Por: Alfredo Júnior
A escritora e poetisa moçambicana Irene Mafalacusser conquistou a 4.ª edição do Prémio Literário Carlos Morgado 2026, tornando-se a primeira mulher a vencer o concurso desde a sua criação, há quatro anos. A distinção foi atribuída pelo conto A Mulher que Levou o Gago Consigo, durante a cerimónia realizada no passado dia 9 de Julho, em Maputo, onde foram igualmente apresentadas as dez novas vozes da literatura moçambicana.
Além do reconhecimento literário, a vencedora recebeu um prémio monetário de 50 mil meticais, um certificado e verá a sua obra integrada na colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, publicação que reúne os dez melhores contos distinguidos nesta edição. Os restantes nove finalistas receberam certificados de participação, um conjunto de livros de autores moçambicanos e exemplares da colectânea, num valor global de cinco mil meticais para cada um.
Instituído pela Fundação Carlos Morgado e organizado pela Catalogus, o prémio foi criado com o objectivo de incentivar a produção literária nacional e descobrir novos talentos da ficção moçambicana. A edição de 2026 contou com 196 contos submetidos por autores de diferentes províncias do país. Destes, 117 textos passaram à fase de avaliação, 30 foram seleccionados como semifinalistas e, posteriormente, foram escolhidos os dez finalistas e a vencedora.
Os outros autores distinguidos nesta edição são Aldo Mondulai, Arnaldo Tembe, Chaponda Marcos, Elton Cumbi, Elton Mahumane, Ericson Sembua, Gilberto Quefaz, Gonçalves Nhauando e Neyd Amadeu. Todos terão os seus contos publicados na colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, iniciativa que procura dar visibilidade a escritores emergentes e facilitar a sua entrada no panorama literário nacional.
Natural da cidade de Maputo, Irene Mafalacusser dedica-se à escrita de contos, poesia e prosa, explorando temas como a memória, os afectos, a identidade e as desigualdades sociais. Paralelamente à actividade literária, exerce funções na área de Engenharia e Gestão da Construção Civil, conciliando a carreira técnica com a produção cultural.
O júri da edição de 2026 foi composto por Aíssa Mithá, bibliotecária e promotora da leitura, pelo escritor Bento Baloi e por Marina Morgado, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos. A organização sublinhou que a diversidade geográfica dos concorrentes, provenientes de províncias como Cabo Delgado, Niassa, Sofala, Tete, Manica, Inhambane, Nampula, Maputo Cidade e Maputo Província, demonstra o crescente interesse pela criação literária em todo o país.
Nas edições anteriores, o Prémio Literário Carlos Morgado distinguiu Francisco Panguana Júnior, em 2023, com A Ilegítima Defesa de Adão; Alfoi Renato Bernardo Firme, em 2024, com O Transportador de Universos e as Lamúrias de Akbar; e Alex Alexandre Gujamo, em 2025, com Estamos em Silêncios Divinos. Com a vitória de Irene Mafalacusser, o concurso assinala um marco simbólico ao reconhecer, pela primeira vez, uma autora como vencedora da principal distinção destinada às novas vozes da literatura moçambicana.






