Resumo
Obrigado, Deus, pelo futebol, por Vozinha, por esta emoção, por este Argentina-Cabo Verde Que me perdoe o grande Victor Hugo Morales, mas se ele viu o golo do século a acontecer em direto à frente dos seus olhos, no Azteca, eu vi um dos jogos do século a acontecer também à frente dos meus olhos, aqui em Miami Porque aquilo que Cabo Verde fez está para lá de histórico Para lá de épico Para lá de homérico É quase sobrenatural É como se os deuses do futebol decidissem rasgar todos os guiões já inventados para, eles próprios, escreverem história em forma de verso Poesia pura Poesia que devia ser ensinada aos miúdos nas escolas E não apenas aos miúdos cabo-verdianos: devia ser ensinada, no mínimo, a todos o que partilham esta nossa língua Porque o que Cabo Verde fez esta noite foi provar ao mundo que a grandeza de uma nação não se mede em quilómetros quadrados Nem em valor do PIB, ou em milhões de habitantes Mede-se no tamanho do coração da sua gente E o coração desta equipa é tão grande, mas tão grande, que quase não lhe cabe no peito Alguns, mais aborrecidos, dirão que foi apenas um jogo de futebol Nada mais errado Não foi só um jogo: foi um milagre pintado de azul e embalado ao ritmo do funaná Cabo Verde, o pequeno e valente arquipélago, ajoelhou a Argentina toda-poderosa, a Argentina de Messi e Maradona, a Argentina campeã do mundo No fim perdeu e foi eliminado, dirão Também não é completamente verdade Durante os noventa minutos, ninguém venceu Cabo Verde Nem Espanha, nem o Uruguai, nem a Argentina Mas sim, foram eliminados Caíram aos pés da Argentina, o que não é nenhuma tragédia Aliás, é um palco reservado apenas aos grandes E Cabo Verde foi gigante Esteve duas vezes em desvantagem e por duas vezes conseguiu empatar o jogo Nunca se sentiu inferior, teve força e coragem para partir de trás e ir até ao fim, fez dois golaços e levou o jogo para prolongamento Aliás, se não fosse uma grande defesa de Emiliano Martínez no prolongamento, até podíamos estar aqui a falar de um final diferente O que diz tudo sobre o que foi este jogo Por isso, nha manos, hoje não há espaço para lágrimas de tristeza nas ruas da Praia, do Mindelo, do Sal ou na imensa diáspora espalhada pelo mundo Hoje é dia de chorar, sim, mas de orgulho: deste tremendo orgulho que transborda o Atlântico Cabo Verde não leva a vitória, mas leva algo muito mais raro e precioso: o respeito absoluto e a admiração do planeta do futebol São heróis Heróis de carne e osso, chegados daquele pequeno país que há um mês muitos nem sabiam que existia O Mundial vai continuar, é certo Mas ficou mais pobre Faltar-lhe-á a alegria, a dança, o sorriso aberto e a coragem indomável deste país, que se despede do torneio e entra diretamente para a galeria das lendas Mostraram que impossível é apenas uma palavra inventada por quem desiste Estrela: Vozinha Mais uma vez foi enorme Sofreu três golos, é certo, mas evitou muitos mais Travou com Messi um duelo particular e não se pode dizer que tenha saído a perder É que se Messi fez um golo, ele roubou-lhe vários mais, incluindo quando o astro vinha direto a ele isolado ou quando, à traição, aproveitava o momento em que ainda orientava a barreira para rematar Positivo: Sidny Cabral Que grande jogo Demorou a soltar-se, sobretudo na primeira parte, mas o tempo deu-lhe confiança e depois disso foi subindo pelo corredor esquerdo, para dar profundidade ao ataque Marcou um golaço que levou o jogo para prolongamento e viu Emiliano Martínez fazer um tremenda defesa, que lhe tirou o segundo golo do jogo e, por certo, os penáltis Fonte: TVI
Que me perdoe o grande Victor Hugo Morales, mas se ele viu o golo do século a acontecer em direto à frente dos seus olhos, no Azteca, eu vi um dos jogos do século a acontecer também à frente dos meus olhos, aqui em Miami.
