Maputo, 15 de Agosto (AIM) – O Presidente da África do Sul e Presidente em exercício da SADC, Cyril Matamela Ramaphosa, desafiou os Estados Membros da organização regional a transformarem os abundantes recursos minerais, agrícolas, energéticos e humanos da África Austral em força produtiva, capaz de acelerar a industrialização, aprofundar a integração regional e reduzir a dependência dos mercados externos.
Ramaphosa lançou o desafio durante a SADC Public Lecture, realizada a 14 de Agosto, na Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, África do Sul, numa altura em que a região se prepara para o 46.º Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC.
Sob o lema “Traduzir a Visão 2050 da SADC em Acção: Caminhos para a Solidariedade, Igualdade e Prosperidade Partilhada”, a palestra reuniu dirigentes políticos, instituições da SADC, académicos, empresários, representantes da sociedade civil, líderes tradicionais e comunitários, mulheres, jovens e estudantes.
No centro da intervenção de Ramaphosa esteve a necessidade de a SADC abandonar a lógica de declarações e transformar a Visão 2050 em acções concretas, investimentos e resultados mensuráveis para as populações da região.
O estadista sul-africano defendeu maior processamento regional de minerais críticos e produtos agrícolas, o reforço da capacidade industrial e a criação de cadeias de valor regionais, nas quais os Estados Membros possam combinar recursos e capacidades para produzir em conjunto.
Para o Presidente da SADC, a integração regional deve deixar de estar limitada a acordos e instituições e traduzir-se numa maior capacidade de produção, comércio e criação de emprego dentro da própria região.
Ramaphosa apontou igualmente a eliminação das barreiras ao comércio intra-SADC como uma das condições para dinamizar o mercado regional.
Entre as medidas defendidas estão a harmonização de regulamentos, a melhoria dos processos fronteiriços e a criação de condições para facilitar a circulação de bens e serviços, abrindo maiores oportunidades para empresas, empreendedores e trabalhadores.
O Presidente destacou ainda a necessidade de uma infra-estrutura regional integrada, abrangendo corredores de transporte, sistemas energéticos, portos, redes logísticas e conectividade digital, como base para ligar mercados e sustentar a produção industrial.
Na frente financeira, Ramaphosa apelou à mobilização de mais recursos africanos e regionais para financiar projectos estratégicos transfronteiriços e reduzir a dependência do financiamento externo.
Neste domínio, apontou o potencial das instituições financeiras regionais, fundos de pensões, instituições públicas de investimento, bancos comerciais e capital privado para apoiar as prioridades de desenvolvimento da África Austral.
A aposta deverá estender-se a sectores considerados estratégicos, como a indústria farmacêutica, tecnologia digital e agricultura, áreas que, segundo o Presidente, podem reforçar a soberania económica e sanitária da região.
Na agricultura, Ramaphosa destacou investimentos em irrigação, tecnologia, desenvolvimento de sementes, ciência veterinária e agro-processamento, com potencial para elevar a produtividade, melhorar a segurança alimentar e gerar emprego.
O Presidente sul-africano defendeu que os benefícios da integração regional devem alcançar de forma inclusiva as mulheres e os jovens, considerados actores fundamentais da transformação económica da SADC.
Ramaphosa colocou igualmente a paz, a segurança, a boa governação e a resiliência climática como elementos indispensáveis ao desenvolvimento sustentável da região.
O Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, reforçou a necessidade de maior solidariedade regional, auto-suficiência e acção colectiva, num contexto internacional marcado pelo aumento da competição geopolítica, tensões comerciais e disputas pelos recursos africanos.
Por sua vez, o Secretário Executivo da SADC, Elias Magosi, defendeu que a Visão 2050 deve produzir resultados tangíveis em áreas como infra-estruturas, industrialização, cadeias de valor regionais, emprego, energia, segurança alimentar e melhoria das condições de vida.
(AIM)
Redacção
Fonte: aimnews






