Por: Alfredo Júnior
O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou que os primeiros desembolsos da linha de crédito de 500 milhões de euros destinada a apoiar empresas portuguesas com investimentos em Moçambique deverão ocorrer ainda durante o segundo semestre deste ano, sublinhando que Portugal continua a ser um "parceiro estratégico" para o desenvolvimento económico do país.
Segundo o Chefe do Estado, os dois governos encontram-se a concluir os procedimentos técnicos e administrativos necessários para operacionalizar o mecanismo financeiro, criado para facilitar o financiamento de projectos empresariais portugueses em território moçambicano.
"Estamos a trabalhar neste sentido, para que ao longo deste segundo semestre deste ano haja já desembolso dos valores e os projectos que foram definidos possam realmente arrancar", afirmou Daniel Chapo, acrescentando que ainda existem etapas processuais por concluir antes da disponibilização efectiva dos recursos.
A linha de crédito foi anunciada em Dezembro de 2025, durante a VI Cimeira Portugal–Moçambique, realizada na cidade do Porto, onde os dois países assinaram 22 instrumentos jurídicos de cooperação destinados a reforçar as relações económicas, políticas e institucionais. Na ocasião, o Governo português explicou que o mecanismo financeiro pretende incentivar o investimento empresarial português em Moçambique e apoiar projectos considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país.
O protocolo estabelece uma linha de financiamento até 500 milhões de euros, acessível a empresas portuguesas interessadas em desenvolver projectos em Moçambique, sobretudo nos sectores das infra-estruturas, energia, indústria, agricultura, turismo e outros considerados prioritários para a economia moçambicana. O instrumento deverá funcionar através de garantias financeiras que reduzam o risco dos investimentos e facilitem o acesso ao crédito.
Para Daniel Chapo, a concretização desta linha representa um sinal de confiança dos parceiros portugueses na economia moçambicana e reforça o papel de Portugal como um dos principais investidores estrangeiros no país. O Presidente destacou que a cooperação económica entre os dois Estados deverá contribuir para estimular a actividade empresarial, promover a transferência de conhecimento, criar emprego e dinamizar sectores considerados essenciais para o crescimento económico.
Portugal mantém uma presença significativa na economia moçambicana, através de centenas de empresas que operam em áreas como banca, construção, energia, telecomunicações, indústria transformadora, consultoria, educação e serviços. De acordo com os governos dos dois países, o reforço da cooperação económica pretende igualmente criar condições para aumentar o investimento privado e consolidar as relações comerciais bilaterais.
A operacionalização da linha de crédito surge num momento em que Moçambique procura atrair mais investimento externo para acelerar a industrialização, modernizar infra-estruturas e diversificar a economia. O Executivo tem defendido que a mobilização de financiamento internacional, associada a reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, será determinante para impulsionar o crescimento económico e aumentar a competitividade do sector privado.






