Se andas atento às redes sociais, e às notícias na TV, já deves ter ouvido falar acerca de uma alegada “invasão” em Ceuta, território Espanhol. É uma situação importante, à qual deves estar atento(a). Mas, também há muita desinformação na Internet, especialmente nas já mencionadas redes sociais.
Vamos meter os pontos nos i’s?
Portanto, aconteceu o impensável, e rapidamente começam os gritos de “invasão” por parte de extremos políticos, bem como o pânico generalizado nas redes sociais e a habitual caça às bruxas contra migrantes e muçulmanos.

Ceuta é um enclave (território cujas fronteiras estão totalmente cercadas pelas terras de um único outro país ou região) espanhol em território histórico marroquino. No fundo, uma herança colonial que por vezes muitos de nós esquecemos. Curiosamente, e caso não saibas, Ceuta já foi Portuguesa, a sua própria bandeira continua com uma herança muito nossa.
Dito isto, quem entra em Ceuta não ganha um bilhete automático para a Europa continental. De facto, a cidade nem sequer faz parte do espaço Schengen sem restrições. Para passar de lá para a Península Ibérica é preciso um visto ou um processo de asilo aprovado.
Além disso, Espanha e Marrocos têm acordos claros e a maioria destas pessoas acaba por ser devolvida.
A cronologia é interessante, e demonstra muita coisa.
Pedro Sánchez decidiu reaproximar-se da Argélia, o rival histórico do reino de Marrocos na região, por causa de contratos de gás natural e diplomacia energética. Como seria de esperar, o rei de Marrocos não achou piada nenhuma à brincadeira. E qual é a forma mais eficaz que Rabat tem para dar um “aviso” a Madrid? Abrir ligeiramente a torneira da vigilância fronteiriça e deixar que milhares de jovens desesperados tentem a sua sorte a nado ou a pé.
O desespero de quem se atira ao mar é 100% real. Mas o aproveitamento que vem de cima também tem um profundo impacto. Acima de tudo, a juventude marroquina vê poucas perspetivas de futuro no seu país e agarra-se a qualquer oportunidade para fugir. Mas a forma como essas vagas são instrumentalizadas nos bastidores é puramente calculated.
Enquanto a comunicação social se alimenta do dramatismo e os políticos usam as imagens para alimentar guerras de narrativa e discursos de ódio, a realidade no terreno permanece inalterada. As devoluções vão acontecer, os controlos vão apertar temporariamente e o enclave vai voltar ao seu estado de equilíbrio precário até à próxima rutura diplomática.
Mas, até que tudo chegue à sua conclusão, ainda se vai ver muita coisa a acontecer. Até porque, ao que tudo indica, continuam a passar milhares de Marroquinos pela fronteira.
Achas que a situação em Ceuta é uma crise migratória genuína ou apenas chantagem política de Marrocos? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.
Fonte: Zero Zero






