Parece, por vezes, estar ainda a recuperar os antigos ficheiros do chip de extremo. E até a recuperar a melhor forma física após uma época 2025/26 atribulada. Mas neste jogo será praticamente unânime a decisão de considerar Rafa Silva como a figura. Mais comprometido na defesa do que o habitual, foi também o jogador mais perigoso no ataque. Na primeira parte, não conseguiu desviar a bola de cabeça para a baliza. Na segunda, fez aquilo que sabe melhor – quebrou a linha defensiva com uma bela receção, seguiu em corrida e picou a bola por cima do guarda-redes, com frieza. A mesma frieza com que celebra. Exibição à Rafa Silva.
O jogo pedia golos para dar mais ânimo às bancadas. Rafa Silva correspondeu com um golaço característico. Pavlidis lançou-o em profundidade numa zona que seria mais do ponta-de-lança do que propriamente do extremo-direito. Mas ainda bem que estava ali Rafa. Recebeu orientado, criando a dúvida nos centrais, e picou por cima de Luiz Júnior, ex-Famalicão. Classe.
Manu Silva: jogou 45 minutos, mas mostrou mais uma vez que pode encaixar no onze inicial. Ainda por cima, em duas posições – médio ou defesa-central. Entrou aos 45 para o meio da defesa recuando os anos, voltando a uma posição em que se destacou no Feirense e V. Guimarães, antes de Rui Borges adaptá-lo a à posição seis. Ganhou todos os duelos a que se propôs, impondo o físico com lealdade. Talvez o Benfica não precise de procurar tanto por um central no mercado.
Vangelis Pavlidis: golo e assistência para o grego. Este 4-4-2 parece beneficiá-lo – já não está tão sozinho na posição nove e pode contribuir naquilo que é realmente bom, a ligação entre o meio-campo e o ataque. Ora descia para receber, ora ficava na frente. Trabalhou muito bem no lance do golo, tirando um adversário da frente e atirando com finesse.
Samuel Dahl: se no ínicio da época havia dúvidas sobre a preferência entre o sueco e José Neto, por parte do novo treinador, estes dois jogos parecem tê-las esclarecido. Assertivo e dinâmico, ocupando posições um pouco mais altas do que na época passada, Dahl mostrou não foi um problema para Marco Silva. E isso já não é mau.
António Silva e Lenglet: a dupla de centrais da primeira parte não comprometeu nem teve erros tão flagrantes quanto no este contra o Flamengo. Em posse, porém, nota-se ainda alguma falta de entendimento. O jovem capitão foi aplaudido pelos adeptos quando saiu (mas transmitiu uma dor na perna no momento da saída).
Gianluca Prestianni: ainda teve 20 minutos para mostrar o seu perfume, tanto apreciado pelos benfiquistas, que aplaudem-no invariavelmente. Da direita para o meio, fez uma assistência clássica para Pavlidis, que trabalhou bem o lance. Trabzonspor deve ter assistido com atenção.
Enzo Barrenechea: errático no posicionamento, algo que já é habitual no seu jogo, mas impressionou pela negativa nos passes, aquela que é a sua maior valência. Falhou de forma displicente e arriscou o segundo amarelo com entradas de pitôn que, felizmente para ele, iam acertando na bola.
Heorhiy Sudakov: fora dela. Tanto no que diz respeito a criatividade, como a nível físico. Dá a impressão que é um dos jogadores titulares em pior condição, com mudanças de direção previsíveis e lento a recuperar a posição. No último terço, não teve grande impacto.
Fonte: TVI






