·
Uma peça de um foguetão Falcon 9 da SpaceX está em rota de colisão com a Lua e deverá atingir a superfície lunar no próximo 5 de agosto de 2026, por volta das 07h35 em Portugal continental.
O evento não representa qualquer perigo para a Terra, mas constitui uma oportunidade científica rara, já que poderá ser o primeiro impacto artificial na Lua observado em tempo real por astrónomos de todo o mundo.
O objeto é o segundo estágio de um Falcon 9, da SpaceX, utilizado no lançamento de 15 de janeiro de 2025, que transportou as missões lunares (Firefly Aerospace) e (ispace).
Depois de colocar as duas sondas na trajetória para a Lua, o estágio superior esgotou praticamente todo o combustível disponível e ficou numa órbita altamente elíptica entre a Terra e a Lua.
Sem capacidade para regressar de forma controlada ou escapar para uma órbita heliocêntrica, acabou por ser capturado pelas perturbações gravitacionais do sistema Terra-Lua. Ao longo de cerca de um ano e meio, essas pequenas alterações foram suficientes para colocar o objeto numa trajetória inevitável de impacto.
Os apontam para uma colisão nas proximidades da , localizada junto ao limite visível da face da Lua voltada para a Terra.
Embora a posição exata possa ainda sofrer pequenos ajustes, a previsão é atualmente considerada bastante robusta pelos astrónomos que acompanham a trajetória do objeto.
O estágio superior pesa cerca de e deverá atingir a superfície lunar a aproximadamente:
Ao contrário do que aconteceria no nosso planeta, a Lua praticamente não possui atmosfera. Isso significa que o objeto chegará praticamente intacto à superfície, sem sofrer qualquer travagem por atrito atmosférico.
Apesar da elevada velocidade, o impacto será relativamente pequeno à escala da Lua.
Os cientistas estimam que:
Para comparação, a Lua recebe milhares de impactos naturais de meteoritos ao longo dos anos, alguns bastante mais energéticos do que este.
É aqui que reside uma das partes mais interessantes.
Como o impacto ocorrerá numa região iluminada da Lua e muito próxima do bordo visível, existe a possibilidade de telescópios terrestres conseguirem observar:
Os investigadores acreditam que grandes observatórios terão as melhores hipóteses de sucesso, embora alguns astrónomos amadores equipados com telescópios de maior dimensão também possam tentar registar o fenómeno. Ainda assim, não existe garantia de que o clarão seja facilmente visível.
Embora resulte de lixo espacial, este impacto representa uma oportunidade única.
Os cientistas pretendem utilizar o evento para:
É um caso raro em que um pedaço de lixo espacial acaba por fornecer informação científica valiosa.
Fonte: Pplware






