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China desafia Airbus e Boeing: C919 estreia a sua primeira rota internacional

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Durante décadas, falar de aviões comerciais de médio curso significou praticamente escolher entre Airbus e Boeing. A China quer mudar este cenário e acaba de dar um passo importante: o COMAC C919 realizou a sua primeira ligação comercial internacional regular, ligando Pequim à capital da Mongólia.

O avião desenvolvido pela chinesa COMAC pretende concorrer diretamente com dois dos modelos mais importantes da aviação comercial mundial, o Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX.

A 12 de agosto, um C919 da Air China partiu do Aeroporto Internacional de Pequim Capital com destino a Ulaanbaatar, na Mongólia.

A ligação representa a primeira rota internacional regular do C919 entre a China e outro país desde que o avião entrou ao . A Air China utiliza os voos CA723 e CA724 nesta operação.

O voo CA723 parte de Pequim às 15:00 e chega a Ulaanbaatar às 17:15. No sentido inverso, o CA724 parte às 18:30, chegando à capital chinesa às 20:35. A distância é de aproximadamente 1150 quilómetros.

A importância deste passo está sobretudo no facto de não se tratar de um voo de demonstração ou de uma presença num salão aeronáutico. Estamos perante uma utilização comercial regular do avião fora da China.

Há, contudo, uma nuance importante. O C919 já operava fora da China continental. Desde janeiro de 2025 que a China Eastern Airlines utiliza o avião entre Xangai e Hong Kong, tendo posteriormente a Air China feito o mesmo entre Pequim e Hong Kong.

A Mongólia é, portanto, o primeiro país estrangeiro servido regularmente pelo modelo.

O C919 é provavelmente o projeto mais ambicioso da indústria aeronáutica comercial chinesa.

Trata-se de um avião de corredor único destinado principalmente a ligações de curto e médio curso, precisamente o gigantesco mercado dominado pelas famílias Airbus A320 e Boeing 737.

Na configuração utilizada pela Air China nesta rota, o C919 dispõe de 158 lugares, oito em classe executiva e 150 em económica.

É precisamente neste segmento que se encontra uma parte muito significativa da procura mundial por novos aviões. Milhares de ligações domésticas, europeias, asiáticas e norte-americanas são realizadas diariamente com aeronaves desta categoria.

A COMAC não pretende, portanto, construir apenas um avião destinado ao mercado chinês. A ambição passa por transformar-se, a prazo, num terceiro grande fabricante mundial.

Voar para a Mongólia é uma coisa. Conseguir vender C919 em grande escala fora da China será um desafio bastante maior.

O avião ainda não possui certificação das autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos ou da União Europeia. Sem essas aprovações, o acesso aos principais mercados internacionais permanece limitado.

A COMAC precisa igualmente de construir uma rede internacional de manutenção, peças, formação de pilotos e assistência técnica comparável às estruturas que Airbus e Boeing desenvolveram ao longo de décadas.

Para uma companhia aérea, comprar um avião não significa apenas adquirir a aeronave. É necessário garantir manutenção, peças sobresselentes, simuladores, formação e assistência durante décadas.

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p id="caption-attachment-1135957" class="wp-caption-text">O motor do C919 é produzido pela GE e Safran

 

Existe ainda outra questão importante. Apesar de ser apresentado como o grande avião comercial desenvolvido pela China, vários dos seus sistemas fundamentais continuam a ter origem estrangeira.

O exemplo mais evidente são os motores LEAP-1C, produzidos pela CFM International, uma joint venture entre a norte-americana GE Aerospace e a francesa Safran.

Vários sistemas eletrónicos e aeronáuticos são igualmente fornecidos por empresas ocidentais. Esta dependência representa uma vulnerabilidade para Pequim, sobretudo num contexto de crescentes tensões comerciais e tecnológicas entre a China e os Estados Unidos.

A estratégia chinesa passa, por isso, não apenas por aumentar a produção do C919, mas também por substituir progressivamente componentes estrangeiros por alternativas desenvolvidas internamente.

Ainda é cedo para colocar a COMAC ao nível de Airbus e Boeing, que têm milhares de aviões em operação, vastas carteiras de encomendas e redes de assistência construídas ao longo de décadas, enquanto a produção do C919 permanece muito aquém da escala dos concorrentes.

Ainda assim, a China tem uma vantagem clara, é um dos maiores mercados de aviação comercial do mundo, o que permite à COMAC aumentar a produção, ganhar experiência e melhorar o avião antes mesmo de conquistar clientes ocidentais.

A primeira rota internacional regular do C919, uma ligação de cerca de duas horas entre Pequim e Ulaanbaatar, pode parecer modesta, mas marca um momento simbólico: pela primeira vez, o avião que desafia o duopólio Airbus-Boeing transporta passageiros entre a China e outro país.

 

Fonte: Pplware

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