Resumo
Representantes de associações empresariais e câmaras de comércio visitaram o projeto Mozambique LNG, em Afungi, Cabo Delgado, para acompanhar o progresso das obras e explorar oportunidades económicas. O projeto liderado pela TotalEnergies retomou as atividades após os ataques insurgentes, envolvendo mais de 4 mil trabalhadores, principalmente moçambicanos. Com 40% concluído, prevê-se a exportação de gás em 2029. A visita focou-se em infraestruturas, formação profissional e contratação local. Avaliado em 20 mil milhões de dólares, o projeto visa posicionar Moçambique como exportador de gás. Apesar dos benefícios económicos esperados, persistem desafios de segurança, inclusão das comunidades locais e transparência na gestão das receitas. A visita destacou o potencial de negócios e a preparação do setor privado nacional para a indústria, crucial para o futuro económico moçambicano.
Representantes de associações empresariais e câmaras de comércio efectuaram recentemente uma visita às instalações do projecto Mozambique LNG, em Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, numa iniciativa que permitiu acompanhar o estágio actual das obras e avaliar as oportunidades económicas associadas ao maior investimento privado da história de Moçambique.
A visita ocorre numa altura em que o projecto liderado pela TotalEnergies atravessa uma nova fase de implementação, após a retoma integral das actividades em Janeiro deste ano, na sequência do levantamento da situação de força maior que vigorava desde 2021 devido aos ataques insurgentes registados na região.
Segundo informações divulgadas pelo consórcio Mozambique LNG, as actividades de construção decorrem actualmente tanto em terra como no mar, envolvendo mais de quatro mil trabalhadores, dos quais cerca de três mil são cidadãos moçambicanos. O projecto encontra-se aproximadamente 40% concluído e prevê iniciar a exportação de gás natural liquefeito em 2029.
Durante a visita, os representantes do sector privado tiveram contacto directo com as infra-estruturas em desenvolvimento e receberam actualizações sobre os programas de conteúdo local, formação profissional e contratação de empresas nacionais. A iniciativa é vista como uma tentativa de reforçar o diálogo entre os promotores do projecto e o empresariado moçambicano, num momento em que cresce a expectativa sobre os benefícios económicos que poderão resultar da exploração dos vastos recursos de gás da Bacia do Rovuma.
O Mozambique LNG é considerado um dos maiores projectos energéticos em curso em África. Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o empreendimento deverá produzir aproximadamente 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, posicionando Moçambique entre os principais exportadores mundiais de LNG.
Além da dimensão energética, o projecto é apontado pelo Governo como um dos principais motores da transformação económica do País. Estimativas indicam que, durante a fase de construção, poderão ser criados até sete mil empregos directos para moçambicanos, enquanto os contratos atribuídos a empresas nacionais poderão ultrapassar os quatro mil milhões de dólares.
No entanto, apesar do optimismo em torno da retoma das actividades, persistem desafios relacionados com a segurança, a inclusão efectiva das comunidades locais e a distribuição dos benefícios económicos gerados pelo projecto. Organizações da sociedade civil e analistas têm defendido uma maior transparência na gestão das receitas futuras do gás e uma participação mais significativa das empresas nacionais na cadeia de fornecimento.
Para as associações empresariais, a visita a Afungi representou uma oportunidade para avaliar o potencial de negócios associado ao projecto e reforçar a necessidade de preparação do sector privado nacional para responder às exigências técnicas e operacionais de uma indústria que deverá desempenhar um papel central no futuro económico de Moçambique.
Com a retoma das actividades e o aumento gradual do número de trabalhadores e empreiteiros mobilizados, o Mozambique LNG volta a assumir um lugar central nas expectativas de crescimento económico, investimento e criação de emprego no País, numa altura em que Cabo Delgado procura consolidar a estabilidade e recuperar a confiança dos investidores internacionais.






