InícioRevistaTecnologiaGPMI já não é apenas uma promessa: rival chinês do HDMI chega...

GPMI já não é apenas uma promessa: rival chinês do HDMI chega a quase um milhão de TVs

·

Quando a China apresentou o GPMI, poucos acreditariam que pudesse ameaçar o domínio do HDMI e DisplayPort. Pouco mais de um ano depois, já existem normas, chips e produtos comerciais, colocando a China na dianteira desta nova tecnologia.

Em abril de 2025, sobre o GPMI, ou , uma tecnologia criada pela Shenzhen 8K UHD Video Industry Cooperation Alliance, que reúne dezenas de empresas chinesas.

Na altura, os números chamavam imediatamente a atenção: até 192 Gbps de largura de banda e capacidade para fornecer 480 W através do mesmo cabo. Na prática, a ideia é transportar vídeo, áudio, dados, sinais de controlo e energia através de uma única ligação.

A grande diferença é que, desde então, o GPMI começou efetivamente a chegar ao mercado.

À esquerda: HDMI Type A, o HDMI convencional usado em televisores, consolas, boxes e outros equipamentos. Tem 19 pinos e o característico formato trapezoidal. EIZO À direita: DisplayPort, muito comum em computadores, placas gráficas e monitores. Tem 20 pinos e distingue-se pelo formato mais rectangular com um dos cantos cortado.

Em julho de 2026 entraram oficialmente em vigor na China seis normas industriais relacionadas com GPMI. Mais importante ainda, dados divulgados pela indústria indicam que, já em abril, as entregas de televisores equipados com chips compatíveis com GPMI se aproximavam de um milhão de unidades.

Isto coloca a tecnologia numa fase completamente diferente. Já não estamos perante uma especificação à procura de fabricantes.

GPMI: o que oferece esta tecnologia?

GPMI Type-C

GPMI Type-B

O GPMI foi concebido para transportar através do mesmo cabo vídeo, áudio, dados, sinais de controlo, rede e alimentação elétrica. O Type-B utiliza oito canais de alta velocidade e permite alterar a direção dos canais, possibilitando diferentes combinações de largura de banda de envio e receção.

Para comparação, o HDMI 2.2 chega aos 96 Gbps, enquanto o DisplayPort 2.1 UHBR20 atinge 80 Gbps. A grande diferença do GPMI está, portanto, não apenas na velocidade máxima, mas na tentativa de concentrar várias funções numa única ligação.

Um exemplo concreto desta evolução é a Haier Q60C, uma gama de televisores disponível em versões de 55, 65 e 75 polegadas e já comercializada no mercado chinês.

A ligação GPMI permite, por exemplo, ligar diretamente um smartphone ao televisor através de USB-C, transmitir imagem 4K, trocar dados e simultaneamente alimentar o dispositivo ligado. A ideia começa aqui a mostrar aquilo que poderá diferenciar o GPMI.

Em vez de termos uma ligação para vídeo, outra para dados e eventualmente outra para alimentação, um único cabo poderá assumir todas estas funções.

A GPMI Tipo C  suporta largura de banda ultra-alta de 144 Gbps e alta capacidade de fornecimento de energia de 480 W, permitindo a comunicação bidirecional de sinais de áudio, vídeo, dados e controle entre dispositivos, além de suportar redes mesh de até 128 nós.

Umgrande fabricante chinês de eletrónica de consumo, a Skyworth Digital, deu outro passo importante ao lançar aquilo que descreve como o primeiro micro set-top box plug-in baseado em GPMI.

Não se trata apenas de um protótipo. No relatório anual de 2025, a própria Skyworth confirma o lançamento e revela que participa no programa da Administração Nacional de Rádio e Televisão chinesa para implementar estes pequenos equipamentos numa escala de dezenas de milhões de unidades.

O ecossistema está também a alargar-se a televisores, monitores, computadores, projetores e outros dispositivos.

Talvez ainda mais importante seja aquilo que está a acontecer dentro dos equipamentos.

A HiSilicon já possui o Hi3781V610, um SoC destinado a ecrãs 4K que integra nativamente GPMI.

O chip inclui oito núcleos ARM Cortex-A55, GPU Mali-G52, descodificação 4K a 60 fps, suporte para 4K a 120 Hz e várias tecnologias de processamento de imagem por inteligência artificial. Mas é precisamente a integração direta do GPMI que interessa neste contexto.

Isto significa que os fabricantes podem começar a desenvolver televisores, monitores e outros equipamentos com suporte para GPMI sem depender exclusivamente de controladores externos dedicados.

Ter melhores especificações não significa necessariamente ganhar uma guerra de formatos.

O HDMI está instalado em milhares de milhões de equipamentos e é suportado praticamente por toda a indústria mundial de televisores, consolas, computadores, projetores, sistemas AV e dispositivos multimédia.

Além disso, o HDMI 2.2 duplicou a largura de banda relativamente ao HDMI 2.1, passando de 48 para 96 Gbps.

Isto significa que iguala a largura de banda máxima do GPMI Type-C, embora não ofereça a mesma capacidade de transportar centenas de watts de energia através da ligação. O verdadeiro desafio para o GPMI será, portanto, sair da China.

<

p id="caption-attachment-1136092" class="wp-caption-text">A nova versão HDMI 2.2 duplicou a largura de banda relativamente ao HDMI 2.1, passando de 48 para 96 Gbps.

Por enquanto, a maioria dos fabricantes envolvidos no desenvolvimento e adoção da tecnologia continua a pertencer ao ecossistema chinês. Mas há uma diferença importante relativamente ao que escrevíamos há pouco mais de um ano: o GPMI deixou de ser apenas uma promessa tecnológica.

Já existem normas, chips e produtos comerciais. E quando uma nova interface começa a aproximar-se de um milhão de televisores enviados para o mercado, talvez seja altura de o HDMI começar, pelo menos, a olhar pelo retrovisor.

 

Fonte: Pplware

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

- Advertisment -spot_img