Enquanto o país enfrenta uma das épocas chuvosas mais severas das últimas décadas, com destruição de habitações, infra-estruturas e perdas agrícolas, os deputados aprovam doação financeira de dois dias de salário para assistência às vítimas.
Mais de 123 mil pessoas já foram afectadas pelas cheias desde Dezembro, com impacto severo nas regiões Sul e Centro do país;
Os deputados decidiram contribuir com dois dias de salário, totalizando 2.709.120 meticais, para apoiar directamente as vítimas das inundações;
As chuvas intensas destruíram mais de 2.700 casas e inundaram outras 19 mil, agravando a vulnerabilidade das famílias;
Foram danificados mais de 552 quilómetros de estradas, comprometendo a mobilidade e o transporte de bens essenciais;
O sector agrícola perdeu mais de 44 mil hectares de produção, afectando directamente 10.500 agricultores;
A resposta política e financeira pretende reforçar a capacidade do INGD em assistir famílias deslocadas e centros de acomodação;
A crise evidencia vulnerabilidades estruturais na gestão do risco climático e pressiona a economia nacional num ano já desafiante;
As autoridades apelam às populações para permanecerem em áreas seguras e acatarem todas as recomendações oficiais;
Moçambique atravessa um período crítico da época chuvosa 2025-26, marcado por chuvas intensas e inundações que já afectaram mais de 123 mil pessoas em várias regiões do país, principalmente nas províncias do Sul e Centro, incluindo Maputo, Gaza, Inhambane e Sofala. O balanço oficial do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres (INGD) mostra que entre 21 de Dezembro de 2025 e 13 de Janeiro de 2026, 123.495 pessoas, equivalentes a cerca de 23.810 famílias, foram directamente impactadas pelas cheias, com oito óbitos registados até ao momento.
As consequências das chuvas têm sido severas, com cerca de 2.701 casas parcialmente destruídas e 19.266 inundadas, agravando as vulnerabilidades habitacionais. Infra-estruturas essenciais como estradas (mais de 552 km afectadas) e sistemas de abastecimento de água danificados, impactando a mobilidade e acesso a serviços básicos. Unidades sanitárias e escolas afectadas, prejudicando serviços de saúde e o ano lectivo de milhares de alunos.
No sector agrícola, mais de 44 mil hectares de terras de cultivo foram afectadas, com perdas estimadas em cerca de 3.740 hectares de culturas permanentes ou temporárias, afectando directamente a produção e os rendimentos de mais de 10.500 agricultores.
Nesta sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026, a Comissão Permanente da Assembleia da República reuniu-se em sessão extraordinária para avaliar a evolução da crise e deliberar medidas de resposta. Ao expressar profunda solidariedade às vítimas das cheias e inundações, o órgão parlamentar enalteceu o trabalho das entidades públicas envolvidas desde o Governo e o INGD ao Instituto Nacional de Meteorologia e forças de defesa e segurança na mitigação dos efeitos das intempéries.
Uma das acções de destaque foi a decisão de os deputados contribuírem com dois dias de salário, num total de 2.709.120 meticais, a serem entregues ao INGD para apoio imediato às populações afectadas. A iniciativa pretende financiar a assistência humanitária, incluindo abrigo, alimentação e material de socorro, em complemento à resposta governamental já em curso. (valor referente à deliberação oficial da Assembleia)
Os impactos económicos das chuvas e inundações ultrapassam os danos imediatos à propriedade e infra-estruturas. A destruição de áreas agrícolas compromete a segurança alimentar local e reduz a capacidade produtiva de comunidades rurais, num país onde a agricultura é um pilar económico e fonte de sustento para milhares de famílias.
A interrupção de transportes e danos em sistemas de água e energia aumentam os custos de recuperação e pressionam o orçamento público e privado. Por outro lado, os prejuízos no sector educativo e de saúde têm efeitos prolongados sobre o capital humano, sobretaxando os já limitados serviços sociais nas zonas afectadas.
Além da mobilização financeira, a Comissão Permanente decidiu realizar visitas de solidariedade aos locais mais afectados, enquanto a Presidente da Assembleia e membros da Comissão visitarão, ainda amanhã, pontos críticos da crise para reforçar a presença institucional junto das comunidades.
As autoridades apelam, igualmente, às populações para que sigam as recomendações de segurança emitidas pelo INAM e pelas autoridades locais, evacuem, quando necessário, e permaneçam em áreas seguras até a melhoria das condições meteorológicas.
A actual crise climática em Moçambique impulsionada por fenómenos de chuva intensa reflecte a vulnerabilidade estrutural do país às alterações climáticas, com efeitos cumulativos nos sectores social e económico. A resposta conjunta das instituições políticas e técnicas será determinante para mitigar os impactos imediatos e preparar estratégias de resiliência a longo prazo.
Fonte: O Económico






