Por: Virgílio Timana
O Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), apresentou esta sexta-feira, 26 de junho, na cidade de Maputo, o Regulamento do Concurso Nacional de Literatura, uma iniciativa que pretende incentivar a criação literária e descobrir novos escritores.
O concurso, lançado pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, em dezembro de 2025, conta com o alto patrocínio da Presidência da República e visa promover a produção literária, reconhecer autores moçambicanos e estimular o gosto pela leitura e pela escrita.
Na abertura da cerimónia, o secretário-geral da AEMO, Filimónio Meigos, afirmou que a iniciativa representa mais um passo na valorização da literatura nacional e no fortalecimento da identidade cultural do país. "Estamos convictos de que estamos a materializar um dos nossos maiores desígnios: encorajar, estimular e acarinhar o surgimento de novos escritores por este país afora, para que mais livros sejam escritos e enriqueçam a nossa Biblioteca Nacional."
O responsável recordou ainda que a literatura moçambicana continua viva através de obras que marcaram diferentes gerações, defendendo que o concurso contribuirá para ampliar esse legado.
Por sua vez, o secretário-geral adjunto da AEMO, Lucílio Manjate, explicou que a comissão criada para organizar o concurso já concluiu a elaboração do regulamento e constituiu o júri, cuja composição apenas será divulgada no dia da entrega dos prémios. "O regulamento já estará disponível na página do Ministério da Educação e Cultura e nos canais da Associação dos Escritores Moçambicanos. A partir de hoje, a comissão passa a trabalhar na monitoria das candidaturas e na organização da gala de premiação."

Ao declarar oficialmente abertas as candidaturas, a Ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Filimone Tovela, destacou que a literatura acompanhou os principais momentos da história do país, desde a luta de libertação nacional até à construção da identidade moçambicana após a independência.
Segundo a governante, o concurso pretende desafiar escritores de todas as províncias a reflectirem, através da escrita, sobre os primeiros 50 anos da independência e sobre os desafios do futuro. "O concurso nasceu com o propósito claro de passar o testemunho à nova geração de moçambicanos e desafiá-la a responder, através da literatura, a perguntas fundamentais: quem somos, o que somos hoje e que Moçambique queremos construir nos próximos cinquenta anos."
A ministra anunciou igualmente que as candidaturas decorrem entre 26 de junho e 11 de Setembro de 2026, nas categorias de Poesia, Literatura Infantojuvenil, Ficção Narrativa (conto, novela e romance) e Ensaio Literário. Cada categoria terá um prémio único de um milhão de meticais, sendo que as obras vencedoras serão editadas e publicadas pelo Ministério da Educação e Cultura.

À margem da cerimónia, o escritor, poeta, declamador bantu e tradutor em língua changana Mabjeca Tingana saudou a criação do concurso, considerando que a iniciativa poderá impulsionar a literatura moçambicana e abrir espaço para novos autores. Contudo, defendeu que futuras edições deverão dar maior protagonismo às línguas nacionais.
Autor de Ndzhutini (Na Sombra), obra publicada em 2022 e escrita integralmente em changana, Tingana afirmou que "faltou maior clareza sobre a possibilidade de o concurso contemplar obras escritas nas línguas moçambicanas", lembrando que Moçambique possui uma rica diversidade linguística que merece ser valorizada. "Fala-se de literatura, mas quase sempre usando uma língua que não é nossa. O português é a nossa língua de comunicação, mas é importante olharmos também para as nossas línguas e para quem pretende escrever nelas. Precisamos de ser mais nós enquanto moçambicanos."
O escritor reconheceu, no entanto, que esta primeira edição representa um ponto de partida e defendeu que o seu verdadeiro impacto será medido com a implementação do concurso. "Vamos ver como as pessoas vão reagir. Imagino que haverá críticas e opiniões diferentes, o que é normal. O importante é acompanhar o processo e perceber no que esta iniciativa poderá resultar para a literatura moçambicana."

Com o lançamento oficial do regulamento e a abertura das candidaturas, o Governo pretende transformar as comemorações dos 50 anos da Independência numa oportunidade para reforçar a criação literária, descobrir novos talentos e consolidar a literatura como um dos pilares da identidade, da memória e da cultura de Moçambique.






