Economista, antiga Primeira-Ministra e líder política de referência deixa legado marcado por rigor técnico, políticas públicas inclusivas, estabilidade macroeconómica e pioneirismo feminino no sector público
Moçambique perdeu, esta sexta-feira (16 de Janeiro de 2026), uma das figuras mais marcantes da sua história económica e política contemporânea. Luísa Diogo, economista, antiga governante e líder empresarial, faleceu aos 67 anos em Lisboa, vítima de doença, deixando um legado de competência técnica, liderança feminina e defesa de uma economia inclusiva.
Nascida a 11 de Abril de 1958, na província de Tete, Luísa Diogo fez os estudos primários e secundários em Tete, seguindo depois para Maputo, onde concluiu o curso de Contabilidade no Instituto Comercial em 1979.
Em 1983, obteve o bacharelato em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane, e em 1992 concluiu, à distância, o mestrado em Economia Financeira pela Universidade de Londres.
Luísa Diogo iniciou a sua carreira no Ministério das Finanças em 1980, como técnica do Departamento de Sectores Económicos e de Investimento. Progressivamente, assumiu cargos de maior responsabilidade: Chefe-Adjunta do departamento (1984), Chefe do Departamento do Orçamento (1986) e Directora Nacional do Orçamento (1989 – 1992). Entre 1993 e 1994, desempenhou funções como Oficial de Programas do Banco Mundial em Moçambique.
Foi Ministra do Plano e Finanças (1999 – 2005), Primeira-Ministra (2004 – 2010), acumulando parte do tempo a pasta das Finanças.
Luísa Diogo, foi a primeira mulher a chefiar um Governo em Moçambique, assumindo funções estratégicas num período de consolidação macroeconómica, pós-conflito e transformação institucional. Durante o seu mandato, implementou reformas estruturantes que visaram a modernização da gestão financeira do Estado, melhoria do ambiente de negócios, reforço da transparência fiscal, construção de políticas públicas resilientes e inclusivas.
Após a governação, Luísa Diogo manteve uma presença relevante no sector financeiro e industrial, tendo ocupado o cargo de Presidente do Conselho de Administração do Barclays Bank/Absa Bank Moçambique (2012), Presidente do Parque Industrial de Beluluane (2018). Estes cargos reforçam a sua reputação de gestora de topo e a confiança do sector privado na sua liderança.
Luísa Diogo foi amplamente reconhecida fora de Moçambique como figura feminina mais influente do mundo, pela revista Forbes. Esteve entre as 100 personalidades mais influentes a nível global, pela Time Magazine. Teve uma participação activa em painéis da ONU, União Africana e Banco Africano de Desenvolvimento e defensora do papel das mulheres na governação e na economia
Num contexto historicamente dominado por homens, tornou-se símbolo de mérito, competência técnica e abertura de caminhos para líderes femininas, inspirando novas gerações de economistas e gestores públicos. O contributo de Luísa Diogo foi decisivo para políticas de desenvolvimento urbano e ordenamento territorial, planeamento estratégico e avaliação macroeconómica, gestão de investimentos públicos e diversificação económica.
Luísa Diogo, defendia que “a economia só é sustentável quando serve as pessoas”, sintetizando sua visão de crescimento económico aliado ao impacto social.O seu trabalho deixou bases sólidas para estabilidade macroeconómica, reforço institucional e consolidação da confiança de parceiros internacionais.
A morte de Luísa Diogo marca não apenas a perda de uma economista e governante de topo, mas o desaparecimento de uma referência global em liderança feminina e governação económica.
O seu legado permanece na modernização das instituições públicas, no fortalecimento do sector financeiro, na defesa da inclusão social e na inspiração para futuras gerações de líderes em Moçambique e além-fronteiras.
Fonte: O Económico






