InícioRevistaTecnologiaSistema Volta: Portugueses não percebem nada de reciclagem?

Sistema Volta: Portugueses não percebem nada de reciclagem?

Aqui não estou a falar do sistema em si, que de facto tem falhas graves. Estou mesmo a falar do facto de as pessoas ainda não perceberem muito bem como é que a reciclagem funciona. Até as pessoas que já faziam a separação de resíduos antes da chegada do Volta, faziam porque achavam correto, mas sem entender o processo a 100%.

Caso não saibas, nem tudo o que reciclas pode ser utilizado até ao infinito. A reciclagem ajuda, mas não é garantida. Além disso, até nos materiais que podem ser reciclados para todo o sempre, o gasto de energia pode não compensar o processo para quem produz.

Portanto, a realidade é que nos venderam a ideia de que metes qualquer tralha no ecoponto e ela ganha uma vida nova. É uma narrativa linda para fazer o consumidor sentir-se bem com o planeta, mas a realidade é bastante diferente. Ou seja, a esmagadora maioria dos materiais degrada-se a cada ciclo. Se achas que aquele garrafão de plástico vai ser reciclado infinitamente, é pena, mas isso não acontece.

A capacidade de reciclagem depende exclusivamente da química do material. Enquanto há elementos que aguentam o processo sem pestanejar, outros viram lixo inutilizável ao fim de meia dúzia de idas à fábrica.

volta

No topo da hierarquia estão o alumínio e o vidro. Estes dois materiais são os verdadeiros campeões da sustentabilidade porque podem ser derretidos e moldados vezes sem conta sem perderem rigorosamente nada em pureza, resistência ou qualidade original.

Por sua vez, uma lata de refrigerante em alumínio pode voltar a ser exatamente a mesma lata daqui a cem anos.

E o resto?

O papel e o cartão, por exemplo, têm os dias contados a cada ciclo. As fibras de celulose vão-se encurtando e enfraquecendo a cada reprocessamento, o que significa que um pedaço de papel só aguenta entre 4 a 6 utilizações antes de ficar inútil.

Mas o verdadeiro vilão é mesmo o plástico. Com o calor brutal do reprocessamento, as cadeias de polímeros quebram-se irremediavelmente. O resultado? O plástico perde resistência mecânica, obrigando as fabricantes a misturar material virgem ou a empurrar o plástico reciclado para produtos de menor qualidade (o chamado downcycling).

No fim do dia, reciclar é preciso, mas parar de achar que o ecoponto resolve a vergonha do consumo desenfreado de plástico é o primeiro passo para encarar o problema de frente. Reciclar é preciso, mas ter noção é cada vez mais importante.

É por isso que o Sistema Volta, apesar das suas falhas, é necessário. Porque vai sempre resultar num consumo menor de plástico.

E tu por aí, achavas que o plástico durava para sempre ou já sabias que a reciclagem tem limites? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.

 

Fonte: Zero Zero

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