Porque aquilo que Cabo Verde fez está para lá de histórico. Para lá de épico. Para lá de homérico. É quase sobrenatural. É como se os deuses do futebol decidissem rasgar todos os guiões já inventados para, eles próprios, escreverem história em forma de verso.
Poesia pura.
Poesia que devia ser ensinada aos miúdos nas escolas. E não apenas aos miúdos cabo-verdianos: devia ser ensinada, no mínimo, a todos o que partilham esta nossa língua.
Porque o que Cabo Verde fez esta noite foi provar ao mundo que a grandeza de uma nação não se mede em quilómetros quadrados. Nem em valor do PIB, ou em milhões de habitantes.
Mede-se no tamanho do coração da sua gente.
E o coração desta equipa é tão grande, mas tão grande, que quase não lhe cabe no peito.
Alguns, mais aborrecidos, dirão que foi apenas um jogo de futebol. Nada mais errado. Não foi só um jogo: foi um milagre pintado de azul e embalado ao ritmo do funaná. Cabo Verde, o pequeno e valente arquipélago, ajoelhou a Argentina toda-poderosa, a Argentina de Messi e Maradona, a Argentina campeã do mundo.
No fim perdeu e foi eliminado, dirão. Também não é completamente verdade. Durante os noventa minutos, ninguém venceu Cabo Verde. Nem Espanha, nem o Uruguai, nem a Argentina.
Mas sim, foram eliminados. Caíram aos pés da Argentina, o que não é nenhuma tragédia. Aliás, é um palco reservado apenas aos grandes. E Cabo Verde foi gigante.
Esteve duas vezes em desvantagem e por duas vezes conseguiu empatar o jogo. Nunca se sentiu inferior, teve força e coragem para partir de trás e ir até ao fim, fez dois golaços e levou o jogo para prolongamento.
Aliás, se não fosse uma grande defesa de Emiliano Martínez no prolongamento, até podíamos estar aqui a falar de um final diferente. O que diz tudo sobre o que foi este jogo.
Por isso, nha manos, hoje não há espaço para lágrimas de tristeza nas ruas da Praia, do Mindelo, do Sal ou na imensa diáspora espalhada pelo mundo.
Hoje é dia de chorar, sim, mas de orgulho: deste tremendo orgulho que transborda o Atlântico.
Cabo Verde não leva a vitória, mas leva algo muito mais raro e precioso: o respeito absoluto e a admiração do planeta do futebol. São heróis. Heróis de carne e osso, chegados daquele pequeno país que há um mês muitos nem sabiam que existia.
O Mundial vai continuar, é certo. Mas ficou mais pobre. Faltar-lhe-á a alegria, a dança, o sorriso aberto e a coragem indomável deste país, que se despede do torneio e entra diretamente para a galeria das lendas.
Mostraram que impossível é apenas uma palavra inventada por quem desiste.
Estrela: Vozinha
Mais uma vez foi enorme. Sofreu três golos, é certo, mas evitou muitos mais. Travou com Messi um duelo particular e não se pode dizer que tenha saído a perder. É que se Messi fez um golo, ele roubou-lhe vários mais, incluindo quando o astro vinha direto a ele isolado ou quando, à traição, aproveitava o momento em que ainda orientava a barreira para rematar.
Positivo: Sidny Cabral
Que grande jogo! Demorou a soltar-se, sobretudo na primeira parte, mas o tempo deu-lhe confiança e depois disso foi subindo pelo corredor esquerdo, para dar profundidade ao ataque. Marcou um golaço que levou o jogo para prolongamento e viu Emiliano Martínez fazer um tremenda defesa, que lhe tirou o segundo golo do jogo e, por certo, os penáltis.
Fonte: TVI


