até o melhor jogador da história do futebol português, podem ser rendidos Mesmo na ‘Last Dance’ A reação de surpresa que a maioria de nós teve ao ver o placard com o número sete a vermelho deve ser combatida com mais momentos como este Mostra que a meritocracia está viva dentro do grupo Que as imagens de preleções de Martínez ao crónico suplente, durante os treinos, não foram apenas fachada E que todos têm, efetivamente, um papel ativo na Seleção Apenas têm de aguardá-lo e reagir com prontidão Tantas vezes criticado e esmiuçado (faz parte do cargo de selecionador de Portugal), Roberto Martínez teve um jogo de apostas certeiras contra a Croácia Rafael Leão rendeu João Félix e foi um dos melhores elementos; as quatro alterações à hora de jogo vieram a resultar no 1-1; e a quinta e última substituição, a última bala da roleta russa, foi certeira Foi um jogo ganho a partir do banco e, no processo, Martínez ganhou uma equipa Fonte: TVI
No plano tático, era uma alteração imperiosa. Após quatro substituições de uma assentada, Portugal tinha perdido a capacidade de estancar os contra-ataques croatas, deixando Bernardo Silva praticamente sozinho no meio-campo defensivo e rodeado de balcânicos sedentos. Na frente, Portugal já não tinha a mesma capacidade de pressionar o adversário, nem presença na grande área.
Gonçalo Ramos, o avançado suplente da Seleção e do PSG, já estava em campo (na posição de segundo avançado, em apoio a CR7) e, objetivamente, Ronaldo já pouco contribuía ativamente em campo naquele momento. Impunha-se que o capitão, por exclusão de partes, fosse o sacrificado. Ainda por cima, depois de já ter tido influência positiva no resultado.
E mesmo que, caso Portugal perdesse, o foco recaísse sobre essa decisão de Roberto Martínez. É importante recordar que, quando questionado sobre a confiança nos elementos mais jovens um mês antes, Martínez puxou da final do Euro 2016: «Vencemos sem o capitão». Mas era preciso passar das palavras aos atos.
O selecionador teve coragem. Ronaldo ainda gesticulou, mas compreendeu a hierarquia. Ramos ficou entregue a si próprio e Rúben Neves, médio de equilíbrios motivado por uma data especial, entrou para voltar a pôr Portugal em igualdade de circunstâncias com a Croácia. O jogo alterou-se substancialmente, favorecendo a Seleção das Quinas.
O tempo mostrou que essa decisão do selecionador foi muito acertada. A provável desconfiança de Cristiano Ronaldo e da sua legião internacional de fãs transformou-se em festa aos 90+4m: Gonçalo Ramos saltou no meio de dois defesas e desferiu um cabeceamento irrepreensível. Voltou a ser decisivo quando lhe foi dada oportunidade e celebrou junto de CR7. Foi bonito.
Esta substituição não teve apenas proveito tático. Vai significar muito para dentro e fora do grupo da Seleção – afinal, não há jogadores intocáveis. Todos, até o melhor jogador da história do futebol português, podem ser rendidos. Mesmo na ‘Last Dance’. A reação de surpresa que a maioria de nós teve ao ver o placard com o número sete a vermelho deve ser combatida com mais momentos como este.
Mostra que a meritocracia está viva dentro do grupo. Que as imagens de preleções de Martínez ao crónico suplente, durante os treinos, não foram apenas fachada. E que todos têm, efetivamente, um papel ativo na Seleção. Apenas têm de aguardá-lo e reagir com prontidão.
Tantas vezes criticado e esmiuçado (faz parte do cargo de selecionador de Portugal), Roberto Martínez teve um jogo de apostas certeiras contra a Croácia. Rafael Leão rendeu João Félix e foi um dos melhores elementos; as quatro alterações à hora de jogo vieram a resultar no 1-1; e a quinta e última substituição, a última bala da roleta russa, foi certeira. Foi um jogo ganho a partir do banco e, no processo, Martínez ganhou uma equipa.
Fonte: TVI





