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O telescópio James Webb detetou água e poeira de silicato em torno de IRS 3, uma estrela moribunda a apenas 0,55 anos-luz de Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo da Via Láctea.
O telescópio espacial James Webb em torno de IRS 3, uma estrela nos últimos estágios de vida, localizada a meros 0,55 anos-luz de , o buraco negro supermassivo que ocupa o centro da nossa galáxia.
A descoberta desafia a ideia de que a radiação intensa emitida pelo núcleo galáctico impediria a formação e sobrevivência destas moléculas.
Para se ter uma ideia da escala envolvida, o Sol não tem nenhuma vizinha estelar a menos de 4,3 anos-luz, a distância que nos separa de Próxima Centauri.
Já no centro da Via Láctea, as estrelas chegam a estar separadas por apenas 0,4 ou até 0,04 anos-luz entre si. Foi nesta região extremamente populosa que o Webb identificou a IRS 3, uma estrela com seis vezes a massa do Sol e cerca de 72 milhões de anos, atualmente a ejetar as suas camadas exteriores nas imediações do buraco negro supermassivo.
Até agora, a composição química da IRS 3 não era bem conhecida. Um estudo de 2008, baseado em interferometria, tinha classificado a estrela como rica em carbono. Mas o instrumento , a bordo do Webb, obteve a 21 de abril um espectro infravermelho contínuo inédito da estrela, com apenas 1500 segundos de exposição.
Os dados revelaram duas assinaturas de absorção reveladoras: um estiramento das ligações silício-oxigénio aos 9,7 mícrones e uma flexão das ligações oxigénio-silício-oxigénio aos 18,5 mícrones.
Segundo os investigadores, esta relação específica entre as duas profundidades óticas, na ordem dos 3,5, só é observada em estrelas ricas em oxigénio, já que as estrelas ricas em carbono não conseguem produzir a segunda assinatura por não possuírem ligações silício-oxigénio.
Isto significa que a IRS 3 é, afinal, uma estrela rica em oxigénio, contrariando a classificação anterior de 2008.
Em teoria, a radiação ultravioleta intensa emitida por Sagittarius A* e pelo enxame estelar que o rodeia deveria dissociar as moléculas antes que estas se conseguissem acumular. A deteção de água nesta região vem, assim, contrariar essa previsão.
O parsec central da Via Láctea alberga milhões de estrelas, e seria expectável que uma parte significativa delas já tivesse atingido a fase de gigante vermelha evoluída, dada a sua idade. No entanto, a IRS 3 é a única a apresentar um invólucro de poeira visível tão próximo do buraco negro, um desequilíbrio que os astrónomos apelidam de "paradoxo das gigantes vermelhas em falta".
A explicação pode estar na taxa de perda de massa da estrela: cerca de 6 × 10⁻⁵ massas solares por ano, um valor superior ao limiar necessário para resistir ao arrastamento provocado pela radiação e pelas forças de maré.
Isto permite à IRS 3 manter uma coquilha de poeira detetável, algo que outras estrelas semelhantes na região provavelmente já perderam.
A IRS 3 é apenas um dos alvos do programa de observação MICONIC (Mid-Infrared Characterisation of Nearby Iconic galaxy Centres), que pretende caracterizar de forma sistemática as propriedades infravermelhas dos núcleos de galáxias próximas.
Os centros galáticos estão entre os ambientes mais extremos que existem; por isso, perceber se as estrelas conseguem continuar a enriquecer o seu ambiente é uma questão importante.
Explicou Florian Peißker, investigador da Universidade de Colónia e autor principal do estudo.
Observações anteriores feitas com a rede ALMA , a 1,6 milhões de unidades astronómicas da estrela, uma coquilha de poeira mais fria, vestígio de material ejetado há milhares de anos.
O espectro captado pelo MIRI revelou ainda outras assinaturas que aguardam análise mais aprofundada: possíveis traços de dióxido de carbono perto dos 15 mícrones e bandas de hidroxilo entre os 14 e os 17 mícrones.
Fonte: Pplware






