Por: Virgílio Timana
O Festival Maputo Em Cena promove esta terça-feira, 18 de Agosto, uma mesa-redonda dedicada à reflexão sobre a estética do teatro moçambicano tendo como ponto de partida a obra e o percurso do encenador e actor Evaristo Abreu.
A sessão está marcada para as 14h, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), e pretende reunir diferentes perspectivas sobre as linguagens, práticas e transformações que têm marcado o teatro em Moçambique.
Moderada por Dadivo José, a mesa-redonda contará com a participação de Alberto Mateus Magassela, Lucrécia Paco, Elliot Alex, Mária Atália Adamugy e Félix Bruno Luís Carlos. A iniciativa coloca em diálogo diferentes experiências do sector artístico e procura pensar o lugar do teatro na sociedade moçambicana a partir do legado deixado por uma das figuras com intervenção relevante na sua história recente.
Evaristo Abreu nasceu em Maputo, a 5 de Outubro de 1966. Segundo o portal MZNews, iniciou a sua carreira no teatro em 1985, tendo trabalhado como actor no TEJOCO, Txova Xita Duma e Mutumbela Gogo.
Em 1989 fundou o grupo de teatro Mbeu, onde assumiu funções de encenador. Mais tarde, esteve à frente do Festival Internacional de Teatro D’Agosto, entre 1998 e 2005, e participou em diversos projectos teatrais orientados para a mudança social, incluindo iniciativas desenvolvidas em parceria com organizações governamentais.
A sua formação combinou as artes e as ciências sociais. Abreu era mestre em Artes Dramáticas pela Witwatersrand University, em Joanesburgo, e bacharel em Sociologia pela Universidade Eduardo Mondlane.
Em 2006, integrou a Visão Mundial, onde coordenou o departamento de mobilização comunitária através do teatro. Também colaborou, em diferentes momentos, com o Ministério da Cultura e Turismo, integrando comissões organizadoras do Festival Nacional da Cultura.
Evaristo Abreu morreu a 23 de Setembro de 2025, aos 58 anos, na sequência de complicações relacionadas com cancro.
A mesa-redonda do Maputo Em Cena surge, assim, não apenas como uma homenagem ao seu percurso, mas também como espaço de debate sobre a evolução do teatro moçambicano, as suas linguagens e os desafios que se colocam às novas gerações de artistas.
Ao recuperar o legado de Abreu, o encontro procura olhar para o passado como ponto de partida para discutir o presente e os possíveis caminhos futuros do teatro nacional.







