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A empresa que faz os drones que espantaram a Rússia acaba de assinar um contrato com a Força Aérea Portuguesa

A tecnológica portuguesa Tekever assinou um contrato com a Força Aérea Portuguesa, que passa a dispor de capacidade autónoma do sistema AR5 (drones) para missões de vigilância marítima, segurança e defesa, e monitorização da Zona Económica Exclusiva (ZEE).

"O contrato contempla igualmente a formação dos operadores, bem como o fornecimento da estação de controlo terrestre (Ground Control Station) e do sistema de missão ATLAS", adianta a tecnológica e a Força Aérea, em comunicado divulgado esta terça-feira, sem adiantar valor do contrato.

De recordar que a Tekever fabrica também o AR3, drone que a Rússia abateu há uma semana, tendo afirmando que as suas forças ficaram surpreendidas com o dispositivo.

Este contrato "representa um passo decisivo no reforço imediato das capacidades operacionais da Força Aérea Portuguesa e na modernização contínua dos seus meios aéreos, estando a entrega dos sistemas e a obtenção da capacidade operacional inicial previstas já para o próximo mês de setembro".

O sistema AR5 vai permitir "à Força Aérea Portuguesa reforçar a sua autonomia operacional em missões de longo alcance".

As plataformas serão empregues em missões de vigilância marítima, segurança e defesa, monitorização da ZEE e apoio a missões de interesse público, incluindo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), a segurança costeira e a proteção ambiental.

Para assegurar a utilização autónoma e eficaz desta nova capacidade, a Tekever vai implementar "um programa completo de transferência de conhecimento" e "a formação inicial dos militares da Força Aérea será concluída até setembro, coincidindo com a entrega dos sistemas".

A segunda fase de formação "decorrerá em outubro, consolidando a plena prontidão operacional e o desenvolvimento de novas competências das equipas de operação".

"A incorporação do sistema AR5 representa um reforço significativo das capacidades operacionais da Força Aérea Portuguesa. Esta plataforma responde aos requisitos atuais de vigilância, segurança e defesa, proporcionando maior alcance, persistência e flexibilidade operacional", afirma o tenente-coronel Luís Henriques, coordenador operacional do grupo de Trabalho AR5 da Força Aérea Portuguesa, citado em comunicado.

A sua integração "permitirá reforçar a capacidade nacional de monitorização da Zona Económica Exclusiva e de apoio a um vasto conjunto de missões de interesse público, contribuindo para uma Força Aérea mais preparada para responder aos desafios presentes e futuros", remata.

Por sua vez, Pedro Petiz, diretor de desenvolvimento estratégico da Tekever salienta que "este contrato coloca uma capacidade autónoma desenvolvida e produzida em Portugal ao serviço da proteção do nosso espaço aéreo e marítimo".

Além do fornecimento das aeronaves, "vamos cooperar com a Força Aérea Portuguesa na consolidação e desenvolvimento de uma capacidade operacional própria que reforça a autonomia, a prontidão e a capacidade de resposta nacional", conclui Pedro Petiz.

Os sistemas da tecnológica "acumulam milhares de horas de voo em missões de patrulhamento costeiro, vigilância persistente, proteção de fronteiras, deteção de atividades suspeitas, proteção ambiental e busca e salvamento".

Esta experiência, adianta a tecnológica, "foi consolidada através de operações realizadas para entidades nacionais e internacionais, incluindo o Home Office do Reino Unido e a Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA)".

Estes sistemas encontram-se também em operação na Ucrânia, onde desempenham missões de vigilância e reconhecimento em ambiente operacional.

O Tekever AR5 é um sistema aéreo não tripulado de asa fixa, de média altitude e longa autonomia (MALE), concebido para missões de recolha de informação em grandes áreas.

Tem autonomia de voo até 20 horas e capacidade para transportar até 50 kg de carga útil e integra comunicações via satélite (SATCOM), permitindo operações para além da linha de vista rádio (BRLOS).

A sua capacidade para operar a partir de pistas curtas ou não preparadas garante elevada flexibilidade e resiliência operacional, mesmo nos cenários mais exigentes, segundo a empresa.

O despacho n.º 13722/2025 (https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/13722-2025-946874302), de novembro passado, autoriza a Força Aérea a assumir o encargo plurianual e a realizar a respetiva despesa com a aquisição de um sistema aéreo não tripulado, e delega poderes para a prática dos atos subsequentes.

Segundo o documento, o Ministério da Defesa autoriza "a Força Aérea a assumir o encargo plurianual e a realizar a respetiva despesa, nos anos de 2025 e 2026, com a aquisição de um sistema aéreo não tripulado, classe 2, até ao montante máximo de 7.796.747,97 euros", ao qual acresce "o imposto sobre o valor acrescentado (IVA), à taxa legal em vigor, a financiar através de verbas da Lei de Programação Militar, com inscrição na Força Aérea, na Capacidade 'Operações Aéreas de Vigilância, Reconhecimento e Patrulhamento Terrestre e Marítimo'".

 

Fonte: TVI

